fonte de inspiração iachnerai

A crônica de hoje será mais pessoal. Contarei sobre mim e como vêm as ideias para escrever uma crônica bem humorada, numa cidade tão mal humorada, mas bastante impressionante como a nossa. Para escrever semanalmente as crônicas, preciso de inspiração.

Já percebi que sentar na cadeira e apenas tentar escrever não funciona, em tempos de redes sociais, notícias, e-mails, a inspiração fica em último plano porque, afinal, imensamente mais atrativo do que pensar, é vasculhar a vida do outro, ou melhor, o que ele mesmo expõe, como no castelo da revista Caras, que é assim que eu me vejo na rede social e vejo meus outros 2500 amiguinhos virtuais.

Já sofri muito com a falta de motivação e inspiração. Por mais criativa que eu seja as ideias não vêm do nada. É preciso todo um ritual para conseguir A fonte das criações. E é sobre isso que vou falar neste texto. Vou explicar-lhes passo a passo, como fazer para escrever AQUELA crônica da sua vida.

É quase que uma das metas da vida: escrever um livro (com as crônicas já considero como um grande início), ter um filho (praticamente cumpri também porque adotei duas cachorrinhas que são como filhas para mim) e plantar uma árvore (meta esta, quase que também com 100% de sucesso, já que ano passado iniciei uma horta na escola e este ano quando voltei, depois das férias o milho que plantei sem esperanças já tinha passado de 1 metro de altura, para minha surpresa e alegria junto com inúmeros maxixes prestes a serem colhidos e comidos de tão bonitos que estão), portanto sinto que em termos de metas de vida, como aqueles livros de autoajuda, eu, com recém 32 anos, já estou muito encaminhada.

Uma das minhas fontes mais usadas são situações completamente atípicas do conceito de inspirar. O passo inicial é conseguir um cachorro. Pode ser seu, do seu pai, da sua mãe, do seu irmão, do zelador, ou adotar um da rua, mas é muito importante a disponibilidade sua e dele(a). O passo seguinte é basicamente conseguir na sua agenda diária e lotada pelo menos uns 15 minutos ou mais, conforme for o caso. Ah! Pelo menos duas vezes ao dia ou mais, se possível. É preciso e recomendável alguns acessórios como um par de óculos escuros, tênis confortáveis e roupa de esporte. Já reparei que se fizer o que sugiro a seguir de calça jeans NÃO FUNCIONA. O passo final é colocar o cachorro numa coleira de passeio bem bonita e sair para “passear” com o filhote no quarteirão pensando na rua e na paisagem local, dando várias e várias “boas tardes” para os trocentos cachorros que virão à sua frente.

Naquela hora que virar a esquina, pouco antes do seu animalzinho começar loucamente a te puxar, virá uma das inspirações. Outro momento, ainda no passeio, que acenderá aquela luzinha interna será ao subir o escadão. Pode ser com ou sem animalzinho junto, é muito importante que em algum momento do dia você consiga no seu percurso algum “escadão” para subir. Em nossa cidade não faltam palcos como esses, inspiradores.

Locais bastante clássicos, típicos de motivações são: a aula de spinning na academia, a aula de natação no clube ou no prédio – o importante é estar dentro da água, cumprindo a meta dos mil metros nadados – o trajeto casa-trabalho-academia feito num transporte público, em que as paisagens da cidade fazem as ideias florescerem naturalmente, aqui, tem tanta gente, mas tanta gente por metro quadrado que pode-se ver de tudo em 24 horas (até no sonho muitas pessoas aparecem!).

Já comentei que o toalete pode ser considerado um local inspirador? Sim, ele também é, seja no banho ou no “trono” funciona muito, muito bem. Todos os locais e situações citados têm em comum duas coisas: a primeira é que o objetivo inicial ao fazer alguma dessas atividade NÃO é escrever ou ter ideias para a crônica e a segunda coisa em comum é que são locais de reflexão, introspecção, mais no sentido de estar sozinho ou com alguém que não converse junto (como o animalzinho) que a ideia vem. Obviamente, é possível ter ideias quando estamos entre amigos, conversando também, cada um consegue de um jeito, e para mim, vem assim.

Após o acendimento da luzinha para a ideia do texto, meio parecido com um antigo seriado que assistia faz tempo – o seriado House, um médico que conseguia curar o paciente quando ninguém mais tinha esperanças e ele, do nada, durante uma conversa com os colegas deixava-os falando até sozinhos no fim, para aliviar sua alegria da inspiração do momento – assim que me sinto quando vêm aquela ideia, não posso ter nada me atrapalhando para escrever. Reparei que escrevo melhor quando não tem ninguém em casa, nem que eu peça para comprar, por exemplo, algo que não preciso, como “palha de aço” só para ter mais 15 minutinhos de silêncio monumental para finalizar A inspiração.

Acredito, por fim, que consegui explicar passo a passo, como escrever a crônica perfeita. Pronto, cada um já pode tentar a sua. Boa sorte!

Nota da autora: esta crônica seria a da semana passada, que, como outras pessoas passearam com minhas filhotes fiquei à dever, mas já compensei à altura. Agora preciso ir para uma das minhas contínuas fontes de inspiração. Aproveitem! Curtam! Comentem!

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