JUSTOS-CAPA- JAAP PENRAAT

 

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

O arquiteto holandês Jaap Penraat é um Justo entre as Nações.

Jaap Penraat nasceu em 11 de abril de 1918, em Amsterdã onde estudou arquitetura e design. Quando menino, ele desligava as luzes para os vizinhos judeus ao pôr do sol das sextas-feiras, para ajudá-los a evitar o trabalho, proibido no sábado.

PENRAAT-DESIG-2Ele já era um jovem arquiteto e designer quando os nazistas invadiram a cidade e tomaram medidas continuadas contra os judeus. Primeiro, foram proibidos de serem vigias de ataque aéreo, em seguida excluídos de empregos públicos e obrigados a se registrar.

Penraat organizou então um grupo secreto de resistência para ajudá-los.

Penraat, então com 20 anos de idade e um cristão não praticante, juntaram suas habilidades para fazer cartões de identidade falsificados.

Uma amiga casada com um alemão deu-lhe cópias de papéis oficiais e selos para modelos. Mas Penraat, quando suas falsificações foram descobertas, acabou preso por vários meses e torturado, mas nada revelou aos nazistas.

PENRAAT-AVIÕESA situação dos judeus piorou, e os grupos de resistência se apressaram para fazer falsos documentos de viagem. Mas escapar do país era difícil, porque os alemães controlavam países e mares próximos à Holanda.

Penraat e seus amigos da resistência adotaram um plano para disfarçar os judeus como trabalhadores da construção do muro que Hitler estava erguendo ao longo da Costa Atlântica da França.

Penraat falsificou documentos de viagem, usando o cabeçalho de uma empresa de construção verdadeira. Levou os judeus para Lille, França, onde os apresentou ao metrô francês para o transporte à Espanha neutra. Penraat fez cerca de 20 viagens, acompanhando cerca de 20 judeus de cada vez.

Em certa ocasião aproximou-se de guardas alemães ao lado de uma escola e disse-lhes que seus trabalhadores precisavam de alojamento. Reclamou ainda da comida, e chamou isso de “uma das primeiras vezes que um exército alemão foi PENRAAT-NAZISTASanfitrião de judeus”.

Mas Penraat sentia a mão tremer sempre que entregava papéis a um funcionário. “Você está lá, uma funcionária se afasta. Ou ela volta com papéis ou ela volta com soldados”, disse ele em entrevista ao The Poughkeepsie Journal.

“Eles atirariam em você em público para que as pessoas pudessem ver o que acontece quando você faz algo contra o exército alemão.” Hudson Talbott, um amigo de longa data do Penraat, que escreveu um livro infantil sobre suas experiências (“Forjar a liberdade: uma verdadeira história de heroísmo durante o Holocausto”) disse que sua pesquisa indicou que havia um aspecto temerário para as missões de salvação dos judeus.

“A impressão que tenho é que Penraat simplesmente adorava a idéia de se sobrepor aos nazistas e enganá-los”, disse Talbott em entrevista à The Albany Times Union. “Não era uma brincadeira, nem um jogo, mas claramente um aspecto importante para ele era fazê-los de trouxas.”

PENRAAT-famíliaApós 1944, as viagens se tornaram muito arriscadas, e Penraat se escondeu em uma aldeia, alimentado-se quase unicamente de beterrabas.

A maioria dos judeus holandeses não sobreviveu ao Holocausto. Dos 140.000 que viviam lá antes  da invasão nazista em 10 de maio de 1940, cerca de 110.000 morreram.

Depois da guerra, Penraat se tornou um notável designer em Amsterdã. Foi para os Estados Unidos em 1958 e projetou o Café Moinho Holandês para a Feira Mundial de Nova York de 1964.

Penraat começou a falar sobre suas experiências de guerra apenas quando MEDALHA-JUSTOSsuas filhas o convenceram de que seus netos deveriam conhecer esses fatos. Em seus últimos anos, ele fazia palestras para grupos escolares.

Em 11 de junho de 1998, em cerimônia no Consulado de Israel em Nova York, Jaap Penraat foi honrado com o título de “Justo entre as Nações” pelo Yad Vashem, o Museu do Holocausto de Israel. Seu nome está gravado no Muro dos Justos em Jerusalém. A medalha que recebeu contém este provérbio: “Quem salva uma única vida humana salva o universo inteiro.”

Jaap Penraat  morreu em 2006 em sua casa em Catskill, Nova York, aos 88 anos.

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