O discurso de Charlie Chaplin em “O Grande Ditador” ecoa hoje, em nosso ouvidos, diante da barbárie em que vivemos.
Mudou-se apenas a roupa dos ditadores, dos homens cruéis… Precisamos, mais do que nunca, dedicar nossa atenção a essa mensagem. Nós, que chamamos refugiados de “Refujihadistas”; nós, que declamamos a plenos pulmões, do conforto de nossas casas, que os refugiados sírios, em vez de se abrigarem na Europa, deveriam permanecer – como esta criança da foto – em meio aos homens cruéis.
Que sintamos pulsar novamente a humanidade dentro de nós e combatamos a injustiça com todas as nossas forças.

Perdão, mas não quero ser um Imperador. Isso não é para mim. Eu não quero mandar ou conquistar qualquer pessoa. Eu deveria ajudar a todos – se possível – judeu, gentil, negro, branco. Todos nós queremos ajudar um ao outro. Os seres humanos são assim. Nós queremos viver pela felicidade um do outro – não pela miséria de cada um. Não queremos odiar e desprezar um ao outro. Neste mundo há lugar para todos. E a boa Terra é rica e pode provar cada um. Nosso modo de vida pode ser livre e belo, mas nós perdemos o fio da meada.
A ganância envenenou a alma dos homens, criou uma barreira de ódio no mundo, nos conduziu à miséria e ao derramamento de sangue. Desenvolvemos a velocidade ao passo em que nos enclausuramos. O maquinário que nos dá abundância nos deixou na mão. Nosso conhecimento nos tornou cínicos. Nossa inteligência: duros e cruéis. Pensamos muito e sentimos pouco. Mais do que mecânicos, precisamos ser humanos. Mais do que inteligentes, precisamos ser dóceis e gentis. Sem essas qualidades, a vida será violenta e tudo o mais será perdido.
O avião e o rádio nos trouxeram para perto um do outro. A própria natureza destas invenções clama pelo o que há de bom no homem – apela à fraternidade universal – pela união de todos nós. Mesmo agora minha voz está alcançando milhões de pessoas ao redor do planeta – milhões de desesperados, homens, mulheres e crianças – vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes.
Para aqueles que podem me ouvir, eu digo: não se desesperem. A miséria que está agora sobre nós é ganância passageira – é amargura de homens que temem pelo progresso humano. O ódio dos homens passará, e os ditadores morrerão, e o poder que eles tomaram do povo, tornará ao povo. E tão logo estes homens morram, a liberdade não tardará em sua eternidade.
Soldados! Não se entreguem aos brutos – homens que lhes desprezam – escravizam – que regulam suas vidas – dizem-lhes o que fazer – o que pensar, o que sentir! – Lhes conduzem, como gado, usam-lhes como bucha de canhão. Não se entreguem a estes homens artificiais – homens-máquina com mentes-máquina e corações-máquina! Vocês não são máquinas! Vocês não são gado! São homens! Têm o poder do amor humano em vosso coração! Vocês não odeiam, apenas o não-amado odeia -o não-amado e não-natural! Soldados, não lutem por servidão! Lutem por liberdade!
“O reino de D-us está com os homens” – não um homem, nem um grupo de homens, mas em todos os homens! Em você! Você, povo, tem o poder – o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade! Você, povo, tem o poder de tornar esta vida livre e bela, de tornar está vida uma maravilhosa aventura.
Então, em nome da democracia – usemos este poder! – Unamo-nos todos! Lutemos por um novo mundo – um mundo decente que dará aos homens a chance de trabalhar – que dará à juventude um futuro e segurança aos idosos. Prometendo estas coisas, os cruéis subiram ao poder. Mas eles mentiram! Não cumpriram com suas palavras e jamais cumprirão suas promessas!
Ditadores libertam-se a si mesmos, mas escravizam as pessoas! Agora lutemos pelo cumprimento destas promessas! Lutemos pela libertação do mundo – pelo fim das fronteiras – pelo fim da ganância, do ódio e da intolerância. Lutemos por um mundo racional, um mundo onde a ciência e o progresso levarão os homens à felicidade. Soldados! Em nome da democracia, unamo-nos todos!

 

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