Olá querido leitor, não fique chateado por eu ter atrasado em lhe escrever esta semana. Infelizmente um piripaque inesperado me levou correndo a um pronto socorro onde dois médicos muito simpáticos e competentes precisavam de companhia e não me deixaram ir embora. Como não levei celular, computador, lápis ou papel, tive de atrasar a coluna!

Logo na chegada me deparei com um senhor, com seus 50+ anos, vestindo apenas aquela camisola verde aberta atrás, que deixa a bunda exposta ao mundo. O tal paciente estava impaciente. Apesar de agulhas nos braços e camisola de cirurgia ele dizia que ia embora.
-“ Não vou operar”, dizia ele. “Vou embora, mas não vou operar”.
Como não haviam chamado minha senha, fui até ele:
-“Calma, disse eu. O Sr. Está pronto para operar, o porque quer ir embora”?
-: É por causa da enfermeira. Aqui eu não opero, dizia ele, ofegante”.
– “Me diga com calma, o que ocorre” peço eu.
– “ Aquela enfermeira entrou no quarto e foi logo dizendo: pare de suar frio, está cirurgia é muito simples. Não tem motivo para esta sua tremedeira. Sua palidez mostra muito nervosismo. Pode se acalmar, nunca tivemos nenhuma intercorrência neste procedimento. Realmente não há o que temer. Vou te dar água com açúcar e sua cor volta ao normal, você para de suar e vamos operar.”
Eu disse então a ele:
– “Veja, esta enfermeira parece muito legal. Ela só queria te tranquilizar. Volte para a sala cirúrgica”.
E ele sem me dar tempo:
-“O problema é que ela não falava comigo, falava com o médico ”…

Fui chamado. Suspeita de enfarto. Eletro, tira sangue, checa enzimas.
-“Não se preocupe, é preciso descartar o enfarto. Já, já chega o cardio. Imediatamente me lembro do Sr. Armando, professor de Latim do ginásio. Se é o médico, penso, ele deveria dizer cardiologista. Agora, se vai trazer um novo coração, deveria dizer que chega o cardo. Para me tranquilizar, opto por esperar o cardiologista e não o cardo. Entra a parafernália – maquina de raio X, sai a máquina, entra monitor cardíaco, toma injeção e “só um sorinho”. “Ah, este comprimido é um vasodilatador preventivo. Este vermelhinho é só um relaxante”. Começo a me perguntar se devo ligar para a Chevra. Se você não sabe, leitor, é quem cuida de enterros…
Mas eu SEI que estou bem, acho que a esta hora da noite, com o PS vazio, esta turma quer ocupar o tempo…

No leito ao lado, após examinar um doente, o médico diz à esposa:
-“Minha senhora, eu não gosto nem um pouco da cara de seu marido” e ela, sem pensar:
-“Doutor, eu também não gosto. Mas ele é bom pai para as crianças “.

Entra um casalzinho jovem, japoneses. Ela com dor de cabeça forte. Após o exame o médico indica dar Novalgina de quatro em quatro horas. O japonesinho diz:
-“Não vai poder né? Nós num casô e na colônia só dá no vagina depois de casá, né?
Chegam os resultados. Foi algo razoavelmente fraco mas vai exigir controle. Eletro de esforço assim que voltar para Israel e alta, podendo viajar. Perdi as últimas 40 hs de Brasil. Pego as malas, embarco.

Leitor querido, está crônica está sendo enviada de Frankfurt, onde troco de avião.
Estamos nos entendendo bem, você e eu. Este bate papo semanal está me estimulando a buscar assuntos que possam lhe interessar e manter nosso contacto ativo.
Desculpe o atraso e até terça que vem…

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