JUSTOS-CAPA FINAL-B

“Justo entre as Nações” é um título e um prêmio instituído pelo Memorial do Holocausto como reconhecimento a todos os não judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus perseguidos pelo regime nazista.

JUSTOS-IRENA SANDLER-CRIANÇAIrena Sendler, conhecida como “O Anjo do Gueto de Varsóvia” é uma “Justa entre as Nações”.

Irena Sendler nasceu em Varsóvia em 15 de fevereiro de 1910. Católica Romana cresceu vendo o pai como um exemplo de responsabilidade profissional e solidariedade ajudando os mais necessitados sem perguntar se era pobre, cristão ou judeu.

Em 1917, durante epidemia de tifo que assolou os subúrbios de Varsóvia, seu pai foi o único médico a atender os doentes, mesmo sabendo que poderia vir a morrer pelo contágio, o que realmente aconteceu.

Irena Sendler seguiu pelo mesmo caminho paterno. Depois de formada como assistente social na década de 1930, ingressou no serviço público de Varsóvia e ficou encarregada de cuidar dos refeitórios populares que acolhiam órfãos, idosos e pobres.

Entretanto, sua solidariedade ia além de suas funções e ela começou a distribuir alimentos, roupas, medicamentos e JUSTOS-IRENA SANDLER-1dinheiro entre os católicos e judeus carentes da cidade.

Solidariedade e destemor

Depois da invasão da Polônia em 1939, o governo nazista criou o bairro judeu em Varsóvia (1940). Em duas semanas, a população local de 160 mil pessoas saltou para 400 mil habitantes.

Sem se conformar com as atrocidades que via acontecer por trás dos muros do gueto de Varsóvia, como ficou conhecido o confinamento de judeus, Irena, como assistente social, polonesa e católica, tinha passe livre para entrar e sair do local.

Assim, começou a contrabandear remédios, roupas e alimentos na tentativa de aliviar o sofrimento de milhares de crianças e idosos que perambulavam pelas ruas.

JUSTOS-IRENA SANDLER- CRIANÇAS GUETO-FINAL-2Quando Irena caminhava pelas ruas do gueto, levava uma braçadeira com a estrela de David, como sinal de solidariedade e para não chamar a atenção sobre si própria.

Pôs-se rapidamente em contacto com famílias, a quem propôs levar os seus filhos para fora do gueto, mas não lhes podia dar garantias de êxito. Eram momentos extremamente difíceis, quando devia convencer os pais a que lhe entregassem os seus filhos.

Com a ajuda dos membros da Zegota, organização da resistência polonesa e de amigos, começou a tirar crianças do gueto, antes que morressem de fome, frio ou doença.

Ela se valia de túneis subterrâneos, malas, caixões de defunto, caminhões de lixo, caixotes de ferramentas, baús e cestos, até ambulâncias oficiais alegando que os pequenos estavam com tifo, para tirar as crianças do local.

Em um ano e meio, conseguiu resgatar mais de 2500 crianças judias do gueto e entregá-las aos cuidados de famílias e colégios católicos.

Sofrimento atroz

Entretanto, em 20 de outubro de 1943, suas atividades foram descobertas pela Gestapo. Na prisão de Pawiak, foi brutalmente torturada.

Ela, a única que sabia os nomes e moradas das famílias que albergavam crianças judias, suportou a tortura e negou-se a trair seus colaboradores ou as crianças ocultas.

Quebraram-lhe os ossos dos pés e das pernas a pauladas, mas não conseguiram quebrar a sua determinação. Não disse uma palavra, seja a respeito dos companheiros de resistência ou das crianças resgatadas.

Num colchão de palha encontrou uma pequena estampa de Jesus Misericordioso com a inscrição: “Jesus, em Vós confio”, e conservou-a consigo até 1979, quando a ofereceu ao Papa João Paulo II.

JUSTOS - Irena_Sendler_1942Condenada à morte, Irena foi salva pelos membros da Zegota que subornaram os responsáveis por sua execução. Seu nome constava da lista dos executados, mas Irena viveu até o final da guerra escondida e sob a proteção de um nome falso.

Procura

Quando terminou a guerra, sua primeira providência foi desenterrar dois vidros que escondera no jardim de uma vizinha com listas dos nomes verdadeiros junto aos falsos usados pelas crianças resgatadas.

Sua intenção era dar a oportunidade às “suas” crianças de encontrarem as famílias verdadeiras e resgatar sua identidade judaica.

As notas foram entregues a Adolf Berman, o primeiro presidente do Comitê de Salvação dos Judeus Sobreviventes. Porém, a maior parte das famílias das crianças tinha sido JUSTOS-ÁRVOREmorta nos campos de extermínio nazistas.

De início, as crianças que não tinham família adotiva foram cuidadas em diferentes orfanatos e, pouco a pouco, foram enviadas para Israel.

As crianças só conheciam Irena pelo seu nome de código “Jolanta”. Mas anos depois, quando a sua fotografia saiu num jornal depois de ser premiada pelas suas ações humanitárias durante a guerra, um homem chamou-a por telefone e disse-lhe:

“Lembro-me de seu rosto. Foi você que me tirou do gueto”.

E assim começou a receber muitas chamadas e reconhecimentos públicos.

Reconhecimento

Em 1965, a organização Yad Vashem de Jerusalém outorgou-lhe o título de “Justa entre JUSTOS-ORDEM DA ÁGUIA BRANCAas Nações” e nomeou-a cidadã honorária de Israel.

Em Novembro de 2003 o presidente da República Aleksander Kwaśniewski, concedeu-lhe a mais alta distinção civil da Polônia: a Ordem da Águia Branca. Irena foi acompanhada pelos seus familiares e por Elżbieta Ficowska, uma das crianças que salvou, que recordava como “a menina da colher de prata”.

Irena Sendler morreu aos 98 anos, em sua plenitude, em 12 de maio de 2008, e seu trabalho continua através de uma organização chamada Life in a Jar (“A vida numa jarra”).

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