1- Faça uma breve descrição do seu histórico e experiência de vida.
Nascida de pais judeus, comerciantes, foragidos de guerra. Não conheci minha família paterna, assassinada por motivos de perseguição.
Cresci e estudei até meus 17 anos de idade em bairro de cultura predominantemente católica, confusa entre o que era ser judeu e ser não-judeu. Os preconceitos, à época eram mútuos. Tive uma educação primorosa, tendo recebido de meus pais todas as oportunidades de desenvolver meus dons e minhas artes.
Casei-me com um rapaz que teve uma educação clássica e europeia, também nascido de família judia. Passei a frequentar o Shabat em sua companhia. Minha sogra e sogro faziam questão de ter os filhos – e agregados – à mesa. Gostava de estar lá, mas não gostava do Guefilte Fish muito adocicado. Educada para agradar, porém, eu comia dois pedaços, o que me fazia passar mal após todos os Shabats em que eu lá estava. Era a cultura da época: não desagradar a sogra.
Eu própria busquei saber mais sobre judaismo e sionismo quando meus filhos começaram a estudar em escolas judaicas, Procurei dar-lhes uma educação que meus próprios pais não me deram. Eles só iam à sinagoga por ocasião das Grandes Festas. Essa busca se deu mais especialmente, quando minha primeira filha se preparava para fazer seu Bat Mitzvá. E a partir daí, sempre fui me aprofundando nos conhecimentos da cultura e tradição judaicas.
Passamos a frequentar A Hebraica e lá tive muitas oportunidades de participar mais intimamente das realizações do nosso clube. Fui diretora de Cultura e, depois, do Social. Enquanto isso, também frequentávamos a B’nei Brit. Hoje frequentamos a CIP, onde faço parte do Kavaná, o novo Coral Litúrgico e neste ano vou realizar o meu sonho de cantar nas Grandes Festas, na CIP. Até então, vim cantando e fazendo minhas orações no Coral do HIAE, o último a preservar as melodias entoadas pelo Rabino Solon, procurando preservar a tradição de nossos pais e avós.
Hoje em dia posso dizer que me aprofundei bastante nos estudos da Kaballah e, praticamente utilizo dos ensinamentos de nossos patriarcas em meu consultório de psicoterapia, aqui em São Paulo.
Sou formada há 37 anos em psicologia e dediquei a minha vida profissional à Cultura do Empoderamento dos Aposentados. Criei o método de Preparo para a Aposentadoria e Pós-Carreira, precursor do conceito de Aposentadoria Ativa/Aposentadoria Saudável.
Faço parte integrante da história da Gerontologia Social no Brasil, tendo cursado o primeiro curso de Envelhecimento Social, ministrado aqui em nosso país, em 1979. Foi nesta época que minha ação politica passou a se manifestar muito intensamente, política não partidária, exercida ativamente desde quando o Brasil se abriu para a Democracia. Tenho uma história intimamente ligada ao crescimento de muitas das ações e projetos relacionados à aposentadoria e envelhecimento.
Apresentei minha dissertação de mestrado na USP, pioneira em abordar o envelhecimento Humano e Social numa grande Universidade. Mais tarde também fui pioneira ao pesquisar e conquistar meu grau de Doutora em Ciências Sociais na PUC-SP, abordando temas ainda inéditos, em relação ao Assédio Moral em torno da Aposentadoria.
Por ter sido uma das pioneiras nesta área, tive a oportunidade, também, de ganhar visibilidade em rádios, televisão e publicações, abrindo – junto à Editora Abril, um espaço para falar da ‘Velhice’ e do envelhecimento, na Revista Cláudia, onde permaneci como articulista e colaboradora por 14 anos.
Mais de 300 artigos publicados, nas áreas da psicologia, família, sexo, dinheiro, aposentadoria e envelhecimento, já publiquei 9 livros. E ainda tenho material para mais 4, sempre abrindo frentes e conquistando espaços, treinando pessoas e realizando ações pela conscientização do que significa envelhecer e o que podemos fazer para que esta seja uma longa temporada feliz e com alta qualidade de vida.

2- Qual sua relação com a Comunidade Judaica?
Muito boa. De contínuo estreitamento e aprofundamento nas minhas relações e intervenções, em várias esferas. Do conhecimento, das ciências, das artes e do social. Já fui mais participativa em muitos dos nossos movimentos, como a Wizo, Pioneiras, B’nei Brit, a Hebraica e algumas das nossas escolas, junto à formação de professores. Prossigo, ultimamente, com estudos autodidatas e transito muito bem entre a nossa ortodoxia e a não-ortodoxia. respeitando e sendo muito reconhecida e respeitada por ambos os lados. Tenho muitos amigos de longa data e acompanho de perto as nossas redes.

3- Quais os projetos direcionados à nossa comunidade?
Identificar e nos proteger dos ataques que continuam sendo desfechados contra nós, no espaço público, na política e, mesmo nas redes sociais. Estabelecer pontes de diálogo com as demais comunidades, sempre com foco no acolhimento e, no respeito pela diversidade. Realizar eventos de compartilhamento das culturas, através das artes, da gastronomia e das publicações, abrindo debates e promovendo oportunidades de conhecer e nos deixar conhecer em pé de igualdade e com senso de fraternidade.
Oferecer aos movimentos sociais, apoio e ensejo para promover maiores estudos e divulgação da beleza das nossas tradições e desejo de partilharmos da Cultura do Encontro e da Paz. Seja dentro da nossa própria comunidade, seja entre a nossa comunidade e as demais.
Trazer maior visibilidade em relação as nossas contribuições no âmbito das ciências, das artes e dos encontros multigeracionais.

4- Quais os projetos direcionados à comunidade maior?
Focar em politicas públicas municipais de apoio às famílias com pacientes de Alzheimer, em especial aos familiares cuidadores, além dos próprios doentes. Estender um programa de utilidade pública – como já tenho feito pela internet – de apoio moral e emocional, em torno não só do Alzeheimer como de doenças outras, limitantes e incapacitantes, sempre focado no atendimento e acolhimento às pessoas: os que vivem sós, os que não têm família perto, os que precisam sentir-se mais apoiados pela comunidade maior, através de células de hospitalidade.
Gerar novas forntes de trabalho para aqueles que já estão na casa dos 50 anos e tornar púbico e palpitante que: envelhecimento não é um tema que interessa somente aos mais velhos, mas que significa um consciência de futuro e de mudanças para as quais devemos estar preparados desde já.
>Quero trabalhar por um grande mutirão de alfabetização digital e pelo uso das novas tecnologias. Empreendedorismo e qualificação para o trabalho voluntário, remunerado ou não.
Apoiar as novas propostas de residências compartilhadas, no sentido de recuperar o tecido social esgarçado nas idades mais elevadas.
Qualificar prestadores de serviços no atendimento aos mais velhos e aos idosos, uma vez que em nossa cidade faltam a colaboração espontânea, as pr´ticas de boa vizinhança e de trocas mútuas e necessárias, no combate à solidão e ao isolamento.
Promover trocas intergeracionais e abrir espaços públicos melhor projetados para atender às necessidades dos mais idosos se locomoverem de um ponto a outro no mesmo bairro e entre bairros, com foco especial nos bairros de geografia que dificulta o acesso ao comércio e a serviços necessários, o que poderá ser feito por veículos leves que facilite vencer as dificuldades das pessoas idosas, das pessoas gordas, daqueles que sofreram acidentes, mulheres grávidas e com crianças de colo.
Abrir espaços públicos de atendimento coordenado entre a Delegacia do Idoso, serviços sociais e atendimento às famílias, basicamente através de mediação e de resolucão de conflitos por vias não judiciais.

5- Qual sua posição em relação ao momento atual da política no Brasil e como você acha que afeta a nossa comunidade?Perplexidade e insegurança., que me levam a aprofundar meus estudos sociais e políticos, além de econômicos, sociais e culturais. E me levaram a desejar contribuir com meus conhecimentos e experiência de vida. Estou convencida de que necessitamos realizar amplas reformas, não só nos poderes já constituidos e em nossas instituições, mas de ampliar a nossa consciência sobre a sustentabilidade e a vida social e cultural, a dimensão espiritual do nosso dia a dia, promovendo a Paz e o Encontro das diversidades, riqueza e base de uma vida decente e, planetariamente, em grande parte já ameaçada.
Isso afeta a nossa comunidade da mesma forma como sempre afetou. Se, por um lado exige uma tomada de posição e um estado de alerta contra preconceitos e atos criminosos de perseguição, por outro lado nos abre oportunidades de ouro para oferecer nossos ensinamentos, nossa ética e toda a nossa tradição de cuidar dos mais fracos, dos doentes, das viúvas e preservar a nossa unidade familiar, sempre investindo fundo na formação das nossas crianças e no amparo à velhice.
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Facebook do Candidato: Ana Fraiman

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