Você já contemplou a beleza de uma cerejeira em flor?

Caso não, apresse-se. Aproveite cada instante, pois ela não durará muito tempo.

Os samurais, grandes guerreiros japoneses, eram profundos admiradores dessa flor. Elas representavam a efemeridade da existência humana, que estava relacionada com o lema desses combatentes impávidos: viver o presente sem medo.

Cada florada da Sakura, como é chamada a árvore no Japão, é bastante curta, e extremamente exuberante, assim como cada existência nossa aqui na Terra.

Temos chance de fazer muito, de realizar, de construir, de semear e, ainda, de chegar ao final da vida mais frondosos do que chegamos.

A cerejeira floresce sem medo, aproveita a beleza enquanto ela existe. Não se arrepende de todo caminho que a levou até o dia da florada. Não se lamenta de ter que viver tão pouco tempo repleta de cores.

Assim deveríamos ser.

Nosso tempo é o agora. Passado e futuro são tempos em suspenso. Tempos para refletir, analisar, mas não para se viver.

Os rancorosos e melancólicos vivem presos ao passado, por isso não têm vida. Os ansiosos vivem trancafiados no futuro. Da mesma forma não vivem.

O tempo do agora é nosso maior tesouro, pois é o tempo das flores, de aproveitar sua formosidade e aprender com o hoje.

Não falamos de uma vida sem objetivos e projetos, nem de um caminhar que não tenha aprendido com os passos dados, mas de um andar mais leve e corajoso, que sabe que pode errar, que pode mudar de opinião, e que entende isso nos outros também.

Viver o presente sem medo é desafiar-nos constantemente. Sair de nossa zona de conforto, pois dentro dela quase nada acontece.

Haverá um certo incômodo no começo, mas os resultados finais são inimagináveis. Iremos encontrar flores e mais flores em galhos que nem imaginávamos existir.

Isso porque ousamos, mergulhamos, saímos do comum, atrevemo-nos a abrir a mente, a pensar diferente.

Viver o presente sem medo é respeitar o corpo e respeitar a mente. Que tipo de alimento estamos dando a um e a outro? Não somos apenas corpo. Não somos apenas mente.

Viver o presente sem medo é querer ser melhor, porém melhor que si mesmo. Competir com nossos trinta anos, se temos quarenta. Competir com nossos cinquenta, se chegamos aos sessenta.

Melhor coração, melhor amigo, melhor pai, melhor filho, melhor cidadão.

Os samurais davam a vida por sua causa, sem temor algum. Para eles o importante não era apenas viver, mas viver com honra, defendendo o que acreditavam, mesmo que fosse por curto período de tempo.

Dessa forma seriam exuberantes como a cerejeira.

Nossas espadas hoje são outras, nossas causas são distintas, mas a coragem na alma, a impavidez perante as lutas do dia a dia devem ser as mesmas.

* * *

Quando Sócrates, encarcerado, aguardando sua morte, ouviu de seus amigos o plano de fuga que haviam elaborado para que pudessem lhe preservar o que havia de mais importante: sua vida, respondeu serenamente:

O importante não é viver. O importante é bem viver.

E recusou a maneira escusa de escapar, respeitando, com tranquilidade e virtude, a pena que lhe havia sido imputada. Florido como uma Sakura desperta.

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/09/cerejeiras.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/09/cerejeiras-150x150.jpgThais DrukerCONTOS E FÁBULASVocê já contemplou a beleza de uma cerejeira em flor? Caso não, apresse-se. Aproveite cada instante, pois ela não durará muito tempo. Os samurais, grandes guerreiros japoneses, eram profundos admiradores dessa flor. Elas representavam a efemeridade da existência humana, que estava relacionada com o lema desses combatentes impávidos: viver o presente...Comunidade Judaica Paulistana