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Quando partimos do princípio que o outro não nos aceita, mudamos nosso comportamento, ficamos mais defensivos e por fim, conquistamos exatamente o resultado esperado: a rejeição do outro. Ainda que o outro nos aceite, há uma força em nós que tende a acreditar na nossa certeza de sermos rejeitados do que aceitar que estamos errados.

Nos anos 70, um aluno do doutorado em psicologia da Harvard passou 3 anos disfarçado de um rapaz da periferia para observar uma gangue de jovens (saiba mais em “Street Corner Society” de William Foote White). Entre as muitas contribuições desse clássico, existe um experimento com o torneio anual de boliche da turma. O ranking final refletia fielmente a hierarquia do grupo. Mas o surpreendente é que os dois últimos colocados do ranking eram muito melhor jogadores que os demais mas tinham uma péssima performance toda vez que jogavam naquele grupo especificamente, onde eram desconsiderados e estavam mais abaixo na linha de decisão.

O que aprendemos dessa pesquisa e de muitas outras, é que nossa performance depende da imagem que temos de nós mesmos perante o grupo, e da imagem que temos que o grupo tem de nós. Ups, dei um nó na lingua…

Explico: se eu acho que as pessoas vão estranhar e rejeitar uma japonesa sozinha entrando em uma sinagoga, isso vai atingir automaticamente minha auto-imagem. Vou olhar para os rostos das pessoas me estranhando, aquele único comentário preconceituoso vai acabar com a minha vida, me sentirei rejeitada, vou sentir a necessidade de impor à força a minha presença, demandando direitos e cotas, ou vou me esconder. Aquela Naomi alegre e leve não vai aparecer.

Sabendo que o comportamento da pessoa é influenciado pelo que ela acha que o outro acha dela, quando sei que minha diferença possa se destacar, me esforço para demonstrar que não acho que o outro seja de algum modo preconceituoso. Ele ou ela não se sente julgado ou pré-concebido de forma negativa por mim, e assim pode dar de seu melhor na nossa relação.

Sabendo que o comportamento da pessoa também é influenciado pelo que ele ou ela pensa de si e da situação em que vive, precisamos sempre estar consciente de filtrar apenas os estímulos que confirmam nossas certezas. A ideia é criar por visualização a certeza de ser aceito e de encontrar seu espaço, de ser ouvido e respeitado.

Lembremos que medos também são certezas.

Einstein, através do seu entendimento das leis da física e da natureza, se aproximou no final de sua vida de uma noção quase mística da interação entre o homem e sua realidade. Assustado com as suas descobertas e a de outros sobre a física quântica e da interação entre o observador e o observado, fez a seguinte declaração:

“A decisão mais importante que um ser humano deve tomar na vida, é se o mundo é contra ou a seu favor. Como decidir, assim será.”

Quando fui pela primeira vez na sinagoga, não conhecia ninguém. Cheguei levemente atrasada, e todos já estavam dentro. Minha diferença física era o equivalente a levar uma melancia no pescoço e já imaginava as pessoas me mandando telepaticamente a mensagem de que ali não era o meu lugar. Imaginei com terror esse recado não ser só telepático. Percebi que estava me enfraquecendo ao fortalecer meus medos.

Um minuto antes de abrir a grande porta o salão com mais de quatrocentos olhares se virando para mim, respirei fundo e me dei uma ordem:

– Naomi, você só vai ver os sorrisos.

Hoje sou parte integral da minha comunidade. Fui chamada para ser a única mulher da comissão de culto da sinagoga nesse momento em que estamos trazendo o igualitarismo total de gêneros e quebrando tradições de 3.000 anos.

Não podemos mudar o mundo de uma vez. Mas podemos mudar o nosso mundo começando por mudar a nós mesmos, escolhendo nossos pensamentos.

Afinal, você prefere estar certo ou ser feliz?

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