JUSTOS-CAPA- CONSTANTIN KARADJA

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

O príncipe Constantin Karadja é um Justo entre as Nações.

CONSTANTIN - Karadja_Pasha1Constantin Jean Lars Anthony Demétrio Karadja, nasceu no dia 24 de Novembro de 1889, em Haia, na Holanda, filho de um pai grego e de uma mãe sueca durante o mandato de seu pai como embaixador do Império Otomano nos Países Baixos.

A sua família era aristocrática e tinha raízes em Constantinopla, bem como entre os governantes da Valáquia, no século XVIII e XIX.

Profundamente influenciado pela formação humanista que recebeu na Inglaterra, Constantin Karadja falava vários idiomas: inglês, francês, alemão, romeno, sueco, dinamarquês e norueguês, bem como latim e grego.

Constantin dedicou atenção especial para a garantia dos direitos humanos ao longo de sua carreira. O príncipe se dedicou a proteger principalmente os cidadãos romenos, independentemente de etnia ou religião.

Quando jovem, Constantin estudou direito em Londres e casou-se com sua prima, Marcelle, que era romena. O casal decidiu se instalar na Romênia, onde Constantin se juntou ao Foreign Office e embarcou em sua carreira diplomática.

Conforme os anos 1930 avançavam, a já abalada democracia da Romênia se deteriorou lentamente em direção de uma ditadura fascista. Até 1938, convocou eleições à vontade; como resultado, a Romênia experimentaria mais de 25 governos em uma década.

Esses governos foram progressivamente dominados por vários partidos antissemitas, ultranacionalistas e principalmente fascistas.

A milícia “Guarda de Ferro” de extrema direita nazifascista, mais outros partidos da mesma tendência, explorava o nacionalismo, o medo do comunismo e o ressentimento por uma suposta dominação estrangeira e judaica da economia. Praticava massacres continuados.CONSTANTIN + HITLER

O regime de Antonescu, aliado à Alemanha nazista, adotava uma política de opressão e massacre de judeus (e, de forma secundária, de ciganos), embora principalmente nos territórios orientais.

Um golpe em agosto de 1944 liderado pelo rei Miguel, depõe a ditadura de Antonescu, e coloca a Romênia no lado dos Aliados pelo resto da guerra.

Constantin Karadja, serviu como cônsul-geral romeno em Berlim de 1933 até o fim de 1941 e ficou indignado com a política racista dos nazistas contra os judeus. Defendeu os judeus romenos e expressou sua repulsa ás ações dos nazistas, em sua correspondência com o Foreign Office, em Bucareste.

Imediatamente após o pogrom da Kristallnacht (Noite dos Cristais, ou Noite dos Vidros Partidos) na Alemanha, quando lojas de propriedade de judeus foram depredadas (com vidros das vitrines espalhados pelas calçadas, daí o nome) de 9-10 de novembro de 1938, Constantin começou a tomar medidas vigorosas contra a expropriação de propriedades de judeus romenos no Terceiro Reich.

Ele elaborou listas dos vitimados pela política de “arianização” e de suas propriedadCONSTANTIN - foto video1es que enviou aos seus superiores para que Bucareste pudesse protestar contra essas ações e exigir o retorno dos bens saqueados. Em mensagens ao Foreign Office ele declarou que seu dever era proteger os judeus em nome do direito internacional e do princípio universal dos direitos humanos.

Mais especificamente, afirmou, a Romênia tinha a obrigação de emitir passaportes atualizados para os judeus romenos na Alemanha para que pudessem sair.

Quando Constantin Karadja foi instruído a acrescentar a palavra “judeu” aos passaportes dos judeus romenos, ele insistiu que a diretiva fosse rescindida, afirmando: “Do ponto de vista humanitário, vamos piorar ainda mais a situação desses desafortunados, acrescentando desnecessários obstáculos à sua fuga.”CONSTANTIN - foto video3

Ao invés disso, sugeriu usar apenas a letra” X “de uma forma que só poderia ser identificada pelas autoridades romenas. No final de 1941, ele foi convocado para Bucareste e nomeado diretor da unidade de passaporte do Ministério das Relações Exteriores.

Lá, ele continuou a insistir que seus superiores protejam os judeus da Romênia, particularmente aqueles que se encontravam em países ocupados pelos nazistas e estavam em perigo de serem deportados para campos de concentração.

Ao diretor-geral do ministério e ao ministro das Relações Exteriores, Mihai Antonescu, ele escreveu que “eles devem insistir para que a Alemanha mostre a mesma atitude em relação aos judeus romenos, como fez com os cidadãos dos países do Eixo da Bulgária e da Hungria”.

Em novembro de 1941, ele escreveu para as legações romenas que “devem proteger todos os cidadãos romenos no exterior, sem distinção”.

Mas em 1942, a Romênia enviou uma circular secreta às suas legações estrangeiras decCONSTANTIN - entrevistalarando que não era mais responsável pela proteção dos judeus romenos, efetivamente abandonando-os aos nazistas.

Em 1943, Karadja exortou o Ministro dos Negócios Estrangeiros a proteger 600 judeus romenos, que, como outros judeus de países neutros e do Eixo, exigiam ser devolvidos à sua terra natal ou seriam inevitavelmente deportados para “províncias orientais”, significando aniquilação.

Em fevereiro-março de 1944, os judeus romenos que viviam em França conseguiram partir para a Romênia.

Constantin Karadja mostrou grande coragem escrevendo cartas a seus superiores e aos líderes do país, advertindo-os para não apoiar a política assassina contra os judeus, porque depois da guerra a Romênia seria responsabilizada pelos crimes cometidos contra eles.

Karadja morreu em 1950, depois de uma vida defendendo os direitos humanos.

Graças aos esforços de Constantin Karadja, foram salvos 600.000 judeus franceses, 10.000 judeus romenos, 51.000 judeus húngaros e algumas dezenas de judeus alemães devolvidos ou que migraram para a Romênia, salvos de perseguições nazistas. O seu trabalho era tão notável, que acabou por ser demitido e mais tarde, a Romênia recusou a pagar-lhe a pensão.

Em 18 de maio de 2005, o Yad Vashem, Museu do Holocausto de Israel, outorgou a Constantin Karadja o título de um dos “Justos entre as Nações”.

 

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