1-set-39

Relato de Shmuel Shatz e outros

[Pincás¹ Ludmir – edição e tradução do idish por Moisés Spiguel]

01 de Setembro de 1939

Na manhã de sexta-feira, os moradores de Ludmir foram inundados de notícias a respeito da declaração de guerra da Alemanha à Polônia e dos bombardeios, naquela mesma manhã, de cidades polonesas.

Os primeiros refugiados começaram a chegar no domingo. dia 3, fugindo das cidades próximas ocidentais, onde em pânico pelos bombardeios, abandonaram seus bens. Ouviram-se relatos sobre casas voando pelos ares e cadáveres espalhados pelas ruas enquanto aviões alemães bombardeavam sem interrupção.

09 de Setembro de 1939

No segundo domingo do início da guerra, às 16 horas, Ludmir foi bombardeada. As bombas atingiram a rua Lutzker, matando grande número de judeus.

A partir desse dia, as ruas ficaram vazias e muitos procuraram refúgios nas aldeias próximas. Cavavam-se trincheiras tanto na cidade como nos arredores. A cidade estava cheia de tropas polonesas. As forças alemãs que já se encontravam nos arredores da cidade, receberam ordens para não avançar em obediência ao acordo vigente entre a URSS e a Alemanha.
Durante dois dias a cidade ficou sem governo. Os poloneses desejavam reinstalar um governo polonês em Ludmir e acertar as contas com os “judeus-comunistas”.

Uma delegação partiu escondida para Lutzk, onde os russos já se encontravam, e à noite chegou uma força soviética, que estabeleceu a ordem na cidade. No dia seguinte surgiu um grande contingente de tropas soviéticas que foram avançando cada vez mais até atingir Lublin. Ordens superiores, entretanto, fizeram que recuassem até Ustilug, onde ficou estabelecida a fronteira russa-alemã.

Os russos, voltando da Polônia, levaram junto grande quantidade de judeus que desejavam fugir do avanço alemão. Os russos enviaram esses refugiados para a Sibéria e graças a isso eles sobreviveram à guerra. Muitos voltaram para a Polônia, após a guerra, onde tiveram confirmação de suas famílias assassinadas, seus lares destruídos e seus bens roubados. Após isso, sua única esperança ficou sendo Eretz Israel.

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¹ Pincás (פנקם), é uma obra coletiva de dezenas de autores e escritores de memoriais de  cidades atingidas pelo Holocausto (N.T.)

 

 

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