macacos

O mundo assiste há algumas semanas a escalada da violência na fronteira entre Gaza e Israel e, como consequência, pronunciamentos de líderes e formadores de opinião. Um número não desprezível aponta o dedo para Israel, o culpado por tudo de errado desde 1968 – até então, lembremo-nos, Israel era “o queridinho entre as nações”.

Há coerência nos ataques? É o que pretendo analisar neste curto espaço.

Israel vem sendo demonizado pelos dois extremos do pensamento político – a extrema direita, tradicionalmente anti-semita – e as esquerdas em geral, com mais ênfase na extrema esquerda que se identifica com os Palestinos, apesar destes serem liderados por regime teocrático de direita – uma das muitas “estranhas coerências”.

Racep Erdogan, que domina a Turquia desde 2002, alternando entre Primeiro Ministro e Presidente, deveria receber o Prêmio Nobel da Incoerência. Seu país faz parte da coalizão que matou centenas de milhares na guerra civil Síria. Otimistas falam em 550.000 mortos, outros chegam ao número de 1.600.000 mortos. 5.600.000 foram declarados refugiados (números do governo Sírio) – a ONU fala em 6.130.000. Mas para Erdogan, isto não é genocídio.

Erdogan vem travando sua “guerrinha particular” contra o povo Curdo, tendo matado 88.000 pessoas – mas isto tampouco é genocídio. Mas…

Sim, na revolta em Gaza contra a mudança da Embaixada Americana e consequente tentativa de invasão de Israel, Erdogan acusou Israel de genocídio por causa de 52 mortos nos violentos incidentes fronteiriços – ou seja, um habitante de Gaza vale mais que 1692 Curdos ou 19230 Sírios já que para estes não houve genocídio.

As esquerdas saíram, em diversos países, com manifestações contra a violência Israelense frente aos habitantes de Gaza. Afinal houve 52 mortos e cerca de 2000 feridos, um número impensável. Mas esta mesma esquerda tão humana “se esquece” de sair em manifestações pelos 55.000 mortos em Darfur e 3.200,000 refugiados (dos quais 1.000.000 se deslocaram para a pobre Uganda, empobrecendo ainda mais esta frágil nação Africana). Também não importam os milhões (isto mesmo, milhões) mortos no Iraque, no Chad, no Congo, em Myanmar e Ucraina. O imenso deslocamento humano causado pela invasão de Chipre pelos Turcos também não é problema – afinal a Turquia é uma aliada que sempre condena Israel, então merece a condescendência das esquerdas.

Israel tem área total menor que Alagoas, sua população é inferior à população do Ceará. Frente a isto, o mundo Islâmico é 13500 vezes mais numeroso (1,6 bilhões de pessoas), o território Árabe é 13.960.000 km2, 680 vezes maior que Israel (sem contar países Islâmicos não Árabes).

Perguntemo-nos, com um mínimo de coerência, como reagiríamos caso centenas de milhares de vizinhos violentos tentassem invadir o Brasil, queimar nossas plantações, matar nossos cidadãos, explodir nossos ônibus, trens, shopping centers? Será que a população demandaria um exército inerte e um governo ausente? Ou, ao contrário, se uniria numa imensa corrente para defender nossas fronteiras, nossa soberania, a vida de nossos pais, nossos filhos?

É exatamente esta coerência que falta nas análises tão parciais que vejo na mídia…

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