bullying

 

Todas as crianças têm seus melhores amigos, aqueles com quem se dão melhor e têm mais afinidades. Isso, evidentemente, corre por toda a vida, afinal, não tem como gostar de todos, assim como nem todos gostarão de você. Contudo, a consciência do adulto é diferente da criança. Ao passo que, teoricamente, os adultos podem não gostar ou se dar bem com um outro, mas podem ser educados, o mesmo não é lei para a relação entre as crianças.

A natureza da criança é a do princípio do prazer, sendo que tudo o que é desprazer deve ser excluído e isso já começa quando bebês. A partir de um momento, é introduzido o princípio da realidade, segundo o qual, nem tudo será do jeito que a criança quer, que ela vai ter que esperar, por muitas vezes, para conseguir o que quer – isso se ela conseguir -, e lidar com aquilo que não gosta. Quem introduz o princípio da realidade é o adulto.

É o adulto que frustra, que dá limites e mostra, assim, que nem tudo é pra já e nem tudo ela vai conseguir, nem será do jeito que ela quer, além disso, o princípio da realidade também envolve lidar com as diferenças, poder tolerar aquele que não é igual. E aqui chamo atenção para as crianças que são excluídas das turmas nas escolas por diversos motivos: por não tirarem notas boas, por serem tímidas, por não saberem jogar super bem um jogo de esportes, por usarem óculos, ou pelo motivo que for.

As crianças não têm noção de que a atitude de deixar de fora outra criança pode magoar, ferir, fazer sofrer. Elas não nascem sabendo. Alguém deve ensinar isso a elas. E esse alguém é um adulto. Crianças excluídas sofrem muito, enquanto as que pertencem podem sentir-se aliviadas, sortudas ou arrogantes. Sentir-se aliviado ou sortudo também pode ter por trás muito sofrimento, medo de não pertencer e por aí vai. Então, as relações na infância podem tornar-se sofridas caso não sejam cuidadas.

Penso ser muito importante que pais e professores estejam atentos a isso e que possam abrir um espaço para falar com as crianças e fazê-las refletir sobre esse fenômeno chamado exclusão, além de, na hora de formação de grupos, lembrar as crianças sempre disso. Ser excluído dói e é de grande valor que a criança possa se colocar no lugar do excluído, para poder imaginar o sofrimento do outro como se fosse seu e ser empática.

Acredito que, com ações como essas, poderemos criar adultos éticos, respeitando o outro, não precisa gostar, mas respeitar com certeza, cidadãos do bem e, talvez, relações um pouco menos sofridas e turbulentas.

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/04/bullying.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/04/bullying-150x150.jpgSefi StrengerowskiCRIANÇA, FAMÍLIA E ESCOLAEXPERTSSem categoriaexclusão  Todas as crianças têm seus melhores amigos, aqueles com quem se dão melhor e têm mais afinidades. Isso, evidentemente, corre por toda a vida, afinal, não tem como gostar de todos, assim como nem todos gostarão de você. Contudo, a consciência do adulto é diferente da criança. Ao passo...Comunidade Judaica Paulistana