JUSTOS-CAPA- FENG SHAN HO

 

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

O Consul chinês  Dr.Feng Shan Ho é um Justo entre as Nações.

Feng Shan Ho nasceu em 1901 em Yiyang, cidade da Província de Hunan, centro da China. Ele faleceu em 1997 em São Francisco, nos Estados Unidos.

Conhecido como o “Oskar Schindler da China”, foi Cônsul Geral chinês em Viena de 1938 a 1940. O diplomata salvou a vida de milhares de judeus, dando-lhes vistos para abrigos em Xangai de maneira a lhes permitir escapar da Feng Shan Ho - JUDEUS MARCHANDOperseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

O Dr. Feng Shan Ho nasceu de uma família pobre, mas  mesmo assim, destacou-se na escola, assim como sua família. Seu pai morreu quando ele tinha 7 anos de idade.

Estudante perspicaz e dedicado conseguiu entrar na Escola Yali da capital provinciana de Changsha, e mais tarde em Yale University-China. Depois foi para a Universidade de Munique, em 1926, e recebeu seu Ph.D. em economia política em 1932.

O Dr. Feng Shan Ho foi destacado como Primeiro Secretário da legação chinesa em Viena na primavera de 1937. Foi o ano em que o Japão invadiu a China.

Feng Shan Ho foi um dos primeiros diplomatas a salvar judeus emitindo-lhes vistos para escapar do Holocausto. Ele foi responsável por salvar milhares de judeus na Áustria ocupada pelos nazistas em 1938 e 1939, mas ele era completamente desconhecido, mesmo pelo povo que ele salvou.

Muitos judeus austríacos tentavam emigrar, mas descobriram que poucos países estavam dispostos a permitir-lhes a entrada. A sua situação foi ainda mais agravada depois da Conferência de Evian realizada em julho de 1938, durante a qual quase nenhuma das 32 nações participantes estava disposta a aceitar refugiados judeus.

Feng Shan Ho - CONFERENCIANa época, Viena tinha a terceira maior comunidade judaica da Europa. E nove décimos dos judeus austríacos viviam na cidade. Era um centro cultural e intelectual embora os judeus constituíssem menos de 10% de sua população.

Eles estavam bem representados em esferas artísticas e acadêmicas. Depois de anos de assimilação os judeus de Viena pareciam ser aceitos na sociedade austríaca.

Mas essa aceitação foi apenas superficial, enquanto o antissemitismo  austríaco permaneceu apenas abaixo da superfície, esperando para entrar em erupção.

Depois de terem sido rejeitados por outros consulados estrangeiros, os judeus recorreram ao consulado chinês que lhes emitiu vistos para Xangai.

Apesar de ocupado pelos japoneses em 1937, Xangai não tinha controle de passaporte, sendo assim, os refugiados não precisavam entregar nenhum documento de entrada.

O objetivo de Feng  Shan na emissão de vistos era oferecer aos refugiados judeus provas de emigração de modo a que eles fossem autorizados a sair da Áustria.

Feng Shan Ho - ErichAtravés da emissão de vistos com destino a Xangai, ele tornou a cidade portuária chinesa o último recurso para os refugiados judeus no mapa, e cerca de 18.000 judeus europeus fugiram para lá em 1938 e 1939.

Os nazistas tomaram o edifício do consulado chinês em Viena por ser propriedade de judeus. Mas Feng Shan continuava a emitir secretamente vistos para os judeus numa casa por ele alugada.

Menos de um mês após a anexação, os primeiros judeus austríacos foram deportados para os campos de concentração de Dachau e Buchenwald.

Muitos judeus queriam ir para os Estados Unidos, mas mesmo os EUA não tendo preenchido sua cota de emigração austríaca, impôs severas restrições à emigração.

Aqueles que desejavam ir para a Palestina (protetorado inglês, hoje Israel) descobriram que a Grã-Bretanha, sob pressão árabe, havia reduzido severamente a cota de emigrantes judeus.

Feng Shan Ho - Erich-2Viena tornou-se o centro de emigração dos judeus austríacos. Todos os consulados estrangeiros na cidade foram procurados por judeus desesperados, dia após dia, mas a maioria não ofereceu ajuda.

O consulado britânico postou um cartaz dizendo que nenhum visto seria emitido; Os franceses não aceitariam qualquer pedido de visto. Os suíços exigiram que os passaportes dos judeus fossem marcados com um “J” vermelho para impedir que cruzassem a fronteira.

Feng Shan  recordou: “Desde a anexação da Áustria pela Alemanha, a perseguição dos judeus por ‘demônios’ de Hitler tornou-se cada vez mais feroz. Havia organizações religiosas e caritativas americanas que estavam urgentemente tentando salvar os judeus. Eu me mantive secretamente em contato próximo com essas organizações, não poupando esforços para usar todos os meios possíveis, e inúmeros judeus foram salvos.”

Chen Jie, o embaixador chinês em Berlim, admirador de Hitler e que era o superior geral direto do Cônsul Geral Feng Shan, opôs-se veementemente a conceder vistos aos judeus para não se opor à política antissemita de Hitler.

Tendo sabido que o Consulado chinês em Viena estava emitindo um grande número de vistos para judeus, o embaixador chamou Feng Shan por telefone e ordenou-lhe que parasse.

Mas Feng Shan respondeu dizendo que de acordo com “as ordens do Ministério de Relações Exteriores” deveriam Feng Shan Ho - CERTIFICADOmanter uma política “liberal” nesse sentido.

Ao ouvir isso, Chen retrucou: “Se for assim, vou cuidar do Ministério de Relações Exteriores, basta seguir as minhas ordens!”

Feng Shan porém continuou a manter uma política liberal apesar das ameaças. Emitia vistos a todos que o procuravam.

O Consul Geral continuou a manter uma vida diplomática ativa em Viena, mas teve de ter extremo cuidado. Ele sabia que poderia ter comprometido sua carreira com sua política de vistos “liberal”.

Estava com sua esposa e filho de 11 anos com ele, e apesar da imunidade diplomática, os riscos sob o regime nazista não podiam ser descartados.

No final da guerra, mais de 65.000 judeus austríacos morreram em campos de concentração nazistas e guetos.

Em 28 de setembro de 1997, Feng Shan Ho morreu em sua casa acompanhado por sua esposa e filha. Ele estava com 96 Feng Shan Ho - MUROanos. Seu espírito permaneceu lúcido até o fim.

O Consulado Chinês em São Francisco, representando o governo comunista, enviou uma coroa de flores para o seu memorial. Os nacionalistas, a quem havia servido honrosamente durante toda a vida, não fizeram menção de sua morte.

Por que Feng Shan Ho se dispôs a ajudar os judeus da Áustria quando a maioria dos outros não o faria? Sua razão era simples: “Eu achava que era natural sentir compaixão e querer ajudar. Do ponto de vista da humanidade, é assim que deve ser,”

Em 2000, Israel concedeu uma das suas maiores honras, a designação de “Justos entre as Nações”, a Feng Shan Ho a título póstumo pela “sua coragem humanitária” no resgate dos judeus austríacos.

Feng Shan também foi postumamente premiado com o Prêmio de Citação do Presidente da China na ocasião, Ma Ying-jeou, em 12 de setembro de 2015.

Feng Shan Ho - recepçãoA filha de Feng Shan, Manli, aceitou o prêmio em seu nome. O presidente Ma Ying-jeou afirmou que a honra estava atrasada, e falou da bravura de Feng Shan em uma cerimônia em sua homenagem.

O vice-ministro de Relações Exteriores de Israel, Danny Ayalon, reuniu-se no Crowne Plaza Tel-Aviv City Center com a Sra. Manli Ho.

Durante a recepção, o ministro disse para a filha de Feng Shan Ho: “Israel e o povo judeu agradecem com imenso carinho ao Justo entre as Nações Dr. Feng Shan Ho, que salvou dezenas de milhares de pessoas, correndo risco de vida. Entre o povo chinês e o povo judeu há uma ligação especial. Judeus encontraram refúgio na China no momento mais crucial de suas vidas, mesmo quando a maioria das nações mantiveram os portões fechados. Cerca de 20.000 judeus encontraram refúgio em Xangai e assim puderam salvar suas vidas. “

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