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Cães são seres fascinantes, mas por quê? De vez em quando me pego olhando pro Bud e pensando no porquê de gostarmos tanto desses animais. É uma troca de amor tão intensa que não se explica, apenas se sente. O mais interessante é que conheço muita gente que nunca ligou para cachorro mas, por alguma razão, adquiriu um. Normalmente ele pega o cachorro porque a família pede, e no final esse que nunca gostou se apaixona mais do que todos. Eles nos conquistam com uma facilidade absurda.
Na verdade acho a maioria dos animais fascinante, adoro observá- los, gostaria de entendê-los, mas hoje só os vejo na TV. Na última vez que fui ao zoológico não conseguia olhar mais para os elefantes. Havia um que dava um passo pra frente e outro pra trás, típico de um elefante estressado. Ele ficou tanto tempo assim que eu cheguei a chorar e fui embora. Sei que os animais têm um tratamento privilegiado nos zoológicos do mundo, mas mesmo assim são selvagens, alguns ainda preferem a vida na selva, mais perigosa para eles, mas livre como eles deveriam ser. Ok, depois de escrever isso resolvi pesquisar alguns zoológicos pelo mundo. Descobri que são muito bacanas. Em alguns você pode inclusive tocar nos animais, dar mamadeira para os filhotes e curtir um dia inteiro num lugar lindo. Pensando bem, acho que não fui num bom dia. Na verdade acho que os zoológicos ajudam na preservação das espécies, acho que vou dar mais uma chance a eles.
Mas voltando ao Bud, às vezes estou escrevendo e de repente olho para ele, e ele está olhando para mim, deitado na caminha dele. O que será que ele está pensando? Será que ele procura um motivo para me amar? Porque o amor dele por mim é óbvio, lindo e delicioso. Talvez ele me ame sem saber porquê. Aliás, qualquer cachorro ama o dono acima de qualquer coisa.
Talvez ele apenas fique pensando nas nossas diferenças. Como a gente consegue andar só com duas pernas, ou patas, como a gente sobrevive sem pelo para nos proteger da temperatura, por que a gente se dá as mãos quando se encontra e fica conversando. É tão mais fácil cheirar a bunda do outro, nem precisa conversar, o cheiro já diz tudo, quem é, por onde passou, qual a idade.
O que mais me fascina é o mistério mesmo. Eu estou aqui digitando e ele me olhando. Bud, estou escrevendo sobre você mesmo, você sente isso?
Aliás, quem inventou a língua portuguesa não podia ter caprichado mais no nome desse animal? Não sou poliglota, mas sei que em hebraico cachorro se diz Kelev, a palavra vem de Kol Lev, que em português significa Todo Coração. Não é lindo? Em inglês dizemos que Dog Is The Mirror of God, numa tradução ao pé da letra Cachorro É O Espelho de Deus: God/Dog. Por que em português a palavra é mais usada como xingamento?
Na verdade esse capitulo foi apenas um desabafo, uma decepção com a raça humana, uma homenagem a uma tartaruga. Era George, o solitário, último de sua espécie, e morreu ontem, 24/06/2012, nas Ilhas Galápagos. A gente vê espécies em extinção, mas normalmente isso já aconteceu há algum tempo. É estranho para uma pessoa como eu, que ama animais, testemunhar um fato assim. Não gostei dessa sensação, e espero que o ser que se diz humano perceba que, se não cuidar do planeta, até a gente vai entrar em extinção.

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