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Miriam Mehler é uma atriz de teatro, cinema e TV. Dos cerca de 80 trabalhos realizados, muitos marcaram a história do teatro moderno brasileiro, da televisão e do cinema. Miriam nasceu na Espanha em 15 de setembro de 1935.

Miriam Mehler - livroMiriam teve de lutar muito para seguir o caminho que escolheu e se tornar uma das grandes atrizes brasileiras. Nascida em uma abastada família judia, o primeiro obstáculo foi a oposição do pai, que a queria advogada.

Decidida, foi em frente e não hesitou em trocar a toga pelos palcos, numa época em que ser atriz era praticamente um pecado para uma mocinha de boa família.

Mas com seu desempenho no teatro, o pai virou fã, vieram outras batalhas e Miriam nunca se curvou. Hoje, com 60 anos de carreira, segue apaixonada por sua profissão.

E não só por sua profissão, pois ela é daquelas criaturas raras que faz da paixão o motor de sua existência. Miriam sempre gostou muito de gente e a vontade de conhecer o ser humano melhor a levou ao teatro.

A trajetória começou em 1957, quando, recém-formada na Escola de Arte Dramática, a jovem Miriam estreou – e com o pé direito – em Eles não Usam Black-Tie, antológica Miriam Mehler-burguesesmontagem do Teatro de Arena.

Da Arena, ela foi para o Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) e depois para a Oficina, em espetáculos históricos como Pequenos Burgueses e Andorra.

Paiol, o teatro que ela fundou com o então marido Perry Salles e que tocou por 12 anos palco de montagens inesquecíveis, como Abelardo e Heloisa.

Dos autores que interpretou, Arthur Miller, Tennessee Williams, Ionesco, Gorki, Brecht, Henry James, Noel Coward são alguns dos estrangeiros em seu currículo.

Dos nacionais tem Gianfrancesco Guarnieri, Jorge Andrade, Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, Oduvaldo Vianna Filho e Consuelo de Castro, Miriam Mehler-Oscar elançada por ela.

Fascinada pelo texto de Arthur Miller, Vidros Partidos, Miriam convidou o diretor Iacov Hillel para preparar o espetáculo.

Para o diretor, a presença do nazismo na peça é uma alusão aos conflitos atuais.

Segundo Hillel, “em As Feiticeiras de Salem, Miller foi ao século 17 para falar do macartismo, quando houve a ‘caça às bruxas’ a atores de Hollywood por suas convicções políticas. Agora, ele foi à Segunda Guerra Mundial para falar de problemas atuais como o crescimento do neonazismo.”

Pode uma mulher ficar paralítica por ter lido uma notícia de jornal? Para Arthur Miller, pode. Tendo essa idéia como ponto central, ele escreveu Vidros Partidos.

Na trama desenvolvida pelo dramaturgo norte-americano, a mulher é a judia Sylvia Miriam Mehler-ultima sessão2Gellburg, e a notícia diz respeito à “noite dos cristais”, quando comerciantes judeus de Berlim foram espancados e tiveram as vitrines de suas lojas estilhaçadas por integrantes do partido nazista.

Ambientada na Nova York de 1938, a peça mostra a tentativa do médico Harry Hyman de ajudar Sylvia a superar a paralisia que afetou suas duas pernas e que não se conforma com os acontecimentos da Alemanha hitlerista.

“O texto de Miller fascina porque ele consegue unir dramas humanos e problemas sociais”, diz Miriam Mehler, que interpreta Sylvia na montagem brasileira. “Na peça, a questão política serve como pano de fundo para mostrar o relacionamento conflituoso de um casal”, comenta.

A atriz também é judia, de uma família que abandonou a Alemanha durante a ascensão de Hitler.

“Em 1933, meu pai percebeu que não dava mais para ficar no país e levou a família para a Espanha.” Para ela, a influência de sua história no desenvolvimento do personagem foi natural. “Cresci vendo e ouvindo histórias sobre o nazismo, seria impossível separar as duas coisas.”

Miriam Mehler-Yaya-foto close miriamVilmar Ledesma a entrevistou para o livro que lançou “Miriam Mehler – Sensibilidade e Paixão”.

Vilmar escreve: “Miriam é um papo delicioso, fala pausadamente – quente e rouco, o tom de sua voz é marca registrada – gesticula muito e tem sempre um comentário espirituoso, uma história deliciosa que conta como se não fosse com ela que tivesse ocorrido.”

“Emotiva sim, mas não de ficar derramando lágrimas, mesmo quando vêm à tona episódios dolorosos, como a morte do filho único, aos 21 anos, em um acidente de carro.”

O livro ficou pronto quando Miriam estava ocupadíssima e às voltas com páginas e páginas de texto de sua nova personagem televisiva em Escrava Isaura para decorar. Foi publicado em 2005.

Miriam foi casada com o ator Cláudio Marzo (1964-1967); com o ator Perry Salles (1968-1971) e com o ator Ênio Gonçalves (1974-1976).

Em 2014 Miriam participou da peça Última Sessão escrita e dirigida por Odilon Wagner. Miriam Mehler-Yaya-foto3Ele disse acreditar que nunca se reuniu no Brasil, num mesmo palco, tantos atores experientes e com carreiras tão brilhantes como em sua peça.

Em abril de 2016, Miriam protagonizou uma personagem tristemente famosa de São Paulo.

Baseada na história real de Dona Sebastiana de Mello Freire (1887-1961), conhecida como Dona Yayá, a montagem mostra, sob a perspectiva real de seu último dia de vida os 42 anos de confinamento que Yayá viveu presa em seu casarão até o dia de seu falecimento, aos 74 anos de idade.

Membro de uma das mais importantes famílias do interior de São Paulo, Yayá teve uma vida marcada por tragédias.

Aos 18 anos de idade já havia perdido toda a sua família – pai, mãe, duas irmãs e um irmão – em circunstâncias diferentes e com pouco mais de 20 anos começou a manifestar sintomas de doença mental.

Porém, como ela era uma mulher de muitas posses, os médicos aconselharam que ela fosse removida para uma internação particular, em Miriam Mehler-Yaya-famíliaalguma casa, tendo os cuidados necessários e com conforto.

Considerada inapta para o convívio social, a aristocrata foi isolada no casarão e nunca mais pôde sair novamente de sua casa.

Após a sua morte, a casa passou a pertencer ao Estado de São Paulo,  já que ela não tinha herdeiros. Em 1968 a casa foi repassada para a USP, restaurada, e hoje é uma casa de cultura muito visitada.

Dentre suas árvores cheias de frutos e flores, pessoas juram ver Dona Yayá ninando seu Miriam Mehler - casa2filho imaginário pelos quintais da casa, gritos de desespero e lamúrias da velha senhora que ali habitou até o fim de sua precária vida terrestre.

Estive várias vezes no casarão situado à Rua Major Diogo, 353, bairro Bela Vista, (o popular Bixiga) centro de São Paulo para assistir eventos do TUSP (Teatro da USP). É um local tranqüilo e agradável apesar das lembranças que vêm à mente de quem conhece a história do local. Mas não vi nem ouvi sinais de fantasmas.

Miriam Mehler completou 81 anos, mas como só costuma acontecer com alguns escolhidos, basta olhar em seus olhos castanhos e transparentes para perceber um brilho de menina inquieta que o passar dos anos se encarregou de ressaltar.

Uma autêntica mulher de teatro, a quem os palcos brasileiros devem muito.

Assista Miriam Mehler e a autora da peça, Analy Alvarez, descreverem o caso de Dona Yayá.   

 

 

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