Não sei se já falei que uma das coisas que mais me chocou quando mudei para cá foi o silêncio. Pois é… Mudar das cercanias da Avenida Paulista para o meio do nada foi difícil. Difícil? Enlouquecedor… Nenhum alarme de carro disparando, nenhum grupinho de gente folgada saindo de bares gritando e rindo nas altas horas da madrugada, nenhuma sirene… Nada. Não, ”nada” também não é verdade. Havia uns ruídos estranhos, corujas, cachorros (ou pelo menos eu acreditava e esperava que fossem cachorros), e sapos, muitos sapos… Ou talvez fossem duendes com problema de digestão, sei lá, não entendo nem de uma coisa nem da outra.  Enfim, vá dormir com um “silêncio” desses! Difícil… Eu, por exemplo, acabava adormecendo só quando o sol surgia e a vida despertava com sons um pouco mais familiares.

Pois é… 6 horas da manhã de um domingo, num daqueles domingos preguiçosos em que até o galo espera um pouco mais para cantar… Foi nesse horário em que decidi largar o livro e finalmente dormir, com um raiozinho de sol já começando a aquecer o quarto. Delícia de soninho preguiçoso! Se eu acreditasse em viagens extracorpóreas, diria que era visível um leve sorriso em meu rosto, enquanto me entregava ao mais bem vindo sono. Sono dos justos, sono gostoso, sono reparador, sono que merece palmas… Palmas? Ok, eu tenho dificuldade para dormir às vezes, é verdade, mas, palmas? Palmas não são barulhentas? Por que eu bateria palmas para o meu sono?  Será que estou sonhando? Sonhando que estou batendo palmas? Que sonho mais estúpido! Ei! Se estou “julgando” a qualidade do meu sonho, então provavelmente não estou sonhando… Droga. Nunca ouvi falar nisso… Sonhar que se está batendo palmas para o próprio sono e acordar com o barulho. E se eu abrisse um dos olhos, rapidinho, só o suficiente para acabar com a “ovação” e tentar dormir de novo? Pode dar certo… Qual dos olhos? Puxa vida… Agora já era… Abri os dois. Olhei em volta na penumbra quieta do meu quarto. Silêncio. Estarei ouvindo murmúrios? De quem? Dos gatos? Nah…

Respiro fundo e fecho os olhos. Vou tentar de novo, só mais algumas horinhas… Inspiro, vou soltar o ar, devagar… Palmas… Gatos não batem palmas. Terei adormecido e retomado o sonho de onde parei? Será que agora reclamo das coisas até dormindo? Que coisa insuportável!… Onde é que estou? Ah sim, na chácara. Verdade! Não estou mais no apartamento… Palmas são normais por esses lados… Ai, ai, ai… Uma visita! E provavelmente humana! Ok…  Domingo? Abri novamente os dois olhos, um deles já começando a lacrimejar em honra ao sono perdido… Olho no relógio. 8:10! Amigo meu não é… Nenhum tem tão pouco amor à vida…

Mais palmas, e dessa vez “coletivas” e insistentes… Sem o tempinho de espera… Já sei. Ficaram sabendo que a gente levou o caseiro do vizinho com o filho para o hospital, de madrugada, semana passada… Deve ser uma emergência e mais alguém precisa de carona. E eu, egoísta, reclamando porque me acordaram…

Abro a janela. Espero automaticamente alguns segundos para ver se não derreto à luz do sol e meio cega pela claridade, grito um “Já vou”, que no meu idioma quer dizer: Tente manter sei lá quem for vivo até que eu ache um moletom para jogar em cima da camisola velha. Na pressa, não acho necessário me prender às convenções, ou à etiqueta, ou ao mínimo senso estético ou de higiene… Calcei o primeiro chinelo que encontrei, daqueles que no meu tempo eram os que não soltavam a tira e não tinham cheiro, mas que hoje são praticamente símbolo de status.

Detalhe, estava meio friozinho, eu estava de meia… Meia, chinelo de dedo… Pentear o cabelo? Em uma emergência? Tem que ser muito fútil para perder tempo com isso. Pele branca… Pele branca eu tinha antes de vir pra cá… Depois de trocar o dia pela noite, sou praticamente transparente, exceto pelo lindo tom arroxeado ao redor dos olhos, cicatrizes da minha guerra contra a insônia…  Assim “fofa”, comecei minha caminhada rumo ao portão, caminhada a passos largos, só atrapalhados porque um dos meus gatos ficava se enroscando nas minhas pernas. Para ir mais rápido, peguei-o no colo e fui indo até o portão…

Eram cinco pessoas, os homens de terno, as mulheres de roupa de festa… Coitados, pensei, neste calor escaldante… Estariam vindo de um casamento ou de um enterro?… Tem uma capela aqui perto, em algum lugar, ouvi falar… Estão todos em pé… Nenhum precisando ser amparado nem nada… Estranho… Não estou vendo carro… Coitados, deviam estar no caminho para algum lugar e o carro quebrou… Nossa… São uns 10 quilômetros até o ponto de ônibus mais próximo… Vou ter que fazer duas viagens. Paciência… Se eu posso ajudar…

Tudo isso eu pensei enquanto sentia meu rosto aquecer pelo esforço e pelo sol, batendo diretamente nele. Verdade seja dita, da casa até o portão é uma subidinha razoável, ainda mais quando estamos cansados e carregando um gato gordo nos braços. Para evitar arranhões, seguro o felino em um dos braços e o acaricio com o outro. Pela calma dos visitantes já adivinho que não se trata de uma emergência médica. Pois é… Talvez eu devesse ter feito meia volta assim que constatei isso, mas não… Queria fazer uns pontinhos para o meu carma… Fui até o final…

“Bom dia”, diz um jovem praticamente derretendo dentro do terno. A mulher ao seu lado olha para mim e dá dois passos para trás, puxando consigo a outra moça do grupo. O gato, curioso, vira seus olhos penetrantes em direção ao meu interlocutor e sopra. Mal educado. Faço “chiu” e cochicho no ouvido dele bem baixinho “não me envergonhe ou faço tamborim!” – Brincadeirinha interna…

Olho, meio curiosa, para a moça que se afastou e digo: Não precisa ter medo! ELE não faz nada. Não tinha a intenção de salientar o “ele”, mas justamente nesse instante o gato se mexeu e eu quase o derrubei…

Bom dia! Respondo finalmente, achando estranha essa calma toda, mas pensando, satisfeita, no quanto o povo do interior é mais gentil que o pessoal da cidade. Se fosse em São Paulo com certeza alguém já estaria gritando ou chorando…  Arrisco um “pois não”, já calculando se o que restou de gasolina no carro dá para ir até o hospital ou ao mecânico direto… Ainda estava fazendo as contas quando o rapaz me diz: “Você já falou com Jesus?”

Como? Com quem? Pergunto, confusa.

A senhora já falou com Jesus? Ele repete…

Droga, aposto que meu marido mandou mais um candidato a caseiro vir conversar com a gente domingo de manhã! Pensei…

Acho que o senhor quer falar com o meu marido, né? Pergunto, já achando o tal do Jesus estranho. Quem é que marca de se encontrar com a família numa entrevista de emprego sem nem ao menos saber se ia ser contratado? Pior, marca com a família antes da entrevista!!! Acho que não quero esse Jesus morando aqui… Pensei.

O homem olha para mim… As duas mulheres dão mais um passo para trás. “Sim” diz ele, “Terei prazer em conversar com seu marido depois, mas e a senhora? Falou com Jesus?”

Começando a ficar irritada com meu marido que estava confortavelmente dormindo, falei, meio sem paciência: “Desculpe, mas é meu marido que lida com essas coisas…”

“Essas coisas?” O homem repetiu, parecendo meio chocado.

A que horas ele tinha marcado com vocês? Insisto.

Como? Diz o rapaz.

A que horas o Jesus marcou com você?

Como? Repete ele, agora olhando para as duas mulheres que pareciam assustadas.

Até os outros rapazes, até então meros expectadores, lançaram o que interpretei como olhares confusos para o companheiro.

Repito a pergunta: Vocês marcaram com o Jesus aqui?

“Jesus mora aqui!” Diz o homem, com uma cara estranha.

Ah não, pensei, meu marido contratou o homem sem nem falar comigo! Eu o mato!  Perdi as estribeiras… Não só o cara tinha sido contratado, como ainda ia dar uma festinha de “inauguração” na minha casa? E eu ainda tinha que acordar para receber os convidados dele? Era o fim da picada! Perdi a paciência e olhei meio enraivecida para essa turma folgada…  “Desculpa, mas o Jesus te disse que morava aqui?” O gato sente minha irritação e, solidário, dá mais um “sopro” de indignação para as pessoas, parecendo olhar de um para o outro. Começo a acaricia-lo com mais vigor… Meu lindo “pantera” protetor!

“Não mora?” Responde o rapaz, agora dando ele mesmo mais espaço entre nós… Devia ter parado para escovar os dentes antes, pensei, constrangida…

Ah! Que confusão, pensei… Eles se confundiram! E eu já pensando em esganar meu marido! Coitado…

Olha, eu disse, dando um beijinho no meu gato preto, só para acalmá-lo. “O senhor deve estar confundindo. O senhor por acaso procurou na chácara do lado? Tem muitas pessoas lá”…

Vamos lá depois senhora. Mas vamos ajuda-la a encontra-lo também.

Aí já era demais… Esse pessoal devia estar voltando da festa e não indo. Só podiam estar bêbados ou coisa pior. Onde já se viu? Ajudar-me a encontrar o amigo deles!

Desculpa, digo, tentando manter o mínimo de civilidade. “Nem conheço o Jesus”.

Mas Ele te conhece! Responde o rapaz com um sorriso idiota na cara. De repente um outro rapaz se junta a ele e entrega uma coisa preta que o sol não me deixa ver o que é.

Ainda estava tentando lembrar quem era esse tal Jesus e de onde ele poderia me conhecer, quando vejo que os dois estão apontando aquela coisa preta para mim… Pronto, pensei, virei minha vida de cabeça para baixo atrás de sossego só para ser assaltada no meio do mato! Pelo menos os bandidos por aqui se arrumam para o “trabalho”. Uma nuvem veio cobrir o sol e eu finalmente pude ver… Não era revolveres o que eles tinham na mão…  Eram bíblias! Sem mais nem menos começaram a entoar hinos… Chamando Jesus! E não era um Jesus… Era “O” Jesus…

Comecei a rir sozinha da história toda… Soltei o gato, que ou porque se assustou com o barulho, ou porque achou que eu fosse leva-lo ao veterinário (por aqui todo mundo é meio desconfiado quando o outro parece muito bonzinho, sabe?) correu em disparada. Diante da minha reação, as duas mulheres deram mais um passo para trás. Mais um e cairiam na vala atrás delas. Olhei para elas subitamente séria e disse “cuidado! Vocês vão cair”. Uma olhou para a outra e se deram as mãos, olhando para mim verdadeiramente assustadas. Também não era para tanto, pensei, era uma vala, não um precipício… Eu hein…

Então reparei no quinto elemento da turma. Um garoto. Era o único que parecia estar se divertindo com a minha confusão. Gostei dele. Conclui que uma das mulheres devia ser parente dele, porque foi só eu sorrir na direção do garoto e pronto, ela saiu de onde estava e abraçou o menino. Como se eu o estivesse ameaçando de alguma coisa…

Foi aí que me dei conta… Eram testemunhas de Jeová, ou coisa parecida… Estavam ali para propagar a palavra de Jesus. Meio divertida com meu engano, meio zangada por terem me acordado domingo tão cedo, em nome da política da boa vizinhança decidi ser educada. Firme, mas educada.

Com licença! Interrompi. Desculpem a minha confusão! É muito cedo pra mim… Pensei que o senhor estava falando de um caseiro chamado Jesus…

O rapazote virou para o lado para que ninguém o visse rindo. Gostei mesmo dele. As mulheres pareceram um pouco mais aliviadas. Só os dois cuja cantilena eu interrompi pareciam meio contrariados.

Ah! Responderam… Então a senhora pode cantar com a gente?

Você dá a mão… Pensei… Chega… Bom… Dormir já era… Mas não tinha a menor intenção de brincar de Karaokê no portão, debaixo daquele sol…

Desculpe. Não sei a letra…  Vocês vão sempre de casa em casa, aos domingos?

Sim, com a benção do Senhor.

Mesmo com esse sol? Querem um copo de água?

O menino tentou dizer “sim”, mas foi sufocado pela mãe que gritou “não”, como se eu tivesse oferecido a água em troca da alma dele ou coisa assim… Agora eu estava entendendo… Minha cara pálida, as olheiras, o cabelo longo desarrumado, o gato preto no colo, o olhar penetrante, as palavras blasfemas… Eu era uma Bruxa! Ou, no mínimo, uma enviada da “concorrência”!! Nada lisonjeiro, diga-se de passagem. Resolvi me vingar…  E o que se seguiu foi um dialogo surreal, principalmente para um horário em que normalmente estaria dormindo…

Qual deles? Perguntei, fingindo não ter reparado no lance da água…

Qual deles o que?

Qual Senhor?

Só existe um.

Mesmo? Só um?

Deus é único, Deus é pai…

Ué, mas vocês não vieram aqui atrás de Jesus?

Sim!

É ele o pai?

Não, ele é o filho…

Ah, sei. É um, mas são dois, um o senhor perdeu… Entendi… O senhor então veio procurar o filho? Aqui?

Hein?

Desculpe… É que eu me confundi. O senhor perguntou por Jesus…

Isso.

Mas veio procurar o pai?

Não vim procurar.

Ué? Mas o senhor bateu palmas e quando vim atender, o senhor perguntou por Jesus…

Sim, mas…

O senhor me acordou… Domingo, cedo…

Desculpe.

Desculpar o que?

Se te acordamos.

Não foi sem querer, foi?

Como?

Vocês ficaram uns bons 15 minutos batendo palmas…

É que a senhora não atendeu.

Porque estava dormindo.

Por isso esperamos.

Esperaram o que?

A senhora vir atender.

Eu não vinha atender.

Como?

Eu estava dormindo!

Eu sei, senhora…

Então você sabia?

Como?

Você sabia que eu estava dormindo?

Imaginei…

E mesmo assim bateu palmas, até que eu acordasse e viesse aqui…

Sim, mas…

Então o senhor não está sendo sincero quando pede desculpas por ter me acordado, né?

Bom, já vi que a senhora está ocupada…

Não, não estou mesmo. Eu estava dormindo, agora, graças ao senhor, não estou mais. Então vamos continuar a conversa…  Onde foi que paramos? Ah sim… O Senhor é único, mas o senhor veio aqui me perguntar do filho, não do pai…

A senhora falou com Jesus hoje?

Eu?

Sim!

Eu não. O senhor falou?

Sempre.

Ele está aqui, agora?

Sim! Ele está em toda parte.

Em toda parte?

Sim!

Mesmo quando a gente está dormindo?

Ah, já entendi que a senhora está irritada…

Eu? Imagina… O senhor é que parece meio confuso… O senhor fala com Jesus com frequência?

Claro!

E ele responde?

Não estou entendendo aonde a senhora quer chegar…

(Atenção para o garoto que estava afastado, de costas, dando risada! Adorei esse menino!)

É simples, estou curiosa. Jesus, quando fala com o senhor, faz exigências, dá conselho?

Como assim?

Apenas fiquei preocupada… Se Jesus mandar o senhor fazer alguma coisa, o senhor fala com alguém antes, tá? Não saia por aí fazendo não, tá? Como o senhor sabe que é Jesus falando com o senhor? Melhor ter certeza de que não é alguém do  “outro lado”…  Falei, sem esquecer de dar uma piscadinha cúmplice para as duas mulheres…

Ele não era tão simplório como queria me fazer crer a princípio.,. E não tinha o mínimo senso de humor…  E também não era assim tão “puro de alma”, pelo olhar que me lançou… Menos mal que não verbalizou…

Disse apenas “A senhora desculpe se incomodamos, já vamos indo. Obrigado. Tenha um bom dia e fique com Deus”.

Incomodar? Imagine! Fiz a minha cara de cobra do Mogli e respondi: Eu que peço desculpas por ter dormido até tão tarde… Na verdade, adoro acordar cedo e sair correndo no sol para falar com pessoas que nunca vi na vida e que querem me impor sua religião! Nós devíamos repetir mais vezes! O que o senhor vai fazer sábado?

Nós guardamos o sábado!

A não, meu senhor, NÓS é que guardamos o sábado, mas não saímos por aí enchendo as pessoas com isso…

Hein?

Parei e pensei… O que eu tenho a ganhar falando da minha religião para eles? Aliás, essa conversa deixou de ser divertida mais ou menos no instante em que se iniciou… Resolvi tentar outra abordagem…

“Nós guardamos o sábado para encontrar com as pessoas, sair e nos divertir e tiramos o domingo para dormir, quando deixam.”

Depois de um suspiro ele tenta de novo: “E a senhora falou com Deus hoje?”

“Olha, eu falo com Ele todos os dias, mas em geral quando estou acordada e é sempre uma conversa meio particular, sabe? Não acho que Ele gostaria que eu discutisse a nossa relação com estranhos”.

“Já entendi e estamos indo embora, muito obrigado”.

“De nada”.

Tão legal quando alguém não pode te mandar para lugar nenhum sem jogar praga, né? O menino ainda virou para trás e me mandou um “tchau”! Pena que não foi possível estabelecer uma amizade duradoura com ele… Eles nunca mais apareceram por aqui… Bom, pelo menos nunca mais falaram comigo, porque às vezes eu os vejo passando, mas sempre tomam o cuidado de passar silenciosamente e rente à vala, quando estão próximos da minha chácara. Nunca mais bateram palmas ou fizeram barulho. Pelo sim pelo não, o “pantera” já se acostumou… É só baterem palmas que ele pula para o meu colo, para “passear”…

Outro dia, no cabeleireiro, ouvi uma mulher falando da “bruxa dos gatos” que mora no meu bairro… Fiquei curiosa, um dia ainda vou perguntar onde ela mora…

 

Carla é escritora, cuidadora de animais e mora numa chácara afastada das tentações da cidade grande. Tudo isso a revelia, porque se pudesse, gastaria seu tempo e dinheiro comprando livros, assistindo todas as peças, musicais, filmes e shows.

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