O judeu é um povo nômade, isto é,                                                                                                                                                      um povo que viaja entre culturas e                                                                                                                                                      que o  não tem medo de interagir                                                                                                                                                         Martin Buber, Moisés.

 

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Figura 1 – Mapa do Reino Ptolomaico, com as suas respectivas comunidades judaicas. (FINKELSTEIN, 2008)

Vou dividir este artigo em duas postagens pertinentes. A primeira englobando a presença judaica anterior a Alexandre e a segunda o período posterior. Com a fundação da cidade de Alexandria, uma nova página da história da diáspora judaica em terras faraônicas se abriu. O convite a colonos judeus para se instalarem na cidade significou a abertura de grandes oportunidades econômicas, políticas e sociais.[1] Foi realizado o primeiro processo sistemático de tradução da Torá[2] para uma língua estrangeira. Isto representou a universalização do acesso à religião do povo judeu, levando ao forte proselitismo apresentado à época. Com o passar do tempo, a comunidade judaica alexandrina se tornou a mais importante da diáspora, influenciando até mesmo a vida na Judéia.[3]

Mas a história dos judeus no Egito é mais antiga. Desde tempos imemoráveis, o reino dos faraós exerceu um poder de atração muito grande, por isso é necessário fazermos algumas considerações antes de adentrarmos a época trabalhada pela presente dissertação.

Sendo a diáspora[4] uma característica fundamental dentro da história do povo judeu, nada mais normal que o Egito, região importante em toda a Antiguidade, tenha um papel inestimável dentro dela. Sua importância vai além, ajudando a construir a identidade judaica, bem como na formação da religião conhecida hoje como Judaísmo. Foi o palco do evento mais significante da tradição e história judaica: o Êxodo, ou a saída dos escravos judeus da região. Importância deveras grande, a ponto de os rabinos, em suas sagas, culparem a permanência dos judeus nesta região como a causa dos grandes desastres na sua história até o final do Império Romano. Afirmação ilustrada por Rabi Simeon Ben Yohai quando diz: “Três vezes Israel foi advertido a não voltar para o Egito e três vezes ele desobedeceu”. (MODRZEJEWSKI, 2001, p. XVI)

 

Os Judeus no Egito antes de Alexandre.

As relações dos povos semitas, entre eles os hebreus[5], e o Egito, estão atestadas no Reino Antigo (2660 a.E.C. a 2180 a.E.C.), quando a região do Delta do Nilo servia como refúgio das intempéries climáticas da região do Levante. Sabe-se da utilização pelos governantes egípcios de funcionários semitas escolhidos entre os mais abastados ou letrados.  A corte do faraó não era xenófoba, mas também trabalhava com mão-de-obra servil estrangeira na construção das obras coordenadas pelo faraó. Há relatos da presença destes povos semitas já nos anos de 1730 a 1530 a.E.C., com a invasão do Egito pelos hicsos, eles próprios com a mesma origem étnica (semita). Seus assentamentos principais se localizavam no delta do Nilo[6], mesmo lugar onde os personagens hebreus da Bíblia Hebraica se fixaram.[7]

Dentro deste quadro podemos encaixar José,[8] como um alto funcionário de um faraó. Um personagem muito parecido com o personagem bíblico na corte de Amenófis III é Aper-El, vizir do faraó. Dentro da tradição judia, com José é iniciado o período de permanência e escravidão no Egito[9]. Sua duração é indeterminada, mas podemos pensar em duas ou três gerações. Se seguirmos as narrações da Torá o período se amplia para três para os descendentes da tribo de Levi – segundo Êxodo 6,16-20 e Números 26, 58-59 – e sete, para os descendentes de José – segundo Números 27:1. Transformando isto em números, Gênesis 15,13 fala de quatrocentos anos de escravidão para os descendentes de Abraão e Êxodo 12,14 de quatrocentos e cinquenta anos.

 

Figura 2 - Mural de Beni Assam, representando a imigração de semitas para o Egito.
Figura 2 – Mural de Beni Assam, representando a imigração de semitas para o Egito.

O próximo personagem bíblico a ser citado é Moisés, um dos personagens-chave das narrativas da Tanach e, por conseguinte, da história do povo judeu, sendo o líder da libertação dos hebreus da escravidão e de sua fuga para a “Terra Santa.”[11] Aparece exercendo diferentes papéis, tais como: o fundador da religião de Israel, taumaturgo, orador, líder carismático, promulgador da Lei e organizador das tribos quanto ao trabalho e à adoração.[12]

A História de Moisés e do Êxodo aparecem em quatro dos cinco livros da Torá: o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio. Podemos dividir essa história em diversas partes. A primeira parte fala sobre o cumprimento da promessa que Deus fez a Abraão, de que lhe daria grande descendência[13]e da opressão sobre os hebreus. Ela dá a realidade social do nascimento de Moisés. O número de hebreus é tão grande que o faraó toma uma série de atitudes com a função de controle populacional, que culminou com o ato de matar todos os seus filhos homens. Esta parte compreende Êxodo 1.

A segunda parte consiste num breve relato sobre a vida de Moisés até seu encontro com Yaweh. O inicio de sua vida já foi uma dádiva de Deus, pois foge da matança perpetrada pelo faraó contra o povo hebreu, para ser achado em um cesto de vime pela filha do governante.[14] Com esperteza ou por ordem de sua mãe, sua irmã se coloca perto e faz com que a princesa peça para sua mãe ser a ama de leite. Esta é a parte mais importante, pois com isto, Moisés permaneceu em contato com a cultura de seu povo, mesmo tendo sido com uma cultura miscigenada.

Com o fim da amamentação, ocorrida aos três anos, ele começou a educação egípcia na corte. Provavelmente freqüentou o kap[15] do Palácio Real, o credenciando para uma carreira de alto funcionário na burocracia estatal, papel de suma importância na época.

Dois historiadores judeus da Antiguidade trabalharam com o tema de Moisés ser um alto funcionário egípcio. Primeiro, Artapano, descendente de uma família originária da Pérsia, viveu no século III a.E.C.. Teve acesso aos antigos registros dos grandes templos egípcios e, talvez, ao acervo da Biblioteca de Alexandria.[16] Ele falava do papel exercido pelo príncipe Moisés na administração de uma terra de interesse do faraó, tornando-se muito popular com o povo do Egito e tendo liderado uma campanha militar contra os etíopes que invadiram a região da fronteira. Teria sitiado a cidade de Hermopólis, cuja guerra durou dez anos. Informações utilizadas por Flávio Josefo em sua obra Antiguidades Judaicas, talvez utilizando tradições correntes dentro dos círculos sacerdotais a que pertencia.

Segundo a Torá Moisés, ao presenciar a morte de um hebreu por um feitor, mata o egípcio e foge para Mídiã[17], para não ser punido pelo faraó, a única pessoa que poderia decretar a pena capital. Segundo a opinião dos dois historiadores acima citados, a fuga se deveu à inveja do governante pela popularidade de Moisés e o medo de ser morto.

Na sua fuga para Mídiã ele teria tido acesso à cultura hebraica em sua raiz, pois os midianitas adoravam Yahweh e se circuncidavam como era usual na época de Abraão. Lá, casa-se com a filha do sacerdote e líder da tribo, Jetro, causando muita discussão com os hebreus na sua volta para o Egito, graças a resistência à idéias religiosas conflitantes.

Foi em Mídiã, de acordo com a Torá, que Moisés entrou em contato com Deus através do episódio da sarça ardente, onde Ele revelou seu nome. Como aparece em Êxodo 3,13-14:

Moisés replicou a Deus: quando me dirigir aos filhos de Israel, eu direi: o Deus dos antepassados de vocês me enviou até vocês; e se eles me perguntarem: qual é o nome dele? O que eu vou responder? Deus disse a Moisés: eu sou aquele que sou.

 

Essa parte do nome de Deus é muito importante, devido à ligação estreita nas sociedades orientais com a essência da pessoa. A não revelação de seu nome traz uma aura de mistério, tornando a relação entre homens e Deus mais formal. Yahweh encarrega Moisés da libertação de seu povo da opressão egípcia, com a ajuda de seu irmão Aarão. Esta parte corresponde Êxodo 2 a 4.

A terceira parte desta história compreende o encontro dos irmãos com o faraó e vai até a libertação total dos hebreus do Egito. Esse episódio é um dos mais importantes e interessantes, pois mostra a grande batalha psicológica ocorrida entre o faraó e Yahweh, tendo como porta voz Moisés, o qual luta até a liberdade de seu povo. O governante cede depois do toque pessoal de Deus ordenando a morte de todos os primogênitos dos egípcios, inclusive o seu. Moisés convoca os anciãos e mostra a necessidade de conservar a memória dessa luta de libertação. A quarta e última parte engloba a saída do Egito.

O Egito em que Moisés teria vivido, e onde o Êxodo teve lugar, foi o do Novo Reino, englobando a 18°, a 19° e a 20° dinastias. Neste período o Egito passou a ser um Império, trazendo junto com isto toda a ideologia que ele comporta. A realidade não era mais do quase isolamento, e sim de uma intensa relação com a Ásia Ocidental e o Mediterrâneo, tornando a política interna extremamente dependente da externa.

Figura 3 - Estela de Meremptah, atualmente no Museu do Cairo.
Figura 3 – Estela de Meremptah, atualmente no Museu do Cairo.
Figura 4 – Detalhe da Estela com o nome de Israel.
Figura 4 – Detalhe da Estela com o nome de Israel.

Não há consenso entre os estudiosos do Êxodo sobre a sua datação dentro do Novo Reino. Segundo Modrzejewski (2001, p.12-13), as discussões  centram-se em duas datações, uma alta e outra baixa. A primeira coloca a saída dos hebreus no século XV e XVI a.E.C. e, dentro deste período de tempo, algumas variações são consideradas. As fontes usadas para a defesa deste ponto de vista são o livro dos Reis 6,1, o qual data a construção do Templo de Salomão quatrocentos e oitenta anos depois da saída dos hebreus do Egito; as análises das escavações de Jericó e outros sítios, mencionados no relato de Josué sobre a conquista de Canaã e nos relatos da expulsão dos hicsos. Já a última, data o Êxodo no século XIII a.E.C., durante o reinado de Ramsés II. As principais fontes avalizadoras desta datação são: o relato da participação dos hebreus na construção das cidades de Píton e Ramsés, pertencente a Êxodo 1,11; e a famosa estela de Meremptah[18], que narra a queda de Jericó, datada de 1207 a.E.C..

Não possuímos nenhuma fonte sobre a presença de judeus no Egito no período de tempo compreendido entre a libertação da escravidão e a construção da colônia militar de Elefantina. Entretanto, apenas no final do século VII a.E.C. e começo do século VI a.E.C., as comunidades começaram a aparecer, denotando alguma importância.  Isto se deve ao aumento da imigração, ocorrido com a captura de Jerusalém e a destruição do Primeiro Templo pelos babilônios em 587 a.E.C.[19]

Segundo B. Porten (apud MODRZEJEWSKI, 2001, p.23), o incremento da imigração ocorre a partir da metade do século VII a.E.C., quando Manassés, rei da Judéia (697-642 a.E.C.), auxiliou seu aliado egípcio, com o envio de tropas para lutar contra o inimigo assírio. Outros autores concordam que a imigração hebraica começou no reinado de Josias (640-609 a.E.C.), graças à reforma religiosa implantada em 622 a.E.C., tendo por objetivo eliminar o sincretismo da religião dos judaítas promovido por Manasses. Já Tcherikover (1999,p.270) defende este aumento da movimentação populacional judia em direção ao Egito, no período de tempo que precedeu a destruição do reino da Judéia (594-589 a.E.C.), quando as condições de vida da região provavelmente, mudaram para pior levando vários jovens a procurar meios alternativos de subsistência.[21]

A partir do século VI a.E.C. temos evidências da formação de uma colônia militar na ilha de Elefantina, situada na primeira catarata do Nilo, considerada a porta de entrada para Núbia. Era um posto aduaneiro, mas seus guardas serviam tanto para guardar as fronteiras, como força policial para garantir a ordem. Os judeus eram apenas mais um povo dentro da chamada Legião Estrangeira do exército de Psamético II. O primeiro encontro entre helenos e judeus se deu na campanha núbia do dito faraó. Estas evidências aparecem na forma de um conjunto de papiros escritos em aramaico e grego. Os papiros escritos em grego estão entre os mais antigos descobertos no Egito. A Carta também menciona esta imigração e o uso de mercenários judeus antes do domínio dos ptolomeus: “[13] (..) muitos [judeus] tinham vindo para a terra [Egito] junto com os persas, e outros foram enviados como auxiliares para lutar no exército de Psamético contra o rei dos Etíopes; (…)”

 

Figura 5 - Mapa do Reino da Núbia, da linha pontilhada para baixo
Figura 5 – Mapa do Reino da Núbia, da linha pontilhada para baixo

Os papiros mencionados acima atestam também a presença de judeus em Migdal no delta, em Tânis, em Siene e, possivelmente, em outros lugares. Também há evidências de sinagogas em alguns lugares no Alto Egito como em Shedia, Taaude (Crocodilópolis ou Arsinoe, em grego krokodeilon polis ou Ptolemais Euergetes) e Alexandrou-Nesos. A referência a sinagogas indicam comunidades judaicas organizadas. (BEDER, 1996, p.76) Em Abu/Yebu (Elefantina, ou em grego elefas[23]) além de uma guarnição militar possuíam um templo ao deus dos judeus, provavelmente sincretizado com o deus Yahu, conhecido pelos outros povos como a divindade dos céus.  Seus sacerdotes recolhiam o dízimo, faziam sacrifícios e oferendas de acordo com os preceitos bíblicos.

A religião praticada em Abu/Yebu (Elefantina) era diferente da defendida após a reforma de Josias. Era altamente sincrética, sendo tolerante em relação aos outros deuses, fato que, de acordo com o texto bíblico, causou indignação ao profeta Jeremias. O casamento misto era tolerado, a mulher possuía certa autonomia, podendo ter prerrogativa do divórcio e o proselitismo foi incentivado. Com a normatização da religião iniciada por Esdras e Nehemias, houve uma pressão para o enquadramento do Templo de Elefantina, primeiro, através da reforma do calendário religioso e, segundo, pela unificação da religião, processo ocorrido entre os anos de 428-398 a.E.C.[24]

Os mercenários viviam com suas famílias, recebendo lotes para se fixarem na terra, possuíam salário regular e alguns subsídios. A guarnição era predominantemente judaica, possuindo seus próprios líderes que as representavam.

As relações entre a comunidade judaica elefantina e a comunidade nativa não eram pacíficas. Em 410 a.E.C., liderados pelo sacerdote do deus Khnum, os egípcios destruíram, saquearam o Templo e as casas dos judeus. Isto aconteceu graças à tradição de sacrifícios feitos com carneiros, causando indignação nos sacerdotes e nos seguidores do dito deus. Através da pressão feita por suas lideranças sobre as autoridades de Judá e da Pérsia, o Templo foi reconstruído em 406 a.E.C., porém  os sacrifícios foram proibidos, sendo permitido apenas oferendas de produtos agrícolas e incenso.

Com a fundação da XXIX Dinastia (399 a.E.C.) e o aumento do poder dos egípcios nativos, o templo foi novamente destruído bem como a guarnição desmontada.

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NOTAS

[1]              A idéia de comunidades hegemônicas na história judaica é defendida pelo historiador Simon Dubnow, que constrói toda sua periodização baseada na ascensão e queda destes centros. (BONDER & SORJ, 2001, p.7) Algo similar é apresentado por Shaye J. D. Cohen no prefácio do livro de Joseph Mélèze Modrzejewski, The Jews of Egypt from Rameses II to Emperor Hadrian. Ele desenvolve a idéia de Épocas de Ouro, onde a primeira foi a que engloba o Egito Helenístico. São aqueles períodos onde na memória judia, houve uma intensa interação cultural entre os gentios e os judeus, resultando em uma “cultura magnífica e atrativa”. O Judaísmo foi enriquecido com novas idéias e novas formas literárias e artísticas. (MODRZEJEWSKI, 2001, p. xi)

[2]              Trabalhar-se-á nesta dissertação, a Torá e os outros livros do Tanach como conjuntos das tradições orais do povo judeu até sua compilação que, como vimos, ocorreu no período compreendido entre a monarquia e o pós- exílio. E como uma compilação de tradições, tem um alto valor histórico, sempre olhando o contexto em que foram compostos.

[3]              Exemplo desta influência foi quando Cleópatra III (final do século III a. E.C.) aceitou o conselho dos dois comandantes judeus (Helkias e Ananias) de seu exército, para não invadir a Judéia, na época governada por Alexandre Janeu.

[4]              Pode-se citar algumas possíveis causas das várias ondas de imigração: as diversas invasões de povos estrangeiros na região; agitações políticas e religiosas internas; aumento populacional; procura por melhores meios de subsistência através do comércio, do trato com a terra, como mercenários militares e a escravidão com a posterior libertação.

[5]          Há discussões acaloradas sobre que povo semita deu origem ao povo judeu. Como também há discussões sobre os significados das expressões usadas para denominá-lo durante seu desenvolvimento. São usados os termos hebreu (ivri), Israel, habiru, shosu e judeu. Há um grande número de obras a respeito deste debate, pode-se citar as seguintes: A Bíblia não Tinha Razão (2003) de Israel Finkelstein e Neil Asher Silberman; Shasu or Habiru. Who were the Early Israelites?(2008) de Anson Rainey; Introdução Sócio-Literária à Bíblia Hebraica (1988) de Norman K. Gottwald; Para Além da Bíblia (2008) de Mario Liverani. A Text of a Time: The Bible – from myth to history (1995) de David Rohl; História de Israel e dos Povos Vizinhos – dos Primórdios até a formação do Estado (1997) de HERBERT Donner.

[6]              Texto datado do reinado de Tutmósis III menciona o termo apiru (séc. XV a.E.C.). (MODRZEJEWSKI, 2001, p.8)

[7]              A fixação dos hebreus aparece em Gênesis 45, 28-34 e 47, 1-6.

[8]              José é um personagem bíblico que tem sua estória ligada ao Egito, graças a sua venda como escravo, pelos irmãos. Torna-se o escravo do vizir do faraó, onde depois de determinados acontecimentos vai parar na prisão, interpretando sonhos para seus colegas de cela. Sua fama chega aos ouvidos do faraó, que solicita sua ajuda na decifração de seus pesadelos. José interpreta e cai nas graças reais, tornando-se o mais novo vizir. Sua estória encontra-se em Gênesis 37 – 50.

[9]              Como todo relato bíblico, este possui uma forte característica religiosa. Segundo Josué Berlesi (2007, p.18), a narração pertence ao gênero literário da novela, tendo por objetivo ensinar uma lição, ou seja, que para os fiéis a Deus, até mesmo o mal se transforma em bem.

[11]             Evento tradicionalmente conhecido como Êxodo.

[12]             Sendo um dos maiores personagens da história judaica há uma imensa biografia sobre ele. Durante muito tempo pensava-se ser ele o autor de todos os livros da Torá. Foi motivo de estudo em áreas tão diversas quanto teologia, história, antropologia, psicologia, literatura e direito. Podemos conhecer sua vida com detalhes na própria Torá, nos comentários rabínicos, e na produção histórica dos diversos campos de interpretação da História de Israel e dos judeus. Alguns livros interessantes sobre Moisés podem ser citados como The Tables of Law (1943) de Thomas Mann; Moisés e o Monoteísmo (1967) de Sigmund Freud; Moisés, El Egípcio (2003) de Jan Assmann; The Life of Moisés: The Yahwist as Historian in Exodus-Numbers (1994) de John Van Seters;

[13]             Gênesis 12:2 – “Eu farei de você um grande povo, e o abençoarei; tornarei famoso o seu nome, de modo que se torne uma bênção.”

[14]             A estória do nascimento de Moisés e, o de seu resgate em um cesto de vime, aparece também entre os sumérios. O personagem é Sargão, filho ilegítimo de uma sacerdotisa. A narração aparece em um texto neo-assírio do século VII a.E.C.: “Minha mãe foi uma alta sacerdotisa, meu pai eu não conheci. (..) Minha cidade é Azupiranu, que se situa às margens do Eufrates. Minha mãe, alta sacerdotisa, me concebeu, em segredo me pariu. Colocou-me numa cesta de juncos, e selou-o com betúmen. Colocou-me no rio, que se elevou sobre mim, e me carregou a Akki, o carregador de água. Akki, o carregador de água, me aceitou como seu filho e me criou. Akki, o carregador de água, me nomeou como seu jardineiro. Enquanto eu era um jardineiro, Ishtar me concedeu seu amor, e por quatro e […] anos eu exerci o reinado.”(KING, 1907, p.87-96) A maioria das estórias encontradas no Gênesis, como o Dilúvio, a Torre de Babel, dentre outras, também fazem parte das tradições de outros povos da região. Este fato se deve ao grande processo de mistura, de trocas culturais apresentados pelas diversas populações do Levante.

[15]             Kap era a escola do palácio reservada apenas à família real e no Novo Império ela se ampliou também para os filhos dos nobres e reis estrangeiros. (BAKOS, 2000, p. 45)

[16]             Não restou nenhuma obra completa deste historiador, somente extratos usados por Eusébio. Cita-o no livro Relativo aos Judeus. (ROHL, 1995, p.115)

[17]             Região norte do deserto da atual Arábia Saudita.

[18]             Inscrição do faraó Meremptah, relatando a campanha contra os Líbios e outra contra Canaã. Considerada a primeira inscrição onde aparece o nome de “Israel”.

[19]             Um exemplo de comunidades judias no Egito no período relatado aparece em Jeremias 44,1: “Palavra que Javé dirigiu a Jeremias a respeito dos judeus que estavam morando em Migdal, em Tanis, em Mênfis e na região de Patros”

[21]             O processo de imigração é mostrado no Tanach, no livro de Jeremias 41,16-17: “Então Joana, filha de Carea, e todos os comandantes de guarnições que estavam com ele, reuniram todo o resto do povo que Ismael, filho de Natanias, tinha levado como prisioneiro desde Masfa, depois de ser assassinado Godolias, filho de Aicam. Eram homens, guerreiros, mulheres, crianças e eunucos, que foram libertados em Gabaon. [17] Partiram e fizeram uma parada no refúgio de Canaã, perto de Belém, para depois seguirem a caminho do Egito.”

[23]             Na Época Helenística a ilha era responsável pelo controle do comércio de marfim, por isso seu significado de “terra dos elefantes”.

[24]             Podemos ver este movimento em uma carta enviada à Elefantina, conhecida atualmente como Papiro da Páscoa. Escrita em 419/418 a.E.C.

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