Oportunidade para a Sustentabilidade

Retrofit é em si mesmo, uma ação sustentável. Evita a construção de novas obras, aproveitando e atualizando o velho edifício ou residência que, muitas vezes, ganha uma nova função. Ao adotar conceitos de sustentabilidade, estará reduzindo significativamente os custos de sua operação. É possível incorporar soluções sustentáveis no retrofit de uma edificação tanto em residências, quanto em edifícios corporativos ou residenciais. O retrofit faz parte do escopo de soluções sustentáveis pela própria intenção de reaproveitar edificações existentes ao invés de, simplesmente, gerar mais resíduos aos aterros sanitários. São estratégias para adequar o edifício a novos usos, preservar o patrimônio histórico da cidade e, ainda, para melhorar o desempenho das edificações nos quesitos de conforto, eficiência energética e consumo de água.

Os sistemas de resfriamento e iluminação dos edifícios corporativos brasileiros respondem por 70% do total da energia consumida. Com boas soluções, o retrofit poderia alcançar uma economia superior a 30%. Pode haver impedimento no reaproveitamento em casos de tratarmos com edificações com risco de ocupação como danos estruturais ou contaminação por resíduos prejudiciais à saúde. As estratégias e tecnologias variam não apenas pelo tipo de ocupação, mas por aspectos como o contexto de inserção do edifício no seu entorno e características da edificação existente. As estratégias devem focar economia de consumo de água e energia, baixo impacto socioambiental e melhoria das condições de ocupação. Há uma série de alterações possíveis. Entre elas, a envoltória do edifício; estudo das aberturas para melhoria de soluções de iluminação e ventilação natural; mudanças nos sistemas de condicionamento de ar; automação de sistemas; substituição de aparelhos e metais sanitários; projetos luminotécnicos com ênfase em utilização de lâmpadas econômicas.

Existem soluções construtivas que não agregam valor aos quesitos de qualidade, durabilidade e conforto ambiental e, até por isso, são mais ‘baratas’. Se compararmos bons produtos com soluções de construções sustentáveis, não teremos diferenças significativas de custos. O que é necessário mudar são as premissas de projeto e contemplar soluções e estudos de conforto térmico, acústico, lumínico, carga térmica, dimensionamento de brises, detalhamento de caixilharia, sistemas de uso de águas pluviais, aquecimento solar, entre outros. Mas, não custa o mesmo que um projeto básico que impera no mercado. Existem dados que indicam que o edifício sustentável pode ser até 5% mais caro que o tradicional. Os ganhos na operação são grandes, além de propiciar melhorias nas condições de morar e trabalhar – que são indicadores qualitativos.

O retrofit agrega valor ao imóvel, as soluções que melhoram o desempenho da edificação também criam um diferencial no mercado. Cada imóvel possui características próprias, criando oportunidades e/ou dificuldades. Consultar especialistas é importante para fazer avaliações específicas. Em relação às tecnologias práticas, sempre ter em mente redução de consumo e desperdícios; diminuição e destinação de resíduos no processo da obra e também na vida do edifício – pensar em flexibilidade futura -; minimizar o impacto no entorno da obra, cuidar da segurança e saúde dos trabalhadores. E utilizar tecnologias que propiciem os melhores resultados nos quesitos já citados. Portanto, cada retrofit é um novo projeto, devendo sempre ser analisado quais as praticas e tecnologias que não podem ficar de fora. Sempre é possível ser adotada alguma pratica de sustentabilidade, ainda que em uma reforma pequena em um único apartamento nem prédio, por exemplo. Mudanças nos aparelhos e metais sanitários com foco em redução no consumo de água são aplicáveis em qualquer intervenção assim como troca e/ou utilização de eletrodomésticos e produtos com selo PROCEL. Projetos de luminotécnica com ênfase em eficiência energética ou simplesmente utilização de lâmpadas econômicas (compactas, fluorescentes e leds); sensores de presença; utilização de materiais duráveis; uso de madeiras certificadas; seleção de fornecedores com diretrizes de sustentabilidade; automação de sistemas.

Há diversas soluções que são prioritárias em condomínios residenciais, como: coleta seletiva de resíduos, inclusive óleo de cozinha e de obra, e soluções voltadas ao consumo de energia e água. Medidores individualizados de consumo de água têm sido implantados em vários condomínios e geram economia em curto espaço de tempo. Sensores de presença, troca de lâmpadas, troca de metais e aparelhos sanitários, inclusive redutores de pressão, mudanças de elementos construtivos que resultam em absorção de carga térmica, alteração de sistemas de aquecimento de água, mudanças em sistemas de condicionamento de ar, alterações na arquitetura para criar sistemas passivos de bioclimática. O Conselho Brasileiro de Construção Sustentável tem um comitê de materiais, que criou uma ferramenta para a seleção de materiais sustentáveis, disponíveis no www.cbcs.org.br. Os arquitetos e construtoras podem identificar os materiais sustentáveis facilmente, são seis passos:

  1. Verificação da formalidade das empresas fornecedoras;
  2. Verificação da licença ambiental da unidade fabril;
  3. Respeito às normas técnicas que garantem a qualidade do Produto;
  4. Consultar o perfil de responsabilidade socioambiental da empresa;
  5. Identificar a existência do “verniz verde” (Green Washing);
  6. Analisar a durabilidade do produto;

 

Porque Sustentabilidade

O foco da indústria de construção verde continuará a mudar dos novos projetos para a adaptação de edifícios existentes aos padrões sustentáveis. Esta tendência, chamada de retrofit verde, cresce desde 2010 e é um caminho mais rápido para que edifícios antigos e clássicos atinjam um padrão sustentável em comparação à construção de um novo projeto. Nos Estados Unidos, o mercado da construção sustentável saiu dos míseros U$ 10 bilhões em 2005 para atingir U$ 236 bilhões atualmente. O exemplo de maior destaque é o Empire State Building. As tendências sustentáveis ganhas mais espaçam a cada dia. Os americanos não agiram apenas por preocupação ambiental: como resultado, houve uma redução de 38% com os gastos de energia de um dos prédios mais conhecidos de Nova York, com a expectativa de economia de US$ 4,4 milhões de dólares por ano. Este movimento, hoje tendência mundial, é uma técnica que consiste na adaptação e na melhoria de edificações já existentes, aproveitando sua parte estrutural para transformá-la por dentro. É um caminho mais rápido para que edifícios antigos e clássicos atinjam um padrão sustentável em comparação à construção de um novo projeto. No Brasil, o exemplo com maior repercussão é a reforma do estádio do Maracanã, o local conta hoje com placas de energia solar que garantem uma redução de 25% da energia consumida. Melhor: o novo Maracanã reusou boa parte de sua estrutura antiga, um dos preceitos do retrofit.

Benefícios – Existe primeiro, a questão ambiental. “No Brasil, os edifícios respondem por cerca de 45% do consumo anual de energia de todo o país, por 22% da emissão de CO2 e por 21% do consumo de água potável”, diz Manoel Gameiro, diretor comercial e de produtos aplicados da Trane para América Latina. E há a economia direta no bolso: com a técnica, o uso de energia diminui cerca de 30% e o de água cai pela metade. É, ainda, uma boa solução comercial, já que pode aumentar em até 10% os valores para venda e locação de empreendimentos. Acima de tudo, é preciso levar em conta que há uma demanda crescente por novas construções nas grandes cidades sem que haja espaço para tantos novos projetos. O investimento, é verdade, não é dos mais baratos. “Mas, apesar disso, ele se paga em um curto espaço de tempo”, diz Walter Serer, diretor geral de Soluções Climáticas da Trane Brasil. Dados mostram que a redução dos custos operacionais durante um ano chega a 8%. O retrofit verde pressupõe que qualquer tipo de atualização em um edifício que já exista pode ajudar na melhora do seu desempenho energético e ambiental. Veja o que pode ser feito:

  1.  Iluminação: Com o apagão de 2001, as pessoas ficaram mais atentas ao assunto da economia de luz – um divisor de águas para que melhorias energéticas simples pudessem ser feitas em todos os tipos de prédio, principalmente nos residenciais. Aqui as possibilidades são a substituição de lâmpadas antigas por equipamentos mais modernos, como lâmpadas de LED, sensores de movimento, películas protetoras para diminuição da luz e temperatura do ambiente.
  2. Conservação da água: Como este é um dos pontos que causa maior gasto desnecessário nas edificações é importante haver investimento em equipamentos para redução do fluxo de água, reaproveitando a água da chuva, juntamente com o controle e medição do consumo através da aplicação de medidores. Outra solução é recolher a água das pias de banheiro e da cozinha também para reuso. Elas são levadas a uma pequena estação de tratamento e guardadas em um reservatório para posterior uso em uma tubulação exclusiva para os vasos sanitários.
  3. Climatização: As estratégias típicas para melhorar a climatização do ambiente incluem um estudo térmico do edifício para determinar as cargas térmicas de aquecimento e arrefecimento ainda na fase de concepção do projeto. Para ter êxito, é importante que haja a substituição de equipamentos primários por sistemas mais eficientes e bem dimensionados de acordo com as necessidades do espaço. Isso traz a otimização das unidades terminais, ajuda no balanceamento de aquecimento e na refrigeração dos espaços.
  4. Fachada: Aqui é recomendável o uso de vidros espelhados que mantêm a temperatura interna nos dias mais quentes. Para isso, no entanto, é preciso prever mecanismos que permitam a abertura das janelas em determinadas horas do dia, aproveitando, também, a ventilação natural. Vigas refrigeradas e a aplicação de sistemas de sombreamento controlados por computador também são ótimas alternativas.
  5. Eficiência energética: Esse é um dos principais focos do retrofit verde. Foi, inclusive, alvo de importantes discussões mundiais, tendo como resultado o pacote ambiental do governo de Barack Obama, que destinou US$ 20 bilhões para o assunto. Algumas soluções bastante eficientes já têm surgido no mercado brasileiro. Sabemos que um prédio, ao longo de 50 anos de existência, gasta 15% do orçamento no projeto e na construção e 85% com reformas e manutenção. Por isso, a preocupação em fazer com que os produtos tragam eficiência energética ao empreendimento sem dar dores de cabeça. Para tanto, as máquinas usadas pelas empresas da área contam com dispositivos eletrônicos que reúnem dados de como estão as variações de pressão, temperatura e quantidade de óleo usado.

 

Estádio Maracanã - Nunca se falou tanto em retrofit como nos últimos anos. O Estádio do Maracanã é uma grande demonstração das amplas possibilidades de aplicação do retrofit. Ele e outros estádios que sediaram os jogos da Copa de 2014 passaram pelo processo para que suas estruturas fossem adaptadas para o evento. O projeto rendeu ao estádio uma das premiações mais importantes da arquitetura mundial, o Mipim AR Future Project Awards.
Estádio Maracanã – Nunca se falou tanto em retrofit como nos últimos anos. O Estádio do Maracanã é uma grande demonstração das amplas possibilidades de aplicação do retrofit. Ele e outros estádios que sediaram os jogos da Copa de 2014 passaram pelo processo para que suas estruturas fossem adaptadas para o evento. O projeto rendeu ao estádio uma das premiações mais importantes da arquitetura mundial, o Mipim AR Future Project Awards.
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