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Filha de imigrantes judeus poloneses, Dina Kutner nasceu em São Paulo, no dia 28 de agosto de 1939.

Dina Sfat-jovemA mudança de nome ocorreu na década de 60, em homenagem à cidade natal israelense de sua avó materna, Sfat.

Com pouco mais 16 anos, já trabalhava como secretária no curso de Engenharia da Universidade Mackenzie. Foi quando surgiu seu interesse pelas artes cênicas e ela começou a participar do Grupo de Teatro Amador do Centro Acadêmico da universidade.

Estreou nos palcos em 1962 em um pequeno papel no espetáculo Antigone América dirigida por Antonio Abujamra. Daí pulou para o teatro amador e foi parar no Teatro de Arena, onde estreou profissionalmente vivendo a personagem Manuela de Os Fuzis da Senhora Carrar de Bertolt Brecht.

Participou de espetáculos importantes na década de 1960 em São Paulo e conquistou o Prêmio Governador do Estado de melhor atriz por seu desempenho em Arena Conta Zumbi em 1965, um musical de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Foi para o Rio de Janeiro e estreou nos palcos de um teatro na peça O Rei da Cidade.

Em 1966 estréia no cinema em Corpo Ardente do diretor Walter Hugo Khouri e no cinema se consagra em 1969 vivendo a dina sfat7guerrilheira Ci de Macunaíma, filme premiado de Joaquim Pedro de Andrade, ao lado do marido, o ator Paulo José que ela conheceu nos tempos do Teatro de Arena.

Em 1970, começava a sua carreira na Globo.

Na Globo, Dina Sfat viveu personagens inesquecíveis e conquistou a simpatia do público, mesmo quando interpretava vilãs.

O primeiro trabalho na emissora foi na novela Verão Vermelho, de Dias Gomes. Na época, a atriz, grávida de sua primeira filha, a também atriz Bel Kutner, interpretou Adriana que também engravidou durante a trama. Bel Kutner nasceu dois dias depois que a personagem deu à luz na história.

Dina Sfat destacou-se em papéis de enorme carga dramática em telenovelas de autoria de Janete Clair, como Selva de Pedra, Fogo Sobre Terra, O Astro e Eu Prometo, mas também brilhou em outras como Verão Vermelho, Assim na Terra dina sfat4Como no Céu, Gabriela e Os Ossos do Barão.

Em 1982 posou nua para a revista Playboy num ensaio secundário.

Foi casada por 17 anos com Paulo José, com quem teve três filhas: Isabel ou Bel Kutner, Ana Kutner e Clara Kutner. Bel e Ana também seguiram os passos da mãe e são atrizes.

Descobriu o câncer, inicialmente no seio, em 1986, mas não deixou de trabalhar, mesmo em tratamento.

Já com a doença, a atriz recebeu um convite em 1987 do então diretor de jornalismo Armando Nogueira para fazer uma viagem à União Soviética e mostrar de que forma o processo de abertura política – a glasnost – influenciou as manifestações artísticas daquele país.

A experiência da atriz foi ao ar no programa Globo Repórter.

Escreveu um livro, publicado em 1988, um pouco antes da sua morte, sobre sua vida e a luta contra o câncer, chamado Dina Sfat- Palmas prá que te Quero, junto com a jornalista Mara Caballero e fez a novela Bebê a Bordo, seu último trabalho na televisão.

Seu último filme foi O Judeu que só estreou em circuito depois da morte da atriz. Dina Sfat faz o papel da mãe do protagonista, torturada pelo Santo Ofício por dois meses.

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O Judeu é a biografia do comediógrafo brasileiro Antônio José da Silva, “O Judeu”, carioca de nascimento e de selo de Portugal-O Judeuorigem judaica, considerado o mais célebre autor teatral de Portugal do século XVIII, famoso por suas peças satíricas e pela perseguição inquisitorial que sofreu.

Foi preso duas vezes. Na segunda vez em 1737 em Lisboa com a mãe, a tia, o irmão e a sua mulher, Leonor Maria de Carvalho, que se encontrava grávida. Foi morto no dia 19 de outubro de 1739 na fogueira às mãos da Inquisição.

Em 2007 a Funarte e o Instituto da Cooperação e da Língua Portuguesa instituíram o Prêmio Luso-Brasileiro de estímulo a dramaturgia António José da Silva.  Em 2010 Portugal dedicou-lhe um selo a que reproduz uma cena da peça “Guerras do Alecrim e da Manjerona”, sob o título “António José da Silva – O Judeu”.

No filme, Antônio José da Silva (Felipe Pinheiro), após o seu julgamento e de sua família pelo Tribunal do Santo Ofício, em Lisboa, torna-se estudante da prestigiada Universidade de Coimbra, se casa com uma cristã-nova, Leonor Maria de Carvalho (Cristina Aché), e cada vez mais faz sucesso com suas comédias. Só que sua prima Brites Eugénia (Fernanda Torres) os denúncia de heresia para as autoridades do Santo Ofício.

Dina Sfat-adeusEste filme foi iniciado em 1987 e concluído somente em 1996. Nesse tempo, sete atores morreram, entre eles, Felipe Pinheiro e Dina Sfat.

O filme recebeu os prêmios de Melhor Filme, Direção de Arte (Adrian Cooper) e Ator Coadjuvante (José Lewgoy) no XXVIII Festival de Brasília, em 1995.

Dina recebeu o Troféu Imprensa de Melhor Atriz e o Troféu APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte – Melhor Atriz de Televisão,

Dina Sfat morreu aos 49 anos, vítima do câncer de mama contra o qual já lutava havia anos. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Israelita do Caju.

Dina foi uma grande atriz que nos encantou com suas atuações nos palcos e na tela, como também ganhou respeito pela sua ativa participação na vida cultural e política do país. Nos anos de chumbo Dina Sfat  lutou contra a ditadura e pela liberdade de imprensa.

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