1- Faça uma breve descrição do seu histórico e experiência de vida.
Tenho 45 anos, nascida de pai japonês e mãe nissei em Maringá Paraná. Meu pai morreu quando eu tinha 9 anos e nos mudamos para São Paulo (estávamos em Cascavel). Fiz Administração na Fundação Getúlio Vargas e mestrado e especialização em Estratégia empresarial na França. Morei em vários países e falo 6 idiomas, e leio vários alfabetos, inclusive Hebraico. Em 2011 fui para Israel entender minha atração pelo judaísmo e voltei para o Brasil entendendo que o livre arbítrio é poder fazer uma escolha e se comprometer com ela. Comecei o processo de conversão na CIP, terminando em novembro de 2012.

Minha ocupação é Consultora Intercultural, onde falo de como alcançar colaboração, credibilidade e liderança em vários países para brasileiros e estrangeiros. Isso me levou a refletir muito sobre o por que que o Brasil, com tantas vantagens e recursos, não conseguia alcançar uma performance condizente. Não apenas apenas nível de produtividade mas também a nível de cidadania, da qualidade de vida e a qualidade DA vida dos seus habitantes. Escolhi entrar na política para contribuir com a mudança cultural que se faz necessária.

2- Qual sua relação com a Comunidade Judaica?
Minha relação com a comunidade judaica é feita de experiências e construções conjuntas. Participo de estudos da Parasha na CIP,  com rabinos mas também entre membros, como o Neshama e o Shirat Miriam. O Neshama realiza um Shabat dirigido por membros da comunidade e o Shirat Miriam,  além de estudar, promove ações que integram a comunidade como o Café ve Uga  (café com bolo) antes do Cabalat Shabat. Alem disso, sou membro da Comissão de Culto da CIP, e faço plantões nas cerimônias e rituais da comunidade. Participo de um grupo de discussão sobre anti-semitismo, o Eshtamidia, e nos reunimos regularmente na Unibes Cultural.  Mas meu maior voluntariado é sem dúvida a Chevra Kadisha liderada pelo venerável Sérgio Cernea,  onde tenho a oportunidade de realizar grandes mitzvot.

3- Quais os projetos direcionados à nossa comunidade?
Meus projetos não são voltados para uma única comunidade, mas certamente pretendo ser um grande apoio se necessária.  Sou vigilante na busca de justiça social e não posso me calar diante de abusos ou descasos do poder. Mas especialmente, estar sempre presente nas discussões sobre a Cultura judaica, trabalhar para que nossa cultura possa sempre encontrar portas abertas para colaborar com o Brasil, e combater sempre qualquer ato e discriminação.

4- Quais os projetos direcionados à comunidade maior?
Entro na política por um partido que prega valores de liberdades individuais e econômicas. Minha formação também me leva sempre a querer melhorar o gerenciamento de recursos que são tão desperdiçados. Não apenas material, mas de pessoas e do dinheiro público. Queremos trazer uma mudança de processos, exigir transparência das contas públicas. Eu, em particular, quero combater a lógica atual de alocação de recursos do município baseado em gastos passados (nunca podem diminuir ) e a soma zero obrigatoria no fim do ano (nao pode sobrar dinheiro). E uma lógica de Estado que sustenta a economia mas quem sustenta o Estado é o dinheiro do contribuinte.

Tenho também um olhar muito penetrante sobre a educação infantil. Temos de ensinar valores e não ideologias. Precisamos ensinar habilidades que garantem o sucesso: persistência, foco, determinação, curiosidade, resiliência, auto-estima, controle emocional, empatia e capacidade de resposta (response able = responsável ). Como vereadora eu começaria esse processo por criar uma Jornada de cidadania. Mais no meu site www.naomiyamaguchi.com.br

5- Qual sua posição em relação ao momento atual da política no Brasil e como você acha que afeta a nossa comunidade?
Nossa política atual está em um processo de desconstrução muito interessante. Quase trágico  ou cheio de oportunidades. A nós de decidir como ver. Para a comunidade judaica, estamos passando por um momento atual delicado com a polarização da sociedade brasileira entre vítimas e algozes.  Mais uma vez o judeu está em um momento forte e por isso é visto como o algoz. Por outro lado, tivemos a oportunidade de criar o Estado de Israel e alcançar feitos maravilhosos. Somos como a bússola que determina a direção.  A favor ou contra. Sempre terão os que são fortemente a favor e os fortemente contra. Acho que faz parte da história de nunca sermos neutros. Precisamos assumir isso e segurar o rojão.  A Cultura brasileira,  por ser uma Cultura quase que indeterminada em seus posicionamentos, por isso corretamente chamada de oportunista,  sofreu com sua incoerência.  A consciência judaica, trabalhada a nível coletivo, pode sim ajudar muito o Brasil como um todo a refletir e lidar com seu amadurecimento como uma Cultura que se traduz em uma sociedade mais auto-realizada e consciente de si mesma.

Facebook do Candidato: Naomi Greice Yamaguchi

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