O Shulchan Aruch foi escrito no ano de 1563 por Rabi Yosef Karo na cidade de Tzefat, Israel, como um resumo da obra maior que o antecede o Beit Yosef. Escrito com base na obra Arba Turim, também conhecida como TUR, de autoria de Rabi Yaakov ben Harosh (Asher ben Yehiel), o Shulchan Aruch segue a mesma metodologia e ordena as leis práticas para nossos dias segundo temas repartidos em quatro tomos.

 

Haja vista a dedicação às leis possíveis de serem praticadas em nossos dias, no Shulchan Aruch não encontramos leis referentes ao Templo, aos sacrifícios, às impurezas e muitas das quais relacionadas à terra de Israel; diferente do Mishne Torá de Rambam que abarca todas as mitzvot da Torá e dos sábios incluindo as que não são praticadas em nossos dias.

 

O Shulchan Aruch apesar de estar embasado no TUR, guarda em si o seu direito de estipular halachot (leis) em perspectivas divergentes da obra base, e, até mesmo, outras que não foram listadas do TUR. Isso porque Rabi Yosef Karo usa de três referências básicas para determinar a halachá: Rabi Yitzhak Al-Fasi (RIF), Rabi Moshe ben Maimon (Rambam) e Rabi Asher ben Yehiel (Rosh). Além desses três pilares da halachá Rabi Yosef Karo também consulta outros poskim anteriores e contemporâneos como Ramban, Ran, Rashba e outros.

 

O Shulchan Aruch está divido em quatro tomos:

  1. Orach Haim (אורח חיים): Sobre as Halachot relacionadas ao cotidiano diário de todo judeu. Este tomo está dividido em três sessões: 1. Ordem diária, 2. Shabat e 3. Festas. Neste tomo encontramos todas as leis referentes ao comportamento e dos rituais do dia-a-dia.
  2. Yore Deah (יורה דעה): Sobre as Halachot diversas como shechitá, kashrut, nidá, idolatria, tzedaká, brit milá etc.
  3. Even Haezer (אבן העזר): Sobre as leis da Família com, por exemplo, casamento, divórcio, reprodução etc.
  4. Choshen Mishpat (חושן משפט): Sobre as leis dos juízes, finanças, julgamentos, crimes e penalidades etc.

 

De forma geral o Shulchan Aruch foi recebido pela maioria dos poskim e das comunidades judaicas de sua época sendo impresso pela primeira vez em 1565 em Veneza. Contudo, encontrou opositores entre os sábios ashkenazim por receio de que se diminuísse o estudo do Talmud em virtude da facilidade que a obra de Rabi Yosef Karo traz para os estudantes. A fácil compreensão e a proposta de estudo diário com ciclo mensal pareciam um risco para o estudo do Talmud.

 

Outra alegação em contra esta obra era a desproporção no que se refere aos costumes ashkenazim. Uma vez que as leis se baseavam em dois poskim sefaradim e em apenas um posek ashkenazi, as leis e costumes do leste europeu perdiam sua relevância e colocava em risco as tradições dessas comunidades. Bessiat Dishmaia para a solução desse impasse se levanta Rabi Moshe ben Israel Isserles (Ramá) com uma obra que aponta todas as leis e costumes para as comunidades ashkenaziot segundo a ordem do Shulchan Aruch.

 

Uma vez que a proposta do Shulchan Aruch é ser a lei comum para todo Am Israel, se acostumou a editá-lo juntamente com os comentários de Ramá afim de que todo o clal Israel possa aprender e aplicar suas leis.

 

Com o passar do tempo o Shulchan Aruch passou a ser leitura obrigatória a todo judeu, principalmente aos estudantes de Torá e base para exames de rabanut para a ordenação de novos rabinos. Dada sua importância muitos foram os rabinos que contribuem com esta obra a atualizando com suas explicações, costumes em suas comunidades e com novas leis que surgiram frente os novos costumes sociais e novas tecnologias. A cada geração se viu a necessidade de adicionar alguma observação o que resultou em mais de vinte comentaristas tradicionais (desde sua publicação até o século XIX) e outros tantos contemporâneos (séculos XX e XXI).

 

Atualmente o comentário mais estudado do Shulchan Aruch é o Mishná Berurá de autoria de Rabi Israel Meir Kegan (conhecido como Chafetz Haim em virtude de sua obra de musar mais conhecida). Esta obra traz explicações sobre o tomo de Orach Haim. Nestas, Chafetz Haim juntou cinco comentários, sendo dois de sua própria autoria: Mishna Berurá e Beur Halachá, e três de autores distintos: Beer Hagadol de Rabi Moshe Ravkash com as fontes haláchicas de onde Rabi Yosef Karo extraiu seu psak din; Baer Heitev de Rabi Yehuda Ashkenazi com correspondências a outros autores que opinaram sobre dita lei; e Shaarei Teshuvá de Rabi Haim Mordechai Margaliot que traz as diferentes opiniões e suas fontes.

 

Com esta introdução a esta grande obra a qual me dou a liberdade de chamar de “A Rosa dos Ventos da Halachá” por nos orientar em nosso comportamento diário para uma vida conforme a vontade divina, convido a todos a estudá-la e pôr em prática seus ensinamentos.

 

Bebrachá,

Kaleb Lustosa.

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/06/Shulchan-Aruch.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/06/Shulchan-Aruch-150x150.jpgKaleb LustosaGRANDES SÁBIOSMITSVOT/HALACHOTHalachá,judaísmo,leis,Rabi Yosef Karo,SHULCHAN ARUCHO Shulchan Aruch foi escrito no ano de 1563 por Rabi Yosef Karo na cidade de Tzefat, Israel, como um resumo da obra maior que o antecede o Beit Yosef. Escrito com base na obra Arba Turim, também conhecida como TUR, de autoria de Rabi Yaakov ben Harosh (Asher...Comunidade Judaica Paulistana