autodistruição
Não falei que tinha um botão desses? Eu sei das coisas!!! 😉

Então… Tudo bem aí? Andei sumida, eu sei. Minha última crônica foi sobre Shimon Peres, a que escrevi desejando que por um milagre ele se recuperasse, mas achando, no fundo, que se lhe fosse dado escolher, ele mesmo não desperdiçaria um milagre com algo assim. Creio que se ele pudesse pedir por um milagre, provavelmente escolheria o milagre da paz. E ainda acho que, se um dia ela vier, provavelmente terá sido mesmo por uma sementinha milagrosa que ele plantou em alguém…

Enfim, por mais sentida que tenha ficado com a morte dele – e fiquei mais do que previa, não foi exatamente por isso que andei sumida.  Foi por algo bem menos nobre.

Vírus… No computador e em mim, tão sintonizados que somos um com o outro…

Nah… Foi uma dessas coincidências. Meu “HD” pifou e o do computador também… Puro acaso, nada de empatia. Ele me odeia, e eu tenho um respeito sincero pelo poder que ele tem de infernizar minha vida. Cá entre nós, tenho sérias dúvidas quanto ao “caráter” dessa coisa. Sério! Acho que ele mente, dissimula, e, com certeza esconde coisas de mim. Haja visto todos os arquivos que ele transfere para o limbo, sem minha autorização… Pois é… Paranoia total, você diria… Você não deixa de ter razão, eu responderia….

Mas o fato é que, enquanto ele, sem mais nem menos, voltou a funcionar sozinho do nada, eu estou até agora tentando voltar ao normal. Até para remédio caseiro estou apelando. O de agora é um chá de camomila, mel e baunilha… Tem várias funções, parece. Se for muito ruim, passo no cabelo, mal não vai fazer…

Voltando um pouco a esta minha questão com a tecnologia…  Vou revelar um segredo… Sabe o que é? Eu cresci assistindo Perdidos no Espaço, Viagem ao Fundo do Mar, Agente 86 e, óbvio, Jornada nas Estrelas. E sabe o que todos eles tinham em comum? Além da audiência de alguém que devia estar fazendo a lição de casa no lugar de assisti-los? Adivinha? Está difícil? Digamos assim… Podem mandar os avanços tecnológicos que quiserem e até me dizer que são perfeitamente seguros, porque eu sei a verdade…  Isso mesmo. A mim não me enganam! Estou preparada… Eu SEI que em algum lugar tem um botão de autodestruição e que mais cedo ou mais tarde, provavelmente antes que eu consiga salvar este texto, por exemplo, eu vou apertá-lo.  Aliás, quero acreditar e rezo para que meu poder de destruição se limite a isso – textos e arquivos, o que pra quem trabalha com isso já é bastante catastrófico -, e que, em princípio, o planeta e o universo estejam seguros apesar da minha inabilidade tecnológica. Espero e rezo, mas não posso prometer nada, então, pelo sim pelo não, meu conselho é que aproveitem mesmo todas as oportunidades, “carpe diem”, principalmente agora, que eu voltei a usar o computador…

Falando em “Carpe Diem” e em prometer… Pois é… Promessas, promessas… Tão fáceis de serem feitas, tão difíceis de cumprir… E não é que da última vez que nos falamos estávamos ainda em 5776? Passou tão rápido! Um piscar de olhos, uma quantidade insana de pão de mel e pronto, estamos em 5777. E Yom Kipur já está aqui na esquina!

Viram porque esse espaço se chama “elucubração”? Onde mais você teria “computador, chá de camomila, Yom Kipur e Carpe Diem? Aliás, antes de continuar, “Carpe diem, quam minimum crédula póstero” não tem absolutamente nada a ver com Yom Kipur! Por favor, não vão sair por aí dizendo que leram uma bobagem dessas aqui na minha coluna, muito menos no Portal Judaico, que, talvez com a exceção desta que vos escreve, é lugar de gente séria. Para começar, isto é latim, não hebraico. Parece óbvio, eu sei, mas tantas coisas aparentemente óbvias acabam sendo mal interpretadas, não é mesmo?

Para esclarecer um pouco mais, a tradução dessa frase, a grosso modo, seria “aproveite o hoje e confie o mínimo possível no amanhã”. Interessante, não é mesmo? E tem seus méritos, se a gente for pensar… Eu particularmente gosto dela. Horácio sabia do que estava falando, acho eu. Tem também aquela frase que a gente escuta muito por aqui “o amanhã a D’us pertence”… O que, para mim, é quase a mesma coisa. Mas, por mais bacana que seja, não é exatamente uma coisa judaica não. Pelo menos eu acho que não. Tem gente muito mais versada nesses assuntos do que eu, neste mesmo portal,  que pode dizer com mais propriedade, mas, da minha maneira muito particular de ver as coisas, pelo pouquíssimo que sei do judaísmo, por esses 5776 anos de nossa história tão controversa, nós somos mais otimistas que isso.

De maneira geral, e em maior ou menor grau, nós acreditamos e confiamos muito no amanhã. Aliás, eu acho mesmo que se existimos, ou melhor,  se continuamos a existir por tantos milênios, através de tantas provações, é porque temos sim muita confiança no amanhã. E confiança baseada apenas na vontade, no desejo; confiança sem base concreta o que, para mim é, mais do que nada, uma demonstração de fé. Fé no amanhã que construiremos ou reconstruiremos, com a força e a ajuda de D’us.

Engraçado, não tinha pensado muito nisso antes de escrever… E não é que esta minha religião é basicamente uma religião de otimistas? Por exemplo, todos os anos, por milhares de anos, dizemos “no ano que vem, em Jerusalém”, às vezes sem nem ao menos termos certeza de onde estaremos no final do dia… Por todos os anos, por milhares de anos, mesmo em meio a catástrofes, guerras, perseguições, dramas pessoais ou coletivos, quando chega esta época do ano, rezamos por nós, pelos nossos, pelo nosso povo e pelo mundo, desejando que as coisas sejam um pouco mais doces, talvez até mais fáceis e mais bonitas, para todos, sabendo muito bem que isso não depende apenas de nós. Se isso não é crer na bondade Divina, se isso não é ser otimista, se isso não é ter fé, então eu não sei o que é.

Eu, em um exemplo meio “tosco”, comecei este texto já esperando o pior do meu computador, que, otimismo ou religiosidade a parte, me detesta e faz de tudo para dificultar minha vida, e, sem que absolutamente nada estivesse a meu favor, continuei escrevendo, esperando o pior, mas torcendo pelo melhor, sendo que este melhor não dependia de mim. Uau, que comparação infeliz… Autocrítica independe de religião… Mas, veja bem, faz certo sentido, se você me der um pouquinho de “elasticidade” e me brindar com um pouco de sua boa vontade (vamos lá, que melhor época do que esta para mostrar boa vontade com completos estranhos?).

Veja eu, por exemplo, um pouco cínica, um pouco sarcástica, um pouco sentimental (e tecnologicamente débil mental… ), com problemas iguais aos de todo mundo e outros que são só meus, assim como, acho, o resto da humanidade, e, sem nenhum motivo para crer que desta vez este texto específico dará certo, quando muitos outros, talvez até melhores, desapareceram no tal “limbo cibernético”. E, no entando, estou aqui escrevendo, apesar de um quadrado esquisito e ameaçador ficar piscando bem no meio da tela, com dizeres em siglas que não entendo. Quadrado este que desaparece sempre que chamo alguém para mostrar, diga-se de passagem, mas que parece querer me avisar que em algum momento já apertei o tal botão…

Sim, eu sei, é uma analogia pobre. As mais ricas desapareceram ou já foram escritas por outras pessoas. Mas, por mais pobre que seja a comparação, é uma demonstração, em minúscula escala, do poder da fé.  Tenho fé que, apesar de tantos insucessos, desta vez vou poder publicar este texto. Tenho fé que, por mais piegas ou confuso que essas palavras possam parecer à primeira vista, eu tenha conseguido, de alguma forma que não sei explicar, colocar aí no meio, nas entrelinhas talvez, todo esse sentimento profundo e confuso que Yom Kipur parece despertar em muitas pessoas, eu inclusive. Um sentimento que alguns carregam, às vezes,  lá no fundo, bem escondido, disfarçado talvez em pequenas gentilezas, e que outros, menos tímidos, escancaram, e exibem, de maneira grandiosa e a flor da pele, para todo mundo ver… Um sentimento de generosidade, de querer o melhor para todos, de desejar que todos realmente sejam inscritos e selados no Livro da Vida… Isso, assim mesmo, Vida, com letra maiúscula.

Eu, por exemplo, já que não quero assumir a influência desses dias, dessa época tão cheia de significado dentro do judaísmo,  vou dizer que estou “sob influência do tal chá de camomila, mel e baunilha” para poder escrever e dizer que espero que todos vocês, amigos que me acompanham e leitores que clicaram aqui sem querer, sejam merecedores e recebam, junto com suas famílias, um ano realmente maravilhoso, cheio de alegrias, de mensagens significativas ou bobagens recreativas (espero poder ter algum papel neste aspecto específico…), com muita saúde e muita paz.

Acho que teria mais coisas a dizer sobre Yom Kipur, mas, por mais imbuída do espírito otimista deste período de festas que eu esteja, meu bom senso me diz para encerrar este texto assim, de qualquer maneira, antes que o computador lance mão de sua critica literária e o faça por mim… A propósito, o computador parece melhor, mas em mim o chá não fez efeito, então acho que vou tentar a aspirina. Afinal, uma boa dose de bom senso nunca fez mal a ninguém, principalmente quando a fé é bem direcionada…

Bom senso e fé, essa, para mim,  é a combinação de uma vida feliz – e mais duradoura…

Gmar Chatimá Tová!

 

 

 

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/10/termometro.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/10/termometro-150x150.jpgCarla SpachCRÔNICASELOCUBRAÇÕES  Então... Tudo bem aí? Andei sumida, eu sei. Minha última crônica foi sobre Shimon Peres, a que escrevi desejando que por um milagre ele se recuperasse, mas achando, no fundo, que se lhe fosse dado escolher, ele mesmo não desperdiçaria um milagre com algo assim. Creio que se ele...Comunidade Judaica Paulistana