Morar em São Paulo pode muitas vezes não ser algo muito simples quando se trata de características, digamos, físicas. Nunca nesta vida vi algum morador daqui que não tenha algumas das coisas que citarei durante a crônica.

Um dos exemplos mais clássicos é alergia respiratória. Nesta classificação estão incluídos vários tipos de alergias respiratórias, entre elas sinusite (a minha), bronquite, rinite, tosses, espasmos, gripes-surpresas durante o ano, entre outras.

No meu caso, percebi que ao mesmo que praticamente nasci com sinusite, seja por fatores hereditários (e também por isso que na cidade nunca cessam os casos), seja pela poluição (segundo motivo para infelizmente, as alergias não terem fim), seja pela formação do meu rosto, ou pelo tempo – mais um fator que contribui de forma incessante para os paulistanos sentirem-se sufocados às vezes – como é possível baixar e depois subir uns 10 graus no clima  num mesmo dia? Como é possível fazer chuva, sol, calor e frio em 24 horas? Por fim, como é possível ter as quatro estações num único dia?

Aqui, até o cachorro, o passarinho e o gato espirram durante o dia, em uma crise respiratória. É uma das coisas mais impressionantes que se pode ver e que com certeza, não haveria nem em Paris, na França, nem no Senegal, nem mesmo em outra região brasileira. Quando a pessoa mora ou está em São Paulo, parece ser obrigatório ter próximo de si um lencinho de papel e quase que ficar o dia todo assuando o nariz. Inclusive, este, por ser um assunto tão comum nas redondezas, torna-se até papo de elevador.

– Que tempinho mais estranho, não? Já tive até que fazer estoque de lenço de papel em casa!

– É, verdade, o tempo já está virando mesmo.

Aliás, lenço de papel, é produto compartilhado em diversos locais, como em bibliotecas, recepção de prédios comerciais, shopping centers; assim como o álcool em gel, que virou moda por aqui e até no xerox, eu já vi. Torna-se um símbolo paulistano, na mesma proporção que a máscara para proteger o rosto é usada no Japão. Eu não sou muito dessas crenças de ficar o tempo todo limpando as mãos com álcool em gel, mas curto muito passar pouco antes de me servir, por exemplo, em um restaurante por quilo ou self-service num dia, como sempre, corrido.

A coisa é tão básica e normal por estas bandas, que se compram caixas e mais caixas, com inúmeras promoções dos lencinhos “salvadores” para levar para todos os lugares. Na escola que leciono, eu já aviso logo cedo aos alunos, adolescentes, mesmo que no início do ano, quando mal me conhecem:

– Olha gente, vou assuando o tempo todo; estou com uma gripe/alergia “daquelas”…

Logo sou compreendida (e não tirada sarro, para minha alegria), com comentários do tipo:

– Eu também, professora, estou péssima.

Outro aluno diz:

– Minha mãe pegou o maior resfriado e está de cama, coitada!

Até situações como esta que já vi:

– Professora, posso pegar um lenço?

Obviamente, compreendi o caso e cedi, sem pensar duas vezes.

Para explicar melhor: esta crônica foi inspirada em uma reunião que fui, onde até a secretária do local estava com rinite a ponto de mal conseguir abrir os olhos. Como num papo de elevador, disse a ela que tenho sinusite sempre e trato-me com acupuntura que é uma das poucas coisas que mantém o corpo um pouco melhor, com mais qualidade de vida. Ela agradeceu muito pela dica.

Nestes dias, houve até uma situação inusitada: fui visitar meu sobrinho que acabou de nascer, preocupada em não passar gripe para o neném. Para minha grande estranheza, vi que o neném realmente nasceu forte e minha gripe não seria uma situação de risco, tudo porque o irmão do neném, meu sobrinho mais velho, de três aninhos, contraiu gripe forte da escolinha, passou para a casa inteira (inclui-se a mãe, o pai, a avó – minha mãe), portanto, senti estar em um local confiável, muito seguro, por sinal. Nem me preocupei. Só pensei: “esse neném é dos fortes, mal nasceu, já esteve em contato com o vírus e nem se gripou; próximo passo, para ele, será o grande teste de anticorpos, trazendo-o para conhecer os ‘priminhos cachorros’, com certeza, estará um craque em respiração”.

Mais tarde fui descobrir que mais um membro da família estava com gripe, o avô, meu pai. Seria uma coincidência genética tudo isso?  Como será que tantos membros da família griparam-se juntos? Tudo que sei é que minha família é, e sempre foi muito unida até para compartilhar o nada agradável, vírus da gripe, esta, que talvez não seja a única no ano, mas pode-se dizer uma surpresa ruim e sempre esperada.

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