to de mal

Que pais nunca viram seus filhos fazerem cara feia pra eles, ou tirarem a língua, ou dizerem que são chatos, ou que não gostam deles, ou ficarem bravos com eles? Se não, deve haver algo estranho aí na relação. Por outro lado, que pais nunca ouviram seus filhos dizerem que eles os amam, que são tudo pra eles, receberam um abraço dos filhos, um desenho, uma produção deles aos pais? Também, se nunca deve haver algo estranho aí nessa relação.

Esses momentos acima, representam o amor e o ódio nas relações. Em todas elas e também entre pais e filhos. “Ah, mas ódio? Não é muito radical?”, alguns podem perguntar. O ódio tem seus derivados, como a raiva, a irritabilidade, o incômodo, a chateação, o mal-estar e por aí vai. Pensem: vocês nunca se irritaram ou ficaram bravos com seus pais? Nunquinha nunquinha? Nem quando vocês queriam muito fazer algo ou ganhar algo e seus pais disseram “Não!”?

Então: o amor e o ódio convivem na relação entre pais e filhos, só que um não anula o outro. Não é porque o filho disse que o pai era chato, que ele deixou de amá-lo. Sentimentos ambivalentes, conflitantes e que convivem, em que às vezes um sobressai mais que o outro. Mas nenhum é anulado.

Com isso, abro a reflexão para pensarmos sobre pais que se ofendem. Pais que levam para si como uma ofensa quando o filho manifesta sua raiva por alguma frustração, por exemplo. Esse tipo de atitude, pode refletir, no meu ponto de vista, a ferida que os filhos deram no desejo dos pais de que os filhos apenas os amassem. Uma ferida no desejo dos pais de serem tão perfeitos que nunca os filhos os odiariam, mesmo que por alguns instantes. Mas a ofensa, pode colocar os pais no lugar de criança que ficou “de mal” porque uma outra criança fez algo que não gostaram.

Abro para a reflexão que promova a abertura para a possibilidade de sustentar a ambivalência de sentimentos na relação entre pais e filhos. Isso muitas vezes não é fácil, verdade, mas não quer dizer que não seja possível. Dando-se conta e lembrando sempre que um sentimento não anula o outro, talvez seja um passo.

Nas relações suficientemente boas entre pais e filhos, mesmo com momentos de raiva, o amor tende a vencer.

Até a próxima!

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/02/to-de-mal.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/02/to-de-mal-150x150.jpgSefi StrengerowskiCRIANÇA, FAMÍLIA E ESCOLAEXPERTSamor,pais e filhos,raiva,relações familiaresQue pais nunca viram seus filhos fazerem cara feia pra eles, ou tirarem a língua, ou dizerem que são chatos, ou que não gostam deles, ou ficarem bravos com eles? Se não, deve haver algo estranho aí na relação. Por outro lado, que pais nunca ouviram seus filhos dizerem...Comunidade Judaica Paulistana