Em geral, se associa a depressão com tristeza, desanimo, redução do interesse em atividades prazerosas, isolamento social, desesperança e outros. Ou seja, sintomas ligados às emoções e à vitalidade. No entanto, os sintomas cognitivos como o prejuízo da memória também são tão comuns que chegam a afetar cerca de 94% das pessoas que estão deprimidas.

Isso ocorre porque a depressão prejudica o funcionamento de estruturas do cérebro que estão envolvidas tanto na regulação emocional quanto nas funções cognitivas como memória e atenção. Uma destas regiões do cérebro é o hipocampo que chega a ter dimensões reduzidas em casos de depressão crônica.

Este prejuízo cognitivo dificulta muito o cotidiano de trabalho, estudo e interação social das pessoas, gerando grande descontentamento.

Mesmo na comunidade psiquiátrica este não é um tema muito falado e nem muito estudado. Todavia, recentemente, os pesquisadores têm se atentado mais a esta questão e foram realizados alguns estudos com o objetivo de entender melhor a relação entre a depressão e o déficit cognitivo, além da melhor forma de trata-lo.

Ainda falta muito conhecimento nesta área, mas se sabe que os antidepressivos em geral ajudam na cognição. Entretanto, em boa parte dos casos, parcialmente. Um estudo apontou que 44% das pessoas que melhoraram da depressão com os medicamentos antidepressivos ainda se queixam de dificuldades nas funções intelectuais.

Há evidência, porém, de que nem todos os antidepressivos são iguais em relação a isso. Sendo assim, é necessário estar a par de quais as melhores opções para poder fazer a melhor escolha.A duloxetina e a bupropiona, por exemplo, parecem ser melhores do que os antidepressivos inibidores seletivos da receptação da serotonina como a fluoxetinaUm outro remédio que parece ter bom efeito sobre a cognição é a vortioxetina, um novo antidepressivo com pequenas diferenças no mecanismo de ação em relação aos outros. Recentemente, ele foi aprovado pela Anvisa e já está sendo comercializado aqui no Brasil.  

Além disso, é possível usar medicações não antidepressivas como os psicoestimulantes para tentar melhorar o desempenho cognitivo das pessoas que estão sofrendo com estes déficits. Eu tenho obtido bons resultados com esta prática, porém as evidências científicas para ampará-la ainda são escassas. 

Por fim, a reabilitação neurocognitiva também pode ser uma alternativa não farmacológica nestes casos.

Ivan Barenboim

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