JUSTOS-CAPA- GIORGIO+ÁNGEL

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

Giorgio Perlasca, um diplomata italiano é um Justo entre as Nações pela sua ação no salvamento de judeus húngaros durante o Holocausto.

Angel Sanz Briz, um diplomata espanhol é também um Justo entre as Nações pelo mesmo motivo, mesmo local e mesma época.

 

Giorgio Perlasca-out de 44-Budapeste - invasão nazistaGiorgio Perlasca

Nascido em 1910 em Como, Itália, Perlasca, ainda jovem, adere à ideologia fascista, tornando-se um entusiasta.

Em 1935 combate na África Oriental Italiana durante a guerra contra a Etiópia.

Sucessivamente  lutou na Guerra Civil Espanhola com o contingente italiano ao lado das forças de Franco. Por esse motivo, ao voltar da Espanha recebe uma carta de agradecimento assinada pelo próprio Francisco Franco.

No entanto, desilude-se com o fascismo italiano devido à aliança com a Alemanha (contra quem a Itália havia lutado durante a Primeira Guerra Mundial) e a implementação na Itália das leis antissemitas e raciais, aos moldes do nazismo.

Na Itália, passou a trabalhar numa empresa de importação de carne e foi enviado à Iugoslávia, onde testemunhou, em abril de 1941, a invasão alemã e a deportação de judeus. Nunca mais esqueceria o que presenciou.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Perlasca trabalha, com status diplomático, no Leste Europeu, com o objetivo de comercializar carne para o Exército Italiano em ação nos Bálcãs.

Giorgio Perlasca-out de 44-Budapeste -prisão de judeusEncontra-se na Hungria quando a Itália assina o armistício (8 de setembro de 1943) com os Aliados.

Sentindo-se ainda vinculado ao soberano italiano, não adere à República Social Italiana (RSI) criada por Mussolini e se recusa à ordem de retornar à Itália.

Ainda estava na Hungria quando o país foi invadido pela Alemanha, em março de 1944.

Temendo ser preso por se recusar a obedecer a ordem de retornar à Itália, ocupada pelos alemães desde setembro 1943, Perlasca procurou a embaixada espanhola.

Na embaixada apresentou ao embaixador Angel Sanz Briz o certificado que recebera do regime de Franco, ao término da Guerra Civil espanhola, com os seguintes dizeres: “Querido irmão de armas, não importa onde você esteja, pode retornar à Espanha”.

Sanz Briz escondeu-o numa vila da embaixada, onde Perlasca ficou dez dias, entregando-se em seguida às autoridades húngaras.

Permaneceu preso por algum tempo, mas conseguiu fugir no dia 13 de outubro de 1944, dois dias antes do golpe que colocara no poder Férenc Szalasi, líder do partido fascista húngaro antissemita da “Cruz Flechada”.

Sem ter para onde ir, apelou para Sanz Briz, recebendo imediatamente a cidadania espanhola e um passaporte com o nome de “Jorge” Perlasca.  O embaixador convidou-o a trabalhar com ele.

Giorgio Perlasca-criançasSua principal função seria lidar com os casos de judeus sefaraditas (de ascendência dos países da península ibérica, Portugal e Espanha), que a Espanha se comprometera a proteger e estavam abrigados em casas-seguras que pertenciam à embaixada.

Perlasca passa a auxiliar o embaixador espanhol Sanz Briz que, juntamente com outros representantes de países neutros (Suécia, Portugal, Suíça e Vaticano), trabalhavam para evacuar a população judia do país.

A tomada do poder do partido pró-nazista teve terríveis conseqüências para os judeus de Budapeste. Várias centenas foram brutalmente assassinados e os 70 mil judeus da capital, confinados no Gueto Central.

Em novembro de 1944, Sanz Briz recebe ordem do governo espanhol para deixara a Hungria e se mudar para a Suíça.

Perlasca recusa-se a sair do país, e, através de um documento forjado, apresenta-se como substituto temporário do embaixador frente à embaixada espanhola em Budapeste.

Giorgio Perlasca-cena de filmeImpede assim que o governo húngaro confisque os imóveis de propriedade da embaixada, e Perlasca os transforma em “casas-seguras” (graças à imunidade diplomática), onde consegue refugiar milhares de cidadãos judeus.

De 1944 até o fim da guerra em 1945, Perlasca esconde, protege e alimenta milhares de judeus, além de emitir salvo-condutos que permitem a saída em segurança de um grande número desses cidadãos.

A justificativa jurídica dos salvo-condutos era a existência da lei espanhola de 1924 garantindo a todos os judeus sefaraditas o direito à cidadania espanhola.

Com a expulsão dos alemães e a ocupação da Hungria pelas tropas soviéticas, Perlasca volta para a Itália, vivendo no anonimato e sem revelar a ninguém (nem mesmo a sua família) suas ações humanitárias durante a guerra.

Porém, a comunidade judia de Budapeste não o esqueceu e, em 1980, consegue localizá-lo, vivendo modestamente na Itália. É então que o mundo conhece a heróica história de Perlasca.

Antes de voltar para a Itália, judeus que havia salvo lhe entregaram cartas de agradecimento. Uma delas dizia: “Soubemos que está deixando a Hungria para retornar a seu país.”

“Queremos expressar a afeição, o reconhecimento e a consideração de milhares de judeus perseguidos pelos nazistas alemães e pelos fascistas húngaros, que ficaram sob a proteção da delegação espanhola.”

Giorgio Perlasca-placa“Nunca esqueceremos que você trabalhou, incessantemente, dias e noites, não só para nosso abrigo e sustento, mas, também, tomou conta dos velhos e dos doentes, com uma bondade que é difícil expressar com palavras…”

“Seu nome nunca será omitido em nossas preces. Pedimos a D’us que o abençoe, pois somente Ele poderá justamente recompensá-lo.”

Perguntado sobre as razões que o levaram a agir desta forma, dizia: “Eu me encontrei em uma situação e agi. Não podia ignorar o que acontecia a minha volta. Não podia ver pessoas sendo tratadas como animais…”

“Não fui um herói… De repente, eu era um diplomata, com muita gente dependendo de mim. Acredito que o fato de ser um diplomata ‘falso’ foi uma vantagem, porque pude fazer coisas que um verdadeiro diplomata não poderia fazer…”

E, ingenuamente, ele concluiu: “Qualquer um no meu lugar teria agido da mesma forma.”

Não é bem assim caro Giorgio, que sua alma descanse em paz. Não é qualquer um, mas somente as almas elevadas como a sua são capazes de feitos como os seus, arriscando a carreira e a vida para salvar outras vidas.

Em 1988, Giorgio Perlasca recebeu o título de “Justo entre as Nações” pelo governo de Israel.

O governo italiano também o honrou, nomeando-o Commendatore Grand’ Ufficiale e lhe garantiu uma pensão anual.

Perlasca morreu em 1992 de um ataque cardíaco.

Giorgio Perlasca foi reconhecido e condecorado por vários governos. Suas atividades durante a Segunda Guerra Mundial foram retratadas no filme “Perlasca – Um herói italiano”, produzido pela emissora italiana RAI.

Condecorações:

Medalha do Knesset (Parlamento de Israel) – Jerusalem, 1989   ||   Star of Merit – Hungria, 1989
Town Seal of Padova – Padua, 1989   ||   Medal of the Holocaust Museum – Estados Unidos, 1990
Grande Ufficiale della Repubblica – Itália, 1990   ||  Medalha Raoul Wallenberg – Estados Unidos, 1990
Ordem de Izabel A Católica – Espanha, 1991   ||   Gold Medal for Civil Bravery – Itália, 1992

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Angel Sanz Briz

Giorgio Perlasca -AngelSanz-Briz-placa espanha

Giorgio Perlasca -AngelSanz-Briz-placa espanha2aNascido em 1910 em Saragoça, Espanha, foi “cúmplice” de Giorgio Perlasca, participando, como relatado acima, na salvação de judeus húngaros, que segundo alguns historiadores alcançaram cerca de cinco mil pessoas.

Por estes feitos, foi reconhecido como Justo entre as Nações e ficou conhecido como “Anjo de Budapeste”.

Posteriores descobertas na correspondência diplomática revelaram que Sanz Briz informou em 1944 o Governo espanhol de Francisco Franco acerca da existência do Holocausto, e que contou – talvez por cálculo político ante a iminente derrota do nazismo – com a aquiescência do Governo espanhol.

Sanz Briz continuou a sua carreira diplomática e depois do posto em Budapeste foi destinado a São Francisco e Washington (Estados Unidos), Lima, Berna, Bayonne, Guatemala, Haia, Bruxelas e Pequim.

Em 1991, poucos anos após o título outorgado a Giorgio Perlasca, o Museu do Holocausto Yad Vashem de Israel também distinguiu a sua ação pelos mesmos motivos e reconheceu perante os seus herdeiros o título de Justo entre as Nações, inscrevendo o seu nome no memorial do Holocausto.

Em 1994 o governo húngaro concedeu-lhe a título póstumo a Cruz da Ordem de Mérito da República Húngara e na Grande Sinagoga de Budapeste (a segunda maior do mundo depois da de Nova York) atualmente há uma placa que exibe o seu nome.

Foi o primeiro diplomata espanhol a surgir num selo postal em Espanha. É conhecido popularmente como o “Schindler” espanhol e, embora o seu caso não seja tão famoso, Sanz Briz salvou muitos mais judeus do que Schindler.

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