Quando passei as treze camisas do meu marido, disse a ele:

– Agora vai! Você vai ver como tudo vai mudar.

Percebi que ele ficou preocupado.

Eu disse:

– Não precisa se preocupar, não é nada que você não esteja acostumado.

Imaginei uns vinte projetos profissionais novos só para o mês de março, que tem 31 dias! Massa! O problema nessa história toda era QUANDO seriam usadas? Será que ele não consegue fazer um esforçozinho, passar algumas horas, com um calor de 40° C e pôr em prática a profecia que eu fiz?  Eu estava muito otimista. Aonde alguém disponibilizaria tamanha paciência para passar treze camisas (número da sorte brasileiro) em uma tarde, por uma horinha?

Por outro lado, vivenciei momentos de angústia tentando entender o que ELE entendeu, o que teria sido pensado? As pessoas me conhecem, minha intuição não falha, muito menos em nível profético, se eu disse que virão trocentos projetos novos, virão. Confesso que até estou ansiosa por uma mudança drástica no nosso verão radiante, afinal, quem tem que sair radiante, sou eu, como em uma escola de samba.

Nesse vai e vem de sentimentos, talvez a fantasia, digo, profecia, realize-se apenas em julho, ui. Percebi o que ele havia pensado quando chegou em casa e me instigou:

– O que você sabe que eu não sei?

Bom, sexto sentido feminino nunca falha, fui direto ao ponto:

– Quando você passar a roupa da semana que vem saberá, ou melhor, sentirá o que eu senti.

Ainda sem entender, topou o desafio e eu, senti o gostinho da vitória. Daquela alegria de vir a intuição (profecia) junto com a divisão de tarefas. Claro que num mundo moderno divisão de tarefas são bem vindas e comuns até, ainda mais quando acompanhadas de uma pontinha de feitiço, ou seria pontaria?

Realmente, pensando bem foi um dia inesquecível, ficar uma hora do dia ou até mais passando camisas e mais camisas, parece loucura, mas eu curto. Lavar a louça, não. Passar roupa, sim. Ver toda aquela roupa amassada sair toda passadinha, engomadinha, arrumadinha, é delícia. Parece até TOC, mas dos serviços de casa é o que eu mais curto. O resto demanda esforço físico e mental. Haja…

Agora, a pior parte: será que ele conseguiria vinte projetos num mesmo mês por causa das camisas? Será que devo comprar mais camisas para conseguir também para os outros meses? Ou devo passar muitas e muitas roupas toda semana para perceber outras profecias? Conclusão: independente do número de camisas ou roupas a serem passadas, os argumentos femininos despontam, convencendo e instigando até mesmo uma mudança geral na nação.

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