JUSTOS-CAPA- JAN KARSKI

 

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

O herói Jan Karski é um Justo entre as Nações.

JAN KARSKI-GUETOJan Karski (Jan Romuald Kozielewski), (Lodz, Polônia 24 de junho de 1914 – Washington, EUA, 13 de julho de 2000) foi jurista e diplomata, historiador, professor da Universidade de Georgetown. Secretário do Diretor do Escritório de Pessoal do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Courier e emissário das autoridades do Estado Polaco no exílio.

Karski nasceu em uma família católica romana e depois de completar seus estudos universitários juntou-se ao serviço diplomático polonês.

Em 1939, quando da invasão da Polónia por parte do exército alemão, Jan Karski, então tenente do exército, foi detido pelos alemães e colocado num comboio-prisão. Durante a noite conseguiu escapar e juntou-se aos grupos de resistência polaca.

Com seus conhecimentos de geografia e línguas estrangeiras e uma memória Jan KARSKI-GUETO2notável, Karski se tornou um mensageiro de muitos recursos, e viajou entre a Polónia, Inglaterra e França, transportando informações secretas para o Governo da Polónia no exílio.

No final de 1940, durante uma missão, Karski foi capturado pela Gestapo e brutalmente torturado.

Temendo que sob coação ele pudesse revelar segredos, Karski tentou o suicídio cortando seus pulsos, mas foi enviado para um hospital do qual o movimento subterrâneo de resistência polonesa o ajudou a escapar.

Jan Karski foi um dos primeiros a entregar relatos de testemunhos oculares do Holocausto aos líderes aliados durante a guerra.

No final de 1942, Karski entrou e saiu do gueto de Varsóvia e de um campo de trânsito em Izbica, onde viu por si mesmo os horrores sofridos pelos judeus durante a ocupação nazista e assistiu o transporte deles para o campo de extermínio de JAN KARSKI - LIVRO-2Belzec.

Em novembro de 1942, Karski chegou a Londres, entregou o relatório ao governo polonês no exílio e partiu para encontrar Winston Churchill, outros políticos, jornalistas e figuras públicas.

Ele descreveu o que tinha visto e advertiu sobre os planos da Alemanha nazista de assassinar os judeus europeus.

Ao completar sua missão, Karski foi para os Estados Unidos em 1943 onde se encontrou com o presidente Roosevelt e outros dignitários para dar a mesma advertência e pleitear uma ação.

Os governos aliados estavam concentrados no objetivo de derrotar a Alemanha, e a mensagem de Karski foi recebida com descrença ou indiferença.

Jan Karski-entrevista completaDesanimado, Karski permaneceu nos Estados Unidos, onde obteve um PhD da Escola de Relações Exteriores da Georgetown University, e tentou em vão estimular a opinião pública contra o massacre dos judeus.

Em 1944, nos Estados Unidos, Karski escreveu um livro sobre a Resistência polonesa (História de um Estado Secreto), com um capítulo longo sobre o Holocausto judeu na Polônia.

Karski se recusou a retornar à Polônia comunista permanecendo em Washington, propagando pela liberdade polonesa e atuando por mais de 40 anos como professor em Georgetown.

Estimulado pela memória do Holocausto, Karski trabalhou incansavelmente para o entendimento polaco-judaico e para honrar a memória de todas as vítimas do nazismo.

Em 1965 Karski se casou com uma judia polonesa, Pola Nirenska, sobrevivente do Holocausto.

Ele se comprometeu a perpetuar a memória das vítimas do Holocausto, sentiu de todo o coração a tragédia e o sofrimento do povo judeu e não pôde perdoar o silêncio do mundo com o massacre de seis milhões de judeus.

Essas noções foram bem refletidas em um discurso proferido em 1981 em uma reunião de oficiais militares americanos que haviam libertado os campos de concentração e conheceram de perto os horrores desses locais de morticínio.

Karski disse que não cumpriu sua missão de guerra e afirmou: “E assim eu me tornei judeu. Os judeus que foram abatidos tornam-se minha família, mas eu sou um judeu cristão … Eu sou um católico praticante … Minha fé me diz que a Humanidade cometeu o ‘2º Pecado Original’. Este pecado assombrará a humanidade até o fim dos tempos. E eu quero que seja assim “.

JAN KARSKIKarski foi formalizado como um cidadão honorário de Israel. Em 2 de junho de 1982, o Yad Vashem,  Museu do Holocausto de Israel, outorgou a Jan Karski o  título de Justo entre as Nações.

Embora não tivesse salvo judeus individualmente, a Comissão para a Designação dos Justos do Yad Vashem decidiu que tinha arriscado sua vida para alertar o mundo do Holocausto.

Ele tinha incorrido um enorme risco em penetrar no gueto de Varsóvia e em um campo de concentração, e depois se comprometeu inteiramente com o objetivo de resgatar os judeus.

O caso de Karski é bastante excepcional em muitos aspectos. Enquanto outros salvadores tomaram a difícil decisão de deixar o lado dos espectadores, para não ficar em silêncio e para se levantar e agir, Karski, depois de chegar ao Ocidente, trouxe esse dilema à porta dos líderes do mundo livre.

Karski morreu em Washington, DC, em julho de 2000.

 

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