A cidade de São Paulo, conforme proposta dessa coluna, que é mostrar coisinhas da cidade – tem situações que só acontecem por aqui: chuva, chuva e mais chuva, pernilongos, pernilongos e pernilongos. O que teria uma coisa a ver com outra? Simples, quem está por aqui, percebe claramente que é impossível não se deparar com algum dos dois acima.

Hoje mesmo, passeando com o cachorro (esta, também uma situação completamente comum e corriqueira da cidade), decidi que só o faria porque a chuva que não para há mais de dois dias, tipo o dilúvio de Noé, tinha virado garoa fina, mas possível de dar uma voltinha com o dog.

É fácil notar que a própria cidade e o comércio, em especial, já muitíssimo acostumado com as tendências locais de chuva + garoa começou a criar em cima do tema “chuva”: galochas, capas de chuvas, capas de chuvas com bichinhos e até capas de chuvas PARA bichinhos. É difícil deixá-los sem passear tantos dias, então eles devem estar protegidos, como eu de guarda-chuva, eles de capinha de chuva. Fácil, rápido, indolor e criativo. Ou melhor, NA MODA, na tendência da moda e é isso o que mais importa e o que mais pensa um dog daqui.

Tenho a impressão que os próprios bichinhos têm uma preferência por aquele passeio mais “molhado”, bem para sentir o clima da cidade, que consegue mudar de verão para inverno num mesmo dia. Incrível. O que importa é vê-los feliz e os donos satisfeitos em fazer a caminhada inicial do dia. Particularmente, agora à noite, estou um pouco triste, pois, por problemas à parte, perdi o horário entre a chuva da tarde e da noite e já está novamente chovendo a ponto de o bichinho não conseguir sair, dessa vez, porque a água já está na altura da barriguinha deles (uns 15 ou 20 cm de altura), ficando muito difícil a diversão, a menos que eu vá com clima de piscina para o passeio, de maiô ou algo parecido. Sem esquecer-se de traçar, com certa antecedência, ainda que muito difícil, uma trilha, com as melhores passadas, evitando piorar um passeio tão divertido.

A segunda parte da crônica trata de algo completamente comum entre as muitas pragas da natureza (assim classificado na lei do município mesmo) que tratam como pragas: baratas (ught!), ratos (arght) e PERNILONGOS (sai fora!).  É desproporcional a quantidade que há em São Paulo. Facilmente há 100 ou mais dessas maravilhas para cada morador humano, que já existem em bastante quantidade por aqui. Quem nunca aqui tropeçou à noite em um ratinho (ou ratão) de rua? Ou viu em cima de algum muro? Ou observou em fuga atrás de algum cano?

As b. – me dão aflição só de pronunciar – infelizmente têm o atrevimento de até entrarem em nossas casas, obviamente sem pedir licença, também não sei com qual intenção. Seria fugir dos ratos? Seria abrigarem-se da chuva? Ou simplesmente porque confundiram a porta de uma casa com o cano do esgoto, enfim, o que importa é que traz traumas aos humanos fortíssimos e fazem mal psicologicamente a ponto de virarem cenário de filmes de terror.

Quanto aos pernilongos, esses passíveis de serem mortos, aos montes, com as mãos ou raquetes elétricas – eu mesma, não faço uso deste meio, acho desumano matar o bichinho com um choque, mesmo que ele me pique acredite se quiser – são seres constantes nas paisagens de São Paulo, desagradáveis, interrompendo nosso sono, traumatizantes tanto quanto as b., irritantes. São complicados de lidar, tornando qualquer elevador um inferno.

Seria ainda mais crítica a situação se eu dissesse a vocês que não haveria nenhuma solução urbana e efetiva para acabar com as tais picadas intermináveis… mas, há. Existe uma solução que deixo como dica de visita, bastante curiosa e interessante, que eu mesma não aguentei e fui esta semana: a Praça da Nascente. Está localizada no bairro da Pompéia, e sim, tem uma nascente de um RIO lá, muito interessante. Em parceria entre admiradores da natureza e biólogos, fez-se a nascente entrar em equilíbrio biológico a ponto de os girinos e sapos adultos comerem as larvas e insetos de pernilongos.

Ideia inigualável, incrível, fantástica, barata, ecológica. A nascente tem peixes, plantas gigantes (e não gramas), como na margem de um rio, um lugar bom de ler um livro, conhecer, passear, visitar, nem que seja uma única vez. E o melhor: SEM pernilongos. Encerro por aqui, esta semana, com as fotos da visita, e como foto de capa, um trilhão de girinos comendo pernilongos! A moça da foto é a Andrea Pesek, cuidadora da praça, que abraçou a causa e que eu, praticamente implorei, para transformar pelo menos mais umas cinco nascentes da cidade.

A praça da Nascente fica dentro de uma praça, a Homero da Silva, na Rua André Casado, 429, travessa da avenida Pompeia, sentido Marginal.

PÇA 2 PÇA 3 PÇA 1PÇA 4 PÇA 5  PÇA 7                                                       PÇA 6      PÇA eu e Andrea

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