Nazistas de Perón – Líder argentino acolheu criminosos de guerra para escondê-los da Justiça dos países aliados

As tortuosas relações de Perón com criminosos de guerra nazistas ainda hoje causam mal-estar na Argentina, OPERAÇÃO ODESSA5-Peron2principalmente aos mais velhos. O peronismo ainda tem muitos seguidores.

Décadas após o final da 2ª Guerra Mundial o jornalista argentino Uri Goñi foi um dos poucos a se aventurar no labirinto sinistro de investigação de documentos que desvendaram a rede montada entre a Casa Rosada (sede do governo), a Igreja Católica em seu país, o Vaticano, a Suíça e até a Cruz Vermelha Internacional. Goñi acabou escrevendo um livro obre o assunto.

Essa rede possibilitou, entre 1945 e 1950, que a Argentina desse guarida a cerca de 300 criminosos de guerra nazistas e seus colaboradores europeus.

A lista é longa. Entre os casos mais conhecidos:

Adolf Eichmann, executor da “solução final” para o extermínio de milhões de judeus em campos da morte.

Joseph Mengele, o médico que fazia experimentos com seres humanos em Auschwitz e apelidado de o “anjo da morte”.

Klaus Barbie, chefe da Gestapo conhecido como “carniceiro de Lyon”.

Ante Pavelic, líder do governo católico-fascista da Ustacha, na Croácia.

Erich Priebke, oficial da tropa de elite SS que comandou o massacre de 335 civis italianos em 1944.

Dinko Sakic, comandante do campo de concentração Jasenovac, na Cróacia, onde 600 mil prisioneiros foram massacrados.

Joseph Schwamberber, responsável pela morte de 15 mil judeus em campos da Polônia.

Gerhard Bohne, chefe do programa de eutanásia de Hitler.

A documentação comprovou que Perón e o Vaticano foram os responsáveis pela criação da chamada Operação Odessa, —  Organisation der ehemaligen SSAngehörigen, em alemão, que significa “Organização de antigos membros da SS” — uma extensa rota de fuga montada para garantir a sobrevivência de centenas de criminosos de guerra nazistas nas bandas do rio da Prata e em países vizinhos.

Embora os arquivos argentinos sobre o período tenham sido destruídos em duas fases (em 1955, antes da deposição de Perón, e em 1996, sob a batuta do governo peronista de Carlos Menem), Goñi conseguiu montar o quebra-cabeça pesquisando em arquivos da inteligência dos EUA, da Cruz Vermelha Internacional e de países europeus.

OPERAÇÃO ODESSA3As relações de Perón e de parte da oficialidade do Exército argentino com o nazi-fascismo datam dos anos 1930.

Os militares acreditavam na vitória do Eixo e sonhavam em construir um bloco sul-americano liderado pela Argentina e aliado do III Reich – se necessário, fomentando golpes de Estado nos países vizinhos.

Os nazistas ajudaram os militares argentinos a organizar um golpe de Estado na Bolívia, ainda em 1943. A Argentina só abandonou sua “neutralidade” no conflito da 2ª Guerra Mundial, apesar de pressionada pelos EUA e Inglaterra, em março de 1945, declarando guerra à Alemanha um mês antes da vitória dos aliados.

A operação para salvar criminosos de guerra teve início nos últimos dias do conflito através de dois argentinos de dupla nacionalidade: um deles era o alemão nascido na Argentina Carlos Fuldner, ex-capitão da SS, que desembarcou em Madri em 1945 para sondar o terreno.

De lá, partiu para Buenos Aires e montou escritórios de resgate em Gênova e Berna e, para facilitar a passagem clandestina de ex-nazistas para a Argentina, estabeleceu ligações com o Vaticano e com funcionários suíços.

O outro era o criminoso de guerra Charles Lesca, francês nascido na Argentina, que conheceu Perón nos anos 1930. Ele organizou em Madri a primeira rota de fuga para a Argentina de agentes das SS.

Na Casa Rosada, o esquema era dirigido pelo germano-argentino Rodolfo Freude (Rudi), secretário particular de Perón que controlava o serviço secreto da Presidência.

Rodolfo era filho do empresário alemão Ludwig Freude, radicado na Argentina, ligado à inteligência nazista e responsável pela arrecadação de fundos de empresários pró-nazistas para a campanha de Perón em 1946.

OPERAÇÃO ODESSA1O esquema argentino foi complementado no final de 1946 quando a Igreja Católica começou a montar uma rede com o objetivo de ajudar especificamente colaboradores e fascistas católicos (franceses, belgas e croatas) a se abrigarem na Argentina.

Nesse esquema teve um papel fundamental o padre e criminoso de guerra croata Krunoslav Draganovic, que operava em Roma na igreja de San Girolamo.

Os americanos descobriram sobre a passagem de vários criminosos de guerra por diferentes organizações e conventos de Roma e de outras cidades italianas.

O Monsenhor Giovanni Battista Montini, que, anos mais tarde, se tornaria o papa Paulo VI, foi um dos colaboradores mais próximos do então papa Pio XII durante a guerra.

Foi ele quem criou o chamado Corredor Vaticano, uma ampla rede de instituições da Igreja que servia de refúgio a muitos criminosos da Alemanha nazista.

O corredor terminava no porto de Gênova, de onde o padre Edoardo Domoter sob ordens do bispo Alois Hudal entregava aos fugitivos documentos falsos e passagens de navios cujos destinos eram a Argentina e o Brasil.

OPERAÇÃO ODESSA4O Vaticano era encarregado de dar passaportes com nomes falsos aos fascistas em fuga. Alguns recebiam até dinheiro de padres e de bispos. Através da Santa Sé, obtiveram passaportes da Cruz Vermelha.

Com a guerra fria, os países ocidentais deixaram de lado a perseguição aos nazistas em fuga e se concentraram na luta contra a frente comunista.

Mesmo depois da queda de Perón, que se exilou na Espanha franquista, os criminosos nazistas continuavam a viver tranqüilamente na Argentina.

Essa tranqüilidade perdurou até 1960 quando um comando do Mossad (serviço secreto israelense) seqüestrou Adolf Eichmann em Buenos Aires e o levou para Jerusalém – lá foi julgado, condenado e enforcado.

O médico Joseph Mengele foi para o Paraguai e depois veio para o Brasil, onde morreu em 1979, afogado numa praia de Bertioga. Sua ossada foi identificada pela Polícia Federal brasileira em 1985.

Klaus Barbie, o “carniceiro de Lyon”, instalou-se na Bolívia, onde ajudou a formar esquadrões da morte.

Com a volta da democracia naquele país, Barbie acabou preso e foi extraditado para a França. Condenado à prisão perpétua em 1987, morreu no cárcere em 1991.

No início do ano de 1994, uma equipe de jornalistas da ABC News, decidiu fazer uma matéria de como muitos criminosos nazistas fugiram da Europa para América Latina, após a Segunda Guerra Mundial.

A matéria levou uma das melhores equipes de jornalistas da ABC News a um dos últimos e mais procurados oficiais nazistas, o capitão da SS Erich Priebke e Reinhard Kopps, um antigo espião nazista.

Uma reportagem bem arquitetada que levou ao mundo, o paradeiro de dois nazistas procurados, que nunca haviam sido OPERAÇÃO ODESSA-PRIEBKEjulgados por seus crimes, e que levavam uma vida pacata e tranquila em berço argentino.

O ex-SS Erich Priebke levava uma vida pacata na Argentina. Vivia em clima familiar nos Andes de Bariloche, onde predominava um clima frio, com neve, montanhas e lagos.

Vivia abertamente como se estivesse na Baviera. Frequentava teatros, restaurantes, sempre rodeado de alemães e austríacos, muitos deles ex- nazistas.

Na cidade, Priebke ministrava aulas em uma escola alemã, e viveu por lá sem ser incomodado por cerca de 40 anos.

Erich Priebke foi descoberto pela equipe de tevê acima mencionada e extraditado em 1995 para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua.

Segundo a lei italiana, com certa idade, uma pessoa não pode ser levada à prisão, por isso Erich Priebke cumpriu a sua pena em um apartamento em prisão domiciliar em Roma, onde morreu em 11 de outubro de 2013, com a idade de 100 anos.

A matéria da ABC News  serviu para acordar um mundo que já havia esquecido da guerra, e foi importante base para promover a procura e o julgamento dos nazistas, e não deixá-los impunes de seus crimes.

 

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