discurso contraditorio

O que muitas e muitas vezes acontece, na relação de adultos com crianças, sejam eles pais ou outros membros da família ou cuidadores principais é um discurso que gera conflito para a criança. O adulto diz que a criança deve fazer algo e se comportar de uma maneira específica, mas ele próprio não o faz. Aqui impera o “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”, não é?

Ocorre que um discurso com duas opções, afinal, há um conflito entre o fazer e o falar que tem que fazer, faz com que a criança fique confusa. Além disso, ela poderá escolher entre o que fará: aquilo que mandam que ela faça ou aquilo que ela vê os outros fazendo. E aí, como fica? A criança, então, se vê numa situação em que precisa pensar para resolver o conflito, tirando uma conclusão e decidindo.

Por exemplo: os pais, parentes ou mesmo professores querem que a criança leia então dizem a ela que é muito importante ler, para que ela aprenda, cresça, etc.. No entanto, a criança não vê tais adultos lendo. E aí pode surgir a pergunta: “Peraí, eles querem que eu leia porque dizem que é importante, mas eu nunca vejo eles lendo… Como pode ser importante?”. Muitas vezes, esse pensamento pode vir a se tornar inconsciente e ser esquecido, mas com isso, ela acaba não lendo, porque o que ela vê que os outros fazem tem mais força do que o que eles dizem que deve ser feito. E não ler ou não querer ler ou não gostar de ler pode vir a se tornar um padrão de funcionamento e nenhum adulto entende o motivo.

Evidentemente, esse é um exemplo ilustrativo para o tema abordado aqui e que, não ler ou não querer ou gostar de ler, nem sempre é porque a criança nunca viu seus pais lendo. Podem haver inúmeros motivos para tal.

Não é surpresa que, quando os adultos veem que a criança não está lendo, como nesse exemplo, podem ficar bravos com ela, a deixar de castigo, tirar dela os eletrônicos diversos ou a TV e por aí vai. Ué, mas ela recebeu que exemplo? Também não estou dizendo que mesmo com exemplo a criança vai sempre obedecer, pois isso não é da natureza da criança. A obediência vem dos limites dados a ela, que é um tema que abordarei mais para frente.

Então, poder se atentar à coerência de um discurso de um adulto a uma criança é muito importante para ensinar e educa-la. Há mais chance de uma criança seguir o que vê do que o que ouve. Talvez poder praticar o “Faça o que eu falo e faça o que eu faço”!

Perguntas? Controvérsias? Pensamentos?
Mandem porque pensar juntos enriquece!

Abraço e até a próxima!
Sefi

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