JUSTOS-CAPA- WILHELM HOSENFELD - 2

 

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

O capitão nazista Wilhelm Hosenfeld é um Justo entre as Nações.

Nascido em 2 de maio de 1895 em uma família católico-romana em uma cidade próxima de Fulda, Wilhelm Hosenfeled fora fortemente influenciado pela igreja, por ações sociais, obediência à Prússia e pelo patriotismo alemão.

WILHELM-MENINO COLOEm 1939, quando se iniciou a Segunda Guerra Mundial, Wilhelm foi estacionado na Polônia, da metade de setembro até 1945 quando foi capturado pelos soviéticos, permanecendo por lá até a sua morte 7 anos depois no dia 13 de agosto de 1952.

Na Polônia, o primeiro lugar para o qual foi designado foi como responsável para cuidar de um campo de prisioneiros. Mais tarde em julho de 1940, foi enviado para Varsóvia onde ficou até o final da guerra no Wach-Battalion (Batalhão de Guarda) 660 que fazia parte do Wach-Regiment Warschau (Regimento de Guarda de Varsóvia) onde atuou como Oficial de Equipe e Oficial de Esportes do Batalhão.

Mas o que esse oficial tem de diferente dos outros? Bem, Wilhelm fora um membro do Partido Nacional-Socialista (Partido Nazista) desde 1935.

Com o decorrer dos anos e da guerra na Polônia começou a perceber o quão ruim eram as políticas alemãs, especialmente quando se tratava de cidadãos poloneses e judeus.

Wilhelm e outros amigos, grande parte oficiais, sentiram compaixão para com os habitantes poloneses, e envergonhados com os atos de seus compatriotas, ajudavam, sempre que possível, os civis.

WILHELM-PIANISTAWilhelm tornou-se amigo de muitos poloneses e até se esforçou para aprender a sua língua. Participou de comunhões e até mesmo confissões, mesmo que isso fosse proibido para membros do Partido Nazista.

Em todo o tempo em que Hosenfeld ficou em Varsóvia, utilizou a sua posição e sua autoridade para dar abrigo aos poloneses, inclusive para um alemão que estava sendo perseguido pela Gestapo. Arrumava documentos e dava trabalho no estádio esportivo que ele chefiava.

Leon Warm, um prisoneiro judeu, escapou de um trem que estava em direção ao campo de concentração de Treblinka durante as deportações de 1942 em Varsóvia. Ele conseguiu retornar à cidade e pôde sobreviver graças a Hosenfeld que lhe deu emprego no estádio de esportes e lhe providenciou documentos falsos.

WILHELMMas houve outro judeu que ficou mais famoso, um pianista da rádio local que perdera toda sua família e estava conseguindo se esconder dos alemães numa casa abandonada.

Seu nome era Wladyslaw Szpilman. Sozinho, com frio e com fome. foi assim que Hosenfeld achou Szpilman no seu esconderijo, oferecendo ajuda para que saísse de Varsóvia antes de saber que o mesmo era judeu.

Hosenfeld ao perguntar o que ele fazia antes, Szpilman responde que era um pianista, fazendo com que o oficial alemão o levasse até uma sala com um velho piano.

“Quando eu coloquei meus dedos no teclado eles tremeram… meus dedos estavam duros e cobertos com uma espessa camada de sujeira… Eu toquei Noturno de Chopin em dó sustenido menor. Quando terminei, o silêncio parecia ainda mais sombrio e mais sinistro do que antes.” (do livro autobiográfico ‘O Pianista’)

A partir dai, Hosenfeld começou a lhe trazer suprimentos. Trouxe pão, roupas, cobertores e até mesmo lhe entregou o seu quente sobretudo. Até 12 de dezembro de 1944 Hosenfeld esteve ajudando Szpilman. Nesse dia os alemães estavam em retirada tendo em vista o rápido avanço soviético.

WILHELM- CASA“Ele me trouxe mais pão do que antes e um edredom quente. Ele me disse que estava saindo de Varsóvia, e eu nunca deveria perder o ânimo, já que a ofensiva soviética era esperada a qualquer momento.” (do livro autobiográfico ‘O Pianista’).

A história foi publicada na autobiografia escrita por Szpilman, O Pianista, e em 2002 foi lançado o filme com o mesmo nome, dirigido por Roman Polanski e estrelado por Adrien Brody.

Alguns dias depois os soviéticos libertam Varsóvia. Hosenfeld, como oficial alemão, é capturado em janeiro de 1945.

Após 5 anos em cativeiro, é sentenciado a 25 anos de prisão, em 1950. No relatório dos soviéticos constava que Hosenfeld teria maltratado prisioneiros de guerra soviéticos.

Também constava que ele teria trabalhado como espião na Abwher (Serviço de Informação do Exército Alemão).

Pouco antes, em 1946, Wilhelm escreveu uma carta para a sua esposa contando o que havia acontecido. Contava que estava preso, e registrou os nomes de todas as pessoas que ele ajudou para que ela pudesse contatá-los afim de que o ajudassem na comprovação de sua inocência.

WILHELM-filhos-2O pianista Szpilman só ficou sabendo o nome de seu salvador em 1950. Dois anos depois, Hosenfeld morreu no dia 13 de agosto de 1952.

Andrey, filho de Wladyslaw Szpilman, fez vários pedidos para o Yad Vashem afim de que Wilhelm Hosenfeld fosse reconhecido como um “Justos entre as Nações” pelo Estado de Israel.

Isso veio a acontecer em 2007. Em 2011 foi colocada uma placa em sua homenagem na avenida 223 Niepodległości em Varsóvia, local onde ele havia conhecido Szpilman.

Condecorações recebidas por Wilhelm Hosenfeld

– Cruz de ferro de 1914 (1ª Guerra Mundial), 2ª Classe (1917).

– Distintivo preto de feridos.

– Cruz de Mérito de Guerra 2ª Classe com espadas.

– Cruz de honra da 1ª Guerra Mundial (1914/1918).

– Distintivo da SA de Esportes.

– Cruz de Comandante da Ordem da Polônia Libertada (Polônia, outubro de 2007).

– Justo entre as Nações (16 de fevereiro de 2009).

Assista ao trailler do filme O PIANISTA legendado.

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