Acabou o carnaval e já temos três bombásticas previsões para o ano vai começar.
Vamos logo a elas:

  1. No Big Brother Brasil vai ter uma briga e um tórrido romance
  2. O Fantástico apresentará um novo remédio revolucionário
  3. Os Palestinos se recusarão a discutir uma nova proposta de paz

Sim, por incrível que pareça, aparecerá uma nova proposta de paz. Será que terá o
mesmo fim dos programas anteriores? Vamos dar uma “passada de olhos” em
algumas das propostas que começaram bem e acabaram amassados em algum
cesto de lixo:

  • 1978 – Camp David. Aqui Carter conseguiu reunir Beguin e Sadat – Egito e
    Israel chegaram a acordos de paz que duram até hoje. Os Palestinos não
    participaram destas reuniões.
  • 1991 – Madrid. Tentou-se a paz com alguns países Árabes. Alcançou-se
    acordo com a Jordânia e – tal como o como Egito – segue em vigor. Síria e
    Líbano não avançaram nestas conversações. Os Palestinos nem sequer
    participaram
  • 1993 – Oslo. Desde 1987 houve inúmeras tentativas, todas falhas, de acordo.
    Desta vez sim, Palestinos (representados pela OLP) e Israelenses
    sentaram-se frente a frente e estabeleceram um plano de evacuação de
    Gaza e Cisjordânia bem como o reconhecimento mútuo. O acordo durou o
    tempo de comer uma uva. Houve furiosa reação contrária do Hamas, da
    FDLP, da Jihad Islâmica e outros grupos. Estes lançaram ações terroristas
    com homens bomba, sequestros, assassinatos e bombardeios recusando-se
    a reconhecer o direito de Israel à existência e torpedearam o acordo.
  • 1998 – Way River – Chamado de Oslo II, costurado por Clinton, Netanyahu e
    Arafat, o acordo previa a retirada Israelense de 13% do território. A OLP
    deveria acabar com qualquer ação ou incitação ao terrorismo, desmantelar
    estruturas para-militares e reconhecer Israel. Acusando Israel de não cumprir
    sua parte, Arafat denunciou o acordo.
  • 2000 – Camp David – Clinton, Ehud Barak e Yasser Arafat. Israel ofereceu
    sair de Gaza e da Cisjordânia, ofereceu terras no Neguev mas Arafat exigiu
    também Jerusalém e o “direito de retorno”, algo inaceitável por parte de
    Israel. Ato contínuo, iniciou-se a segunda intifada, desta vez apoiada pelos
    dissidentes supra-citados, pela Fatah e pelo Tanzim. Mais uma vez
    explosões de homens-bomba em supermercados, discotecas, shopping
    centers e até em festas de casamento.
  • 2001 – Taba – Foi a tentativa de acordo que chegou mais longe. Mas com o
    resultado das eleições em Israel, Arafat recusou-se a seguir dialogando com
    Sharon, recém eleito e torpedeou o acordo.
  • 2002 – Iniciativa Saudita – Pela primeira vez um plano multilateral elaborado
    por países árabes sob liderança Saudita. Plano interessante porém chamava
    as partes a negociar a questão do “direito de retorno” – inaceitável por parte
    de Israel e inalienável por parte de Arafat, Outra vez a iniciativa morreu no
    nascedouro.
  • 2003 – Mapa do Caminho – Proposta do “Quarteto” ( União Européia, USA,
    Rússia e ONU). Liderado por Bush o plano detalhava etapas a serem
    cumpridas, iniciando com as questões mais simples e avançando
    gradualmente. Com dificuldade o plano leva à Conferência de Genebra.
  • 2003 – Genebra – Sequência do Mapa do Caminho. Proposta centrada em
    segurança e confiança. Israel devolveria quase a totalidade da Cisjordânia,
    Jerusalém seria internacionalizada com o Muro das Lamentações sob
    soberania de Israel. Novamente a questão do”Direito de Retorno” torpedeou
    qualquer acordo.
  • 2005 – Sharm A Sheikh – Reunião entre Ariel Sharon (Israel), Mahmoud
    Abbas (Autoridade Palestina), Mubarak (Egito) e Rei Abdallah (Jordânia).
    Tentativa de por fim à Intifada que já durava 4 anos. A recente morte de
    Arafat e eleição de Abbas abre uma nova possibilidade. No entanto as
    acusações mútuas, principalmente pela mídia de cada lado, minam os
    acordos.
  • 2007 – Annapolis – Nesta etapa Israel ofereceu 94.1% do território
    reivindicado pelos Palestinos, concordou em ceder Jerusalém Oriental, que
    seria a capital da Palestina, manter Jerusalém como cidade aberta, fazer
    pequenas retificação de fronteira e receber um número de refugiados. Abbas
    hesitou (com medo da reação das forças radicais Palestinas). Ele faz
    contraproposta (ao invés de 5.9%, cederia 1,9% do território). A demora na
    resposta de Abbas foi um golpe na população Israelense que se tornou
    menos tolerante e elegeu Netanyahu. A situação se complicada com a vitória
    do Hamas nas eleições em Gaza. O Hamas declara que não aceitará
    nenhuma concessão ou acordo firmado com a OLP. Com a radicalização e
    as acusações mútuas constantes, mesmo com tratativas repetidas de
    recolocá-lo nos trilhos o plano acabou abandonado. Em 2008 o Hamas em
    Gaza e Israel entram em guerra e com isto as negociações são
    abandonadas. Mais tarde tanto Abbas como Olmert comentariam que a
    demora na tomada de decisão foi crucial para que o conflito não fosse
    resolvido.
  • 2011 – Plano de Paz Israelense – Não é um plano de governo mas sim de
    uma sugestão da esquerda Israelense, endossada por 40 alto oficiais do
    exército de Israel, ex- comandantes do Serviço Secreto e ex- ministros da
    defesa. O plano oferece total retirada dos territórios conquistados,
    internacionalização do Monte do Templo e o reconhecimento de um estado
    Palestino e de Israel como Estado Judeu. O Establishment Árabe se recusa a
    reconhecer Israel como Estado Judeu e o plano está dormente.

Acabado o carnaval, que venha um novo plano.E – oremos – que seja implenteado!

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