Na rua onde o diretor de arte Rui amaral mora, os postes são pintados ou desenhados até uma altura na qual normalmente vemos apenas propagandas no estilo “trago a pessoa amada em três dias”. Por ali, as lixeiras também não são monocromáticas e um muro colorido abraça uma biblioteca.

Grafiteiro há cerca de 30 anos, Rui faz em sua vizinhança no bairro da Lapa o que gostaria de ver por toda São Paulo, arte na rua. “Podemos usar o espaço urbano como suporte para fazer arte e todo mundo pode ganhar fazendo a cidade ficar mais bonita”, argumenta.

O sonho de Rui Amaral é colocar em prática um projeto de formação de diretores de arte para a cidade de São Paulo. A idéia é criar núcleos em diversas regiões da capital para oferecer oficinas de arte de rua. Patrocinadores doariam as tintas e articulações com as subprefeituras definiriam os espaços a serem pintados, grafitados ou desenhados. “Os espaços são públicos, a cidade pertence ao povo. O ideal seria que todos participassem de seu processo de urbanização”, diz.

O projeto já foi registrado como uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) e se chama Artbr Social Clube. No momento, grupos de trabalho ainda estão sendo formados para estruturar e tirar do papel a proposta.

Rui tem uma longa experiência em arte de rua e sabe como lidar com os eventuais contratempos com a prefeitura e até a polícia para conquistar espaços por São Paulo. É dele, por exemplo, o painel que ilustra o famoso “Buraco da Paulista” (túnel que interliga as avenidas Paulista, Rebouças e Doutor Arnaldo).

Para manter seus desenhos no local há cerca de 30 anos, Rui precisou de muita persistência e negociação com o poder público. Ele começou a pintar o buraco quando Paulo Maluf foi prefeito de São Paulo pela primeira vez, no começo da década de 70. Durante o mandato de Mário Covas, a pintura permaneceu no local, mas quando Jânio Quadros assumiu a prefeitura da cidade, em 1986, o muro foi pintado de cinza.

Por um tempo, Rui e seus amigos desenhavam e a prefeitura apagava. No mandato de Luiza Erundina, a prefeitura começou a desistir da briga. “A Paulista ia fazer 100 anos e perguntei se podia fazer um painel. A prefeitura aceitou e ainda me deu um fundo azul. Então pintei todos os personagens. Uns quatro anos depois, o Maluf voltou ao poder e apagou tudo. Fiquei louco, o desenho estava bonitão…”.

Foi então que Rui começou a negociar com a prefeitura, com a secretaria de Cultura e a de Patrimônio histórico, onde encontrou o apoio do então secretário Marcos Faerman. “O Marcão resolveu tudo, disse que o trabalho tinha uma representação e que tinham que deixá-lo ali. Pintei tudo de novo em 94 e, como tive aval do Patrimônio Histórico, ele foi incorporado ao acervo da cidade”.

Agora o grafiteiro inquieto luta novamente com a prefeitura para pintar os postes da cidade. “Na minha rua, os vizinhos já apóiam o colorido. Os funcionários da prefeitura chegam para pintar tudo de cinza e tem gente que sai de casa para reclamar”, comenta Rui e finaliza, “O graffiti é assim mesmo, totalmente ligado ao ativismo, à cidadania. Ele tem uma força muito grande de comunicação. A gente começa brincando e, quando vê, percebe que tem um instrumento muito forte nas mãos. Mas precisa saber usar o instrumento e é para isto que trabalho”.

 

 

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