cesarea
Ufa, meus amigos. Parece que o título deste artigo já é quase uma crônica, de tão extenso!
Ser guía de turismo aqui em Israel  é muito gratificante porque não há dois passeios iguais. Primeiro há a imensa diversidade de locais – o norte verde e arborizado com tantos lugares santos para o Cristianismo como Nazaré, local da Anunciação; Caná da Galileia; Capernaum: Monte das Bem Aventuranças, Vale de Armagedon.
O mesmo norte é importante para a História Judaica com Tiberíades, Safed, Akko, Monte Carmel. É também fonte de conhecimento tecnológico com o Technion de Haifa, a Mekorot com a dessalinizacao da água do mar, o Centro Universitario de Tel Hai.
Na região contígua, Cesárea e Apolônia falam do passado enquanto Natânia e Herzelia se dedicam à alta tecnologia do futuro.
Jerusalém espiritual, cultural, esportiva é um amálgama de história e fé, estudo e memória, pesquisa e saber.
Finalmente o sul desértico, se transformando em jardim mas mantendo seu viés selvagem e desafiador.
Mas hoje vou me concentrar num pedaço muito pequeno deste país, numa rua – uma ruazinha que há  cerca de 2000 anos tinha um leito carroçável de 22,5 metros, ladeada por calçadas cobertas e por muitas lojas. O nome desta rua: Cardo.
O ano 70 da Era Comum (E.C.) marca a conquista de Jerusalém pelas tropas romanas de Tito. Eles tomam a cidade e a destroem até seus alicerces, levando os Judeus para o exílio que segue até hoje. Pouquíssimos Judeus que se refugiaram no deserto permanecem  na Judéia.
Em 131 E.C. o Imperador Adriano (antes chamado Aelius) decide reconstruir Jerusalém e o faz com excelente planejamento urbano. No entanto comete dois erros graves. O primeiro é criar um templo pagão para Júpiter, Juno e Minerva – os chamados deuses Capitolinos. O segundo é mais grave: construir este templo sobre o Monte Moriá, o local mais sagrado para os Judeus, onde antes esteve o Templo de Salomão.
Os Judeus ficam indignados com a decisão de Adriano e iniciam uma revolta comandada por Bar Cochba. Inicialmente vitoriosa, a revolta será contida e as forças de Bar Cochba derrotadas, torturadas e mortas. Adriano muda o nome de Jerusalém para Aelia Capitolina e se vinga dos Judeus mudando o nome do país de Judéia para Palestina, homenageando os Filisteus, os mais ferrenhos inimigos dos Judeus. Lembremo-nos que os Filisteus desaparecem da história por volta de 640 Antes da Era Comum (AEC),  portanto quase 800 anos antes de Adriano. Isto pode dar a você, leitor, uma ideia da força vingativa do Imperador.
Você deve estar pensando: “E aí, onde estão o Cardeal e o Cardiologista? Até agora nada… “
Então entremos no assunto. Os Romanos construíam suas cidades baseados no conceito urbanístico do Grego Hipodamo.
As cidades eram construídas com uma rua larga que a atravessava de norte a sul e nela ficava todo o comércio e o centro da vida urbana. Esta rua era sempre chamada Cardo. Da mesma forma, uma outra rua larga ia de leste a oeste, e esta era chamada Decúmeno. No cruzamento delas situavam-se geralmente o Foro, a coletoria de impostos, a prisão e a sede do governo.
Ora, sendo o ela a rua onde tudo acontecia, o Cardo que fazia a cidade pulsar. Foi exatamente do nome desta rua que derivou Cardiologia – o coração é o centro da pulsação da vida. Também os Pontos Cardeais, pois era do Cardo que se definiam as direções. A maior autoridade ficava na sede do governo – era o Cardeal que representava o imperador. Este nome seria posteriormente usado pelo Supremo Representante Papal, quando o Papa toma o lugar do imperador como líder de fé.
Finalmente, a X Legião Romana tinha sua base principal na extremidade do Cardo e isto determinava que o Cardo fosse uma rua reta para permitir o rápido deslocamento das tropas numa rota larga e o mais curta possível até os portões das cidades muradas.
E nem falamos dos números cardinais…
Na semana passada comentei sobre mitologia Grega. Hoje sobre planejamento urbano e origem das palavras. O que nos espera na semana que vem?
http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2018/03/cesarea.pnghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2018/03/cesarea-150x150.pngMarcos SusskindCRÔNICAS DO COTIDIANOUfa, meus amigos. Parece que o título deste artigo já é quase uma crônica, de tão extenso! Ser guía de turismo aqui em Israel  é muito gratificante porque não há dois passeios iguais. Primeiro há a imensa diversidade de locais - o norte verde e arborizado com tantos lugares santos...Comunidade Judaica Paulistana