EZRA LE TORA

O dia 9 de Tevet, ( 7 de janeiro de 2017), é marcado pelo falecimento de dois grandes Pilares dos Povo de Israel após o Exílio de Bavel (Babilônia) nos anos 607 a 537 AEC.

No ano de 3408, a construção do Segundo Beth Hamikdash em Jerusalém estava em curso, desde quando Cirus I, Imperador Persa que conquistou a Babilônia e permitiu que o Povo de Israel voltasse para Terra Santa e reconstruísse o Templo. Jerusalém tornou-se novamente o centro da vida judaica. Mas a era dos Neviim (Profetas) estava prestes a terminar. Hagai HaNavi A”H (Ageu), Zechária HaNavi A”H (Zacarias) e Malachi HaNavi A”H (Malaquias) , os últimos dos profetas acabaram de falecer. Não havia mais Profetas depois deles, embora nunca deixou de aparecer homens de sabedoria e visão em Israel que eram líderes e sábios, e inspirou seus irmãos com o espírito da Torá e dos profetas.

No ano da Criação 3413 (348 AEC) homens Tzadikim, que recusaram-se à permanecer inertes ao verem a situação triste em que o Povo de Israel se encontrara depois de terem perdido sua soberania, seu Reino, sua amada Terra, sua amada Cidade e seu Templo…setenta anos sob domínio de um Imperador déspota numa terra idólatra e hostil.

Eles com seus esforços espirituais, financeiros e físicos, reergueram a Nação Judaica, restabelecendo-os na Terra de Israel de forma concreta, fato que os tornaram os ”pais” e modelo do Sionismo moderno.Reconstruíram as muralhas de Jerusalém, que até então estavam arruinadas e reergueram o Templo Sagrado no Seu devido lugar, mas este Segundo Templo era simples, sem adornos, nem se comparava ao Primeiro Templo, construído por Shelomo HaMelech 500 anos antes.

Também revitalizaram e enraizaram a Lei da Torá nos corações de cada Judeu e também deixaram assim um legado eterno  ao Povo Judeu.

Falaremos hoje dos Santos e Justos EZRA BEN SERAIÁ, HA SOFER A”H E NECHEMIÁ  BEN CHACHALIÁ A”H, ou em português Esdras o Escriba e Neemias.

Ezra, o Escriba,  era  Cohen (descendente da família sacerdotal de Aharon).  Nasceu já em Bavel, no início do Exílio, setenta anos antes. Viveu entre os estudiosos da Torá que haviam fixado suas academias na cidade de Bavel.

Ezra HaSofer não era um simples Cohen nascido no Exílio, ele alcançou com sua sabedoria, humildade e amor ao seu povo, o cargo mais alto que um Judeu poderia alcançar na corte real: com sua habilidade no ofício de ”Sofrut” ( arte de Escriba), ele foi designado como ”Sofer” (Escriba real), já acostumado desde jovem em escrrever pergaminhos de Torá, Tefilin e Mezuzot, seu trabalho era relativamente fácil na corte real de Artachshashtá (Artaxerxes I).

  O Talmud nos diz que se a Torá não teria sido dada por meio de Moisés teria sido dada através de Ezra, tal era a Humildade, devoção e santidade dele pela Torá! (San’hedrin 21b).

Toda história dele e de seu colaborador, Nehemiá, estão relatados  no livros que fazem parte dos ”Ketuvim” ( Escritos) do Tanach, que levam seus nomes: Sefer Ezra-Nehemiá ( Esdras e Neemias).

De acordo com o tratado do Talmud ( San’hedrin 93b), todo o livro de Ezra foi escrito não por ele, mas por Nehemiá. Porque então o livro não contém somente o nome de Nehemiá, já que ele é o autor ?

A Guemará mesmo responde: ” Por que (Nehemiá) evocou seus próprios méritos, dizendo: ‘Recorda-te de mim, ó D’us, para o bem, por tudo que fiz por Teu Povo.’ (Nehemiá 5,19) Rabi Yossef disse: ‘Por uma recordação das benfeitorias dos que o precederam (ibid vers 15) que incluía Daniel, sendo este maior que Nehemiá.’

Por esta ”falha” ( de se gabar de seus feitos) Nehemiá o Profeta foi punido com a retirada de seu nome como autor dos livros que encerram a seção dos Ketuvim do Tanach.

No Tanach, os livros de Ezra e Nehemiá são emendados devido esta sentença. Já nas traduções do Tanach, seja a grega  Septuaginta ou latina Vulgata, elas dividem em dois livros: Esdras separado de Neemias.

 

A AVENTURA DO RETORNO PARA TERRA DE ISRAEL:

 

O livro de Ezra-Nehemiá nos relata sobre o retorno de muitos Judeus do Exílio da Bavel, a reconstrução do Templo Sagrado e dos muitos problemas enfrentados pelos pobres Judeus na Terra de Israel. De muitas centenas de milhares de judeus que estavam em Bavel e países vizinhos, muitos poucos ( numericamente falando) escutaram e atenderam ao chamado de ZERUBAVEL A”H doze anos antes, para regressarem a  Terra de Israel!

Abaixo na figura, podemos ver como foi o período entre a volta do Exílio de Bavel e a reconstrução do Templo Sagrado de Jerusalém, relatados no livro de Ezra-Nehemia:Ezra_Nehemiah

Ezra não veio com o grupo original de retornados que acompanharam Zerubavel quando o decreto de Ciro foi anunciado pela primeira vez que os judeus poderiam retornar à sua terra e construir seu Templo (Esdras 1: 1-3). Ezra ficou para trás para não competir, mesmo involuntariamente, com Yehoshua ben Tzadok A”H para o cargo de ‘‘Cohen Gadol” Sumo Sacerdote, tamanha era a humildade dele.

Como o discípulo principal de Baruch Ben Neriá A”H (que tinha sido o principal discípulo do Profeta Yerimiahu A”H), ele permaneceu ao lado de seu grande mestre na Babilônia até o seu falecimento, diz o Talmud (Meguilá 16b).

Um grande e seguro futuro estava diante dele na sua terra de exílio, mas o coração de Ezra estava com seus irmãos em Jerusalém. Não foi tarefa fácil para um homem tão proeminente deixar a Babilônia para fazer sua casa na Terra de Israel. Mas eventualmente o rei Artachshashta cumpriu o sonho acarinhado de Ezra.

Ele não só permitia que ele voltasse para sua pátria, mas até mesmo ordenou a seus representantes e governadores em todos os lugares para ajudar Ezra em seu caminho, e acelerar sua viagem. O rei persa designou Ezra como um oficial de alto escalão na Terra de Israel, com poderes para nomear juízes e oficiais da lei, levantar multas, impor banimento e até mesmo impor a pena de morte, se necessário.

Ezra deixou Bavel na primavera, no início do mês de Nissan, com o coração cheio de emoção e expectativa alegre. Ele levou consigo uma grande quantidade de ouro e prata para o Beth Hamikdash. A viagem durou quase seis meses, pois Ezra não chegou a Jerusalém antes do mês de Ab, no final do verão.

Ezra foi acompanhado por 40 mil de patriotas entusiasmados que abandonaram o conforto de sua vida no exílio para começar a vida novamente em sua própria terra, pronto para enfrentar quaisquer perigos e incertezas que os esperavam lá.

Ezra rasgou suas roupas e entristeceu-se, mas não cedeu ao desespero. Ele reuniu em torno dele os poucos sacerdotes fiéis e levitas, alguns professores e patriotas entre os seus irmãos, em uma tentativa de restaurar a vida judaica na Terra Santa. Uma nuvem pesada pendia na montagem, pois o quadro parecia sombrio e sombrio. Os corações dos reunidos estavam cheios de ansiedade e tristeza, e seus olhos estavam cheios de lágrimas.

Ao chegar à Terra de Israel, Ezra ficou chocado e triste por descobrir que os padrões espirituais de seus irmãos haviam se tornado perigosos. Eles haviam caído sob a influência dos poderosos samaritanos e outras tribos nativas, haviam casado com eles livremente, e uma jovem geração estava crescendo, que não tinha conhecimento da grande herança espiritual de Israel. As crianças nem sequer sabiam sua própria língua hebraica.

Ezra também viu que todas as lojas de propriedade judaica em Jerusalém estavam abertas no Shabat, que era o dia de mercado. Os não-judeus das cidades vizinhas e aldeias vinham a Jerusalém no Shabat para fazer compras. Os proprietários de lojas judaicas disseram a Ezra que tinham encontrado falhas legais na lei judaica por fazê-lo.

De repente, um homem levantou-se e gritou:

” Temos cometido um crime contra o Eterno ne contra o nosso povo ao se casar com mulheres não-judias, mas estamos prontos para separamos delas e manda-las para suas terras com seus filhos. Levanta-te Ezra! Invoca o povo para que rejeite as suas estranhas esposas, seja forte, firme e destemido! “

O nome desse homem era Shechenia ben Yechiel A”H, e suas palavras estimularam Ezra à ação imediata. Ele convocou uma grande assembléia em Jerusalém e proclamou uma ordem pedindo que seus irmãos se separassem de suas esposas não-judias. Uma onda de Teshuvá  (Arrependimento e volta a D’us) varreu a pequena comunidade judaica na Terra Santa. A liderança de Ezra começou a mostrar resultados reais e de longo alcance.

Mesmo assim, a nova comunidade Judaica assentada na Terra de Israel era penosamente pequena, vivia sendo sabotada pelos famigerados ”Kutim” (Samaritanos) que aliados com os Árabes, viviam  aterrorizando os Judeus na desprotegida Jerusalém, com intenção de que parassem com a então lenta reconstrução do Templo Sagrado. Como animais furiosos, eles saíram de suas montanhas e atacaram os pacíficos habitantes de Jerusalém. Eles caíram sobre as paredes protetoras da cidade que ainda estavam inacabadas, quebraram e as lançaram no chão e também queimaram, destruíram e saquearam muitas casas. Cedo ou tarde, de tempos em tempos, os Samaritanos e Árabes difamavam os Judeus perante o Rei, acusando-os de ”conspiração contra o mundo” ( tudo muito atual infelizmente).

Mais uma vez, muitos judeus começaram a buscar a amizade dos poderosos samaritanos, e os esforços árduos de Ezra para conter a maré de assimilação pareciam todos infrutíferos.

Todas estas sabotagens, ataques, calúnias que o Povo Judeu sofria na Terra Santa desanimariam muitos regressados do Exílio, somando também o vácuo na liderança durante os anos em que Ezra teve que retornar para a Corte Real por ordem Imperial, isto causou uma queda na prática religiosa, fazendo com que a maioria dos judeus se casassem com mulheres não-judias dos arredores, inclusive os filhos do Cohen Gadol Yehoshua A”H!!!

Mas com Ajuda Divina, a maré ruim para os Judeus mudou: Esta ajuda veio através de Nehemiá, colega de trabalho contemporâneo  de Ezra.

 NEHEMIÁ COMO COLABORADOR DE EZRA:

Nehemiá era um judeu proeminente que pela sua erudição, sabedoria e temor a D’us, alcançou um cargo muito elevado na corte persa, como representante do Povo Judeu sob o imperador persa Darius. Ouvindo sobre a situação calamitosa em que seus correligionários passavam na Terra de Israel, ele se aproximou do rei com uma proposição muito ”descarada”: Ele pediu permissão para tomar uma licença para ajudar seus irmãos a se instalarem e construirem o Templo. Então ele retornaria.

No mundo antigo, se o rei não gostava de uma ideia como essa ( de um povo conquistado obter autonomia em sua terra), você literalmente perderia a cabeça !!! Cheirava a dupla lealdade. Por que seu conselheiro mais confiável estava preocupado com Jerusalém quando trabalhava para ele no palácio? Nehemiá assumiu um grande risco perguntando.

Felizmente, o rei concordou. Não só isso, mas deu-lhe um contingente do exército e ”carte blanche’‘, carta branca para acionar o contingente como ele achasse conveniente.

Quando Ezra chegou anos antes, os samaritanos não estavam muito nervosos: Ahh, outro rabino…”, eles pensaram. No entanto, quando Nehemiá chegou, ele veio com o poder do exército persa atrás dele. Ele veio equipado para fazer a batalha. E de fato travou batalhas – batalha física e batalha política.

RECONSTRUINDO AS PAREDES:

Embora oito décadas antes os muros de Jerusalém tinham sido violados pelos babilônios, tornando a cidade indefensável, muitas partes do muro ainda estavam em pé. Taticamente, Nehemiá percebeu que a primeira tarefa era preencher as lacunas e criar uma muralha contínua (Neemias 2:17). Ele organizou o trabalho imediatamente. Rapidamente, os judeus oprimidos se uniram e completaram os restantes das muralhas, injetando-lhes um novo sentido de esperança e coragem (Neemias 3:38).

Seus inimigos, principalmente os Kutim e os Árabes, no início olhavam zombando e duvidavam de sua capacidade de construir qualquer tipo de parede útil. No entanto, como ele realmente começaram a surgir diante de seus olhos sua arrogância se transformou em pânico e eles conspiraram para interromper o trabalho (Neemias 4: 1-5).

No entanto, Nehemiá os organizou em unidades familiares capazes de se defenderem, ao mesmo tempo em que continuavam a trabalhar na fixação do muro. Dia após dia, desde o amanhecer até a noite, eles trabalharam: “Nós trabalhávamos na obra … a partir do amanhecer até as estrelas apareceram” (Neemias 4:15).

Todo o seu trabalho valeu a pena e, milagrosamente, eles completaram o trabalho em apenas 52 dias. Lembre-se, este foi sem equipamento pesado e sob a constante ameaça de ataque. Foi realmente um feito notável.

Graças a Nehemiá, Jerusalém agora tinha um muro físico para proteger o povo judeu.  O modesto Templo Sagrado recém inaugurado agora estava protegido novamente, na Porta oriental do Templo, Nehemiá colocou uma pedra lindamente esculpida com a capital do Império Persa, Shushan, no  batente superior, nomeando o Portão principal do Monte do Templo de ”Shaar Shushan” ( Portão Sushan), pois ele era voltado para a Pérsia. Assim não restaria dúvidas da lealdade do Povo Judeu para com o Império Persa que permitiu que se reconstruisse Jerusalém e o Templo Sagrado.  Em seguida, foi até Ezra para estabelecer uma muralha espiritual.

 

OS DECRETOS DE EZRA:

Para ser bem sucedido em qualquer frente, o povo judeu tinha que ser reforçado internamente.Como já falamos um pouco disto acima, aqui damos detalhes: uma das primeiras medidas que Ezra fez proclamar um ultimato obrigando todos os homens judeus a se divorciarem de suas esposas não-judias ou pelo menos as mulheres se converter dentro da Halachá ( ao contrário dos movimentos ditos judaicos que buscam e incentivam ”casamentos inter-religiosos” hoje…). Quem se recusasse seria excluído da comunidade. Para a questão da sobrevivência espiritual não poderiam ser aceitos tais casamentos.

Então ele se dirigiu à profanação do Shabat ( coisa hoje quase que ”normalizada”…): Os proprietários de lojas judias tinham, em muitos casos, encontrado falhas legais para realizar seu trabalho no Dia do Descanso. Ezra passou decretos fechando as brechas e proibindo o trabalho no Shabat. Um dos decretos interessantes é que seria proibido lavar roupas pela sexta-feira,mas que devessem lavá-las até a quinta-feira, para que as pessoas erroneamente não colocassem a roupa para secar no entardecer de sexta e assim a roupa secasse durante Shabat ou que elas por engano, as retirasse dos varais e as passassem com ferro quente ou engomassem durante Shabat, profanando assim o Dia. Todas as Takanot (decretos) dele, são Halachá, Lei.

Ezra também restabeleceu as leis concernentes à escrita e leitura da Torá, introduzindo ali os caracteres assírios ou quadrados, a famosa escrita ”Ashurit’‘ que temos hoje, desde Moshe até a época de Ezra, os pergaminhos de Torá eram escritos com o alfabeto Ashurit, mas outros textos e o povo em geral só utilizava o alfabeto Hebraico antigo ( similar ao Fenício), Ezra portanto estabelece somente o alfabeto da Torá, aparentemente como uma medida polêmica contra os samaritanos (San’hedrin 21b)

Os Samaritanos haviam criado para eles cópias falsificadas da Torá com erros propositais para darem um embasamento às suas crenças heréticas, além de se utilizarem do Alfabeto fenício para escrever a Torá. Assim corriam estas cópias heréticas da Torá e Ezra precisava resolver isto:  Examinou todas as versões, a ”Hebraica”, original, que haviam anos antes levado para o Exílio da Babilônia e a ”Samaritana”. Também examinou todos os pergaminhos que  continham os Profetas e os Escritos, ( Neviim e Ketubim), mostrou suas dúvidas sobre a correção de algumas palavras do texto colocando pontos sobre elas aos Sábios: ”Se Eliahu HaNavi, aprovar o texto, os pontos serão desconsiderados; Se ele desaprovar, as palavras duvidosas serão removidas do texto’‘ assim  Ezra fez o teste solene com todo o texto do Tanach, com a aprovação de todos os Sábios da Grande Assembléia. Assim foi, as palavras dúbias foram milagrosamente removidas do texto e a ”Torá” Samaritana ficou completamente em branco, provando que não Divina!!!

Ele foi considerado pelos Sábios o mais importante instrutor da Torá que já existiu, depois de Moshe ( Berachot 36a). No Talmud temos uma lista dos decretos dele:  Foi ele que ordenou que três homens ( Um ”Cohen”, um ”Levi” e outro ”Israel”) deveriam ler dez versículos da Torá, da Parashá da semana, no segundo e quinto dias da semana em Shacharit ( Serviço matutino da semana) e durante a tarde em Minchá (Serviço vespertino) de Shabat; Ordenou também que os Tribunais Rabínicos ( Beit-Din) estivessem em sessão às segundas e quintas-feiras. Que a mulher se levantasse cedo e fizesse  pão ( Chalot e outros) logo pela manhã, para ter o resto do dia livre para o preparo de Shabat; Que as mulheres devessem usar um cinto, como forma de decência  ; Que as mulheres deveriam se banhar  antes de imergirem na Mikve ( Banho ritual) e que os Homens também se banhassem na Mikve antes de Shabat e das Festas e quando tivessem relações maritais. (Trat. Bava Ḳama 82a)

Ele também ensinou para os Cohanim da geração seguinte a pronúncia correta do Nome Divino ( Shem HaMeforash) com todas as permutações dele, que o Cohen Gadol deveria verbalizar durante seu ofício em Yom Kipur no Templo.( Trat. Yomá 69b). ele também estabeleceu o ofício e procedimento da proclamação da Lua Nova, que marca o início do novo mês hebraico ( Rosh Chodesh) e as Festas. ( Trat.Betzá 6a, ver comentários do Rashi)

Em última análise, Ezra e Nehemiá convocaram o povo para uma renovação do compromisso com a Torá, que ficou conhecidavcomo “A Aliança de Fé” (Neemias, capítulo 10). No dia de Rosh Hashaná do 12º ano dele na Terra Santa, as pessoas se reuniram no pátio exterior do Templo Sagrado e ouviram toda recitação  do Sefer Devarim (Deuteronômio), que descreve todas as leis e ideais da Torá. Todos choraram e arrependeram-se, e concordaram em defender a Torá desde então, especialmente para observar o Shabat, trazer os dízimos e doações ao Templo e abster-se de casamentos mistos.

Ezra disse que não deveriam chorar e se entristecer, pois o dia era Yom Tov, Festa da Torá, o início do Novo Ano, mas que devessem voltar aos seus lares, reforçarem os pratos típicos do Feriado com figos, tâmaras, mel…

 

O SEGUNDO TEMPLO SAGRADO, ”HABEIT SHENI”:

Ezra começou a construir o Segundo Templo, mas não dispunha dos fundos para lhe dar a magnificência física de seu predecessor. No dia em que foi inaugurado, havia  aqueles que,  de idade avançada,  se lembraram do Primeiro Templo  e choraram copiosamente (Esdras 3:12), porque o novo Templo, muito modesto, nem se comparava ao seu antecessor. O Primeiro Templo era feito de ouro e outros metais preciosos. Suas pedras eram de mármore magnífico. As peças de madeira foram feitas de cedro e acácia, o mais forte e melhor tipo de madeira. Era uma das maravilhas do mundo antigo.

O Segundo Templo, em comparação, era pequeno e feito inteiramente de madeira !!! Eles não tinham recursos para fazê-lo inteiramente de pedra. Foi montado rapidamente. Era singelo. Consequentemente, aqueles que o viram e se lembraram do que o primeiro foi, choraram. Eles viram em uma comparação completa o quão longe eles haviam decaído, pecado e punidos.

Conta-nos a Tradição que Ezra procurou pelos escombros do Primeiro a entrada das câmaras subterrâneas que o Rei Shelomo havia construído debaixo do Monte do Templo para salvaguardar os objetos sagrados, tais como a Menorá original de Moshe, o Aron HaKodesh, a Arca Sagrada contendo as Tábuas dos Dez Mandamentos, a Vara de Aharon, o pote com Man ( Maná)… Quando 480 anos mais tarde, Judá e Jerusalém foram cercadas pelos exércitos Babilônicos a primeira vez, o Rei Yoshiahu ( Josias), que por inspiração profética do Profeta Yerimiahu ( Jeremias), mandou que os Cohanim fiéis escondessem nessas câmaras todos os objetos para que no futuro, Mashiach junto o Profeta Eliahu os encontrasse novamente. Como a era da Profecia havia se encerrado uns anos antes com a morte do Profeta Malachi, Ezra ficou triste em não poder encontrar tais objetos. Mas foi recompensado com outro milagre: ele encontrou uma pequena câmara onde havia um imenso reservatório contendo azeite com uma chama acesa, que era a ”chama Eterna” reserva do Primeiro Templo, assim ele pôde utilizar esta chama, que vinha acesa desde Moshe, para acender novamente a pira de fogo do novo Mizbeach ( Altar de sacrifícios).

Além deste milagre, ele por inspiração divina e uma revelação, achou novamente o local exato do Mizbeach e da Even Shetiá ( a ”Pedra Fundamental”, o local do Santo dos Santos, a parte mais sagrada do Templo onde repousava a Arca). Ezra assim inaugurou o Mizbeach e o Santuário conforme a Halachá. Mas também por precaução, Ezra deixou guardado no mesmo local a chama Eterna reserva, pois ele sabia que no futuro o Segundo Templo seria destruído, que o povo Judeu amargaria e muito no Exílio e que no Final dos Tempos, voltaria para reconstruir um Terceiro Templo, desta vez Eterno, com o Profeta Eliahu e Mashiach.

Ezra também se baseou em parte no que era o Primeiro Templo ( em relação ao Santuário propriamente dito) e também nas profecias do futuro Terceiro Templo, relatadas por Yechezkel HaNavi A”H (Profeta Ezequiel ), para estabelecer os locais  das câmaras adjacentes do pátio. Assim, o Segundo Templo era na verdade baseado no Primeiro e no futuro Terceiro Templo, que seja logo construído!!!

Vejam abaixo na figura como as câmaras adjacentes do Segundo Templo foram dispostas EM FRENTE AO SANTUÁRIO ( na esquerda) e no futuro Terceiro Templo, elas ficarão NOS CANTOS DO SANTUÁRIO ( direita):title

O Segundo Templo seria reconstruído não menos que quatro vezes: por Ezra, depois por Shimon HaTzadik, depois pelos Macabim e por último o Rei Idumeu Hordos (Herodes) três séculos mais tarde que ele iria recuperar sua estatura como uma das maravilhas do mundo. As representações que costumamos ver do Segundo Templo são já da reforma arquitetônica de Herodes. Por um lado, o Templo de Ezra era uma fonte de consolo. Por outro lado, era um lembrete para as pessoas de quão longe haviam caído e até onde tinham de ir.

FIM DA ERA DOS NEVIIM, OS PROFETAS:

Com o falecimento de Malachi, o último Profeta não havia mais profecia na época do Segundo Templo, encerrando assim em Ezra, um período de 1000 anos – desde Moshé até ele, em que a Profecia era algo quase que natural de se esperar dos Tzadikim para guiarem e advertirem o Povo. O Talmud nos diz (Sotah 48b). Temos que perceber que para um povo que estava acostumado com recebimento de Profecia, era uma experiência dolorosa. Profetas não só previam o futuro, mas interpretavam os acontecimentos atuais …com autoridade divina.

Mas o Criador não deixou seu Povo sem líderes: Ezra o Escriba estabeleceu os ”Anshêi Knesset HaGuedolá” – Os Homens da Grande Assembléia – composto pelos 120 líderes do povo Judeu na época, parte deles ficariam em Jerusalém e outra parte em Shushan, a capital do Reino Persa. Assim nasce o embrião  do SAN’HEDRIN– o Sinédrio. A Corte Suprema que guiaria o Povo Judeu dali em diante.

 

Como já faltava a Revelação explícita da Shechiná ( a Presença Divina) no novo Templo, os nossos Sábios reforçaram o estudo da Torá Escrita e também da Torá Oral, que dali em diante resguardaria o Povo Judeu da destruição.

Na era do Segundo Templo houve também uma retração da Divina Providência. D’us não trabalhou mais através de milagres abertos, mas por meios naturais. Era como se Ele tivesse ”escondido” Sua Presença – prova disso é o episódio de Mordechai e Ester – contemporâneos de Ezra e Nehemiá –  na corte persa e o milagre de Purim.

9 DE TEVET, DIA DO FALECIMENTO DE DOIS TZADIKIM:

Ezra Ha Sofer  depois de terem concluído seu trabalho de restabelecer a Torá entre o Povo de Israel, teve que voltar com Nehemiá para Shushan. Agora o Povo Judeu poderia caminhar tranquilo, seguro com a Torá. Ele viveu até os exatos 120 anos de vida, tal como Moshé. Nehemiá também viveu até os 110 anos.

Morreram ambos no mesmo dia, 9 de Tevet, véspera do Jejum de 10 de Tevet,  (que relembra o início do cerco babilônico a Jerusalém, que culminou com sua destruição em 9 de Av ), tal evento – a morte dos dois Tzadikim no mesmo dia, relembramos nas rezas penitenciais de 10 de Tevet até hoje, conforme consta nos livros de reza. Ele foi pranteado por todo Povo de Israel, tanto na Terra Santa como na Pérsia

TOMB OF EZRA 1
Fachada da mesquita Xiita de Al-Uzair, onde fica a antiga sinagoga com a Tumba de Ezra e Nehemiá, próximo a Bazra, Iraque.

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Ambos foram sepultados em  Shat Al-Arab,  uns quilômetros ao sul de Batzra – sul do Iraque, que se chama desde a idade Média com o nome de Ezra em árabe: ”Al-Uzair”, na bifurcação dos Rios Tigres e Eufrates. O santuário que era desde os tempos bíblicos uma pequena Sinagoga ao lado do antigo cemitério judaico do sul do Iraque, havia sido transformado numa mesquita Xiita pelos muçulmanos.

TOMB OF EZRA2
Cenotáfio em volta da tumba de Ezrá e Nehemiá, no interior da Sinagoga e Mesquita AL-Uzair.
TOMB OF EZRA
Detalhe da tumba real de Ezrá, interior de seu cenotáfio.

Conta-se que de tempos em tempos, desde a Idade Média, via-se uma Luz Intensa que saia e entrava do recinto santo de descanso de Ezra e Nehemiá. Quando houve a saída em massa dos Judeus do Iraque, em 1952, a Tumba  caiu nas mãos doss Xiitas do Sul do Iraque, assim como muitos locais sagrados Judaicos do Irã e Iraque, ou que hoje estão em parte abandonados, islamizados ou mesmo destruídos pelos ímpios Muçulmanos do ”Estado Islâmico” ou outros grupos, como mostra a reportagem do Arutz Sheva, leia aqui sobre o destinos das tumbas dos Profetas, que o Eterno possa vingar a profanação dos Túmulos deles: http://www.israelnationalnews.com/News/News.aspx/191473.

Que os méritos sagrados dos Tzadikim EZRÁ HASOFER A”H E NEHEMIÁ A”H  acompanhem e protejam o povo de Israel, AMÉN!!!

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