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Essa é uma das melhores partes de se ter um cachorro, os passeios. Caminhar com seu cachorro pela rua é uma delícia, isso se ele não for um desses tratores que vai puxando o dono sem dó nem piedade. Sei que é errado, mas não dá para não rir quando a gente vê um dono sendo arrastado pelo cachorro, muitas vezes o dono já com cara de desespero, prevendo o “acidente” que vai acontecer, tipo pessoas desavisadas que, no susto, derrubam sacolas e o que tiverem carregando, coleiras enroladas nos postes, porque o cachorro não tá nem aí, ele foca o alvo e vai embora. Se o poste está lá, problema do poste. O problema maior é quando o poste está entre o meio fio e um carro estacionado, e o dono é obrigado a passar por esse espaço limitado, sem medir, pois está sendo arrastado, e o cachorro nem aí, só no foco.

Isso acontece com cães que não passeiam com a frequência necessária. O passeio serve para tudo, veja bem, tudo mesmo. Problemas comportamentais? Passeios constantes. Problemas sociais? Passeios constantes. Agressividade sem motivo aparente? Passeios constantes. Seu cachorro tem aquela mania esquisita de, de repente, começar a correr feito louco pela sala, subindo e descendo do sofá, esquecendo que você existe e nem ligando para obstáculos? Passeios constantes. Isso porque a maioria dos problemas comportamentais são resultado de uma vida urbana e corrida, a nossa. E devíamos nos preocupar mais com a outra vida, a deles. Animais têm muita energia, e nossos cães têm muita energia acumulada, já que ficam dentro de casa e saem para pequenos passeios diários. Claro que não podemos abrir mão de nossa rotina para sair três vezes por dia com o cachorro em passeios de uma hora de duração cada. Mas podemos fazer o possível, algo como umas 4 ou 5 vezes por dia um passeio curto, uma volta no quarteirão, ou pelo menos uma ida e volta até a esquina.

No passeio o cachorro descobre coisas, gasta energia, conhece pessoas e cães, sente cheiros, enfim, faz tudo que um cachorro deve fazer para não se transformar num estorvo.

Eu moro no mesmo lugar há quase 40 anos, e nunca conheci tanta gente como desde que o Bud chegou. Então eu percebi o quanto as pessoas se isolam. Até o Bud chegar eu não tinha porque andar na rua, só saía de carro e não falava com ninguém por aqui, afinal, nem os conhecia. Mas começamos os passeios e, de repente, era como se conhecesse toda a vizinhança desde muito tempo. As pessoas que andam com cães normalmente estão mais propícias a cumprimentar, parar para uma conversinha, e o cachorro é o agente catalisador da coisa. Sempre digo que o cachorro é o melhor relações públicas que existe.

Voltando ao começo do capítulo, aquele trator chamado cachorro. Como fazer para ele não ser assim? Passeando, oras. Se o cachorro passeia pouco, quando ele sai já sabe que tem que aproveitar ao máximo, pois não sabe quando será o próximo passeio. Então a maneira que ele encontra de curtir tudo é ir o mais longe possível, cheirar o máximo de coisas pelo caminho, puxar o dono para ele acompanhar o passo, fazer xixi em todo lugar pros outros saberem que ele passou por lá, e coisas assim. Quando o passeio passa a fazer parte da rotina dele fica tudo mais fácil.

A primeira coisa, se você usa enforcador, coloque-o da maneira correta. Essa é uma das coisas que me deixa maluca. As pessoas compram e vendem enforcadores, mas ninguém ensina a usar. Vou tentar ensinar aqui, pois é algo fácil de mostrar, mas difícil de falar, dá pra entender? Lembra quando falei pra ensinar seu amigo a amarrar um tênis sem mostrar, só falando? Então, é a mesma coisa. Não é tão fácil quanto parece, não é?! Então vamos lá, pegue o enforcador já preparado para colocar no cão. Até aí tá fácil, agora começa a diferença, faça um P deitado, com a barriga do P para baixo, e coloque no cachorro de frente para ele. A parte da guia que prende no enforcador deve estar por cima do pescoço dele, saindo pelo lado direito do cachorro. Uma ideia legal é você colocar da maneira correta e da maneira errada, ou seja, formando um q ao invés do P, no braço de alguém, só para você sentir a diferença, e pode dar o tranco, não tão forte, claro, para entender o funcionamento correto dele. Bem, colocando dessa maneira ele vai andar do seu lado esquerdo e o enforcador vai fazer o seu papel de verdade, dando umas beliscadas no cachorro a cada tranco, mas liberando em seguida. Sim, sei que o nome disso é enforcador, mas se você quer, literalmente falando, enforcar o seu cachorro, por que ter um cachorro? O enforcador serve para dar umas beliscadas nele a cada vez que ele puxa, mostrando que o certo é andar ao seu lado. Bem, colocou certo o enforcador? Agora coloque o “colar” o mais alto possível, para tentar não pegar a traqueia do cachorro. Sei que escorrega e tal, mas de vez em quando posicione o enforcador pro alto para facilitar a vida de vocês.
E bom passeio!!!!

Ah, se você é daqueles que acha aquele enforcador de garra um charme, coloque no seu próprio pescoço e vá passear sozinho. Aquelas garras só servem para machucar de verdade um cachorro. Já vi cachorro que, de tanto tentar se livrar das garras, vai se posicionando de um jeito que elas acabam entrando na pele do cachorro, de verdade. É horrível, parece objeto de tortura. E não me venha com essa de usar as garras para fora, pois dessa maneira você machuca os outros cães, aqueles que gostam de brincar com seu cachorro e, sem querer, dão de encontro com as garras, às vezes até no olho, podendo fazer um bom estrago.

Bem, outra maneira muito interessante de se controlar o cachorro no passeio é o uso da coleira Gentle Leader. Fora do Brasil ela é vista com mais frequência, por aqui as pessoas acham que ela maltrata o animal. Não maltrata, eu garanto que, se usada da maneira correta, ela faz o seu cachorro andar do seu lado em questão de muito pouco tempo. O distribuidor autorizado da Gentle Leader no Brasil é a Lord Cão, e você pode conhecer através do site www.bitcao.com, onde tem inclusive vídeos mostrando a coleira em funcionamento. Ela é como um cabresto do cavalo, e quando você puxa a guia o cachorro sente uma pressão no focinho, onde ele entende na hora que está errado, pois é dessa maneira que a mãe dele briga, dando uma abocanhada na fuça do desavisado. Eu já usei muito essa coleira quando treinava cães, e sempre com sucesso.

Agora sim, prontos pro passeio? Vamos lá, deixe o cachorro sentir os cheiros, conversar com os amigos, olhar a rua, brincar, só não esqueça de levar algo para catar o cocô que ele provavelmente vai fazer, em pelo menos um dos passeios do dia. Aproveite para conhecer gente também. É incrível, às vezes eu estou nervosa e decido sair com o Bud para relaxar. Em pouco tempo tudo passa. Gastamos energia, encontramos pessoas na rua para conversar um pouco, tomamos um suco ou um café, e voltamos renovados para casa. Tenho certeza que com você será a mesma coisa.

Caso o cachorro tenha medo do passeio tenha muita, mas muuuuuita paciência. Não force a caminhada, mas também não estimule o medo pegando no colo ou voltando pra casa. Deixe a guia um pouco mais relaxada e acompanhe o peludo. Se ele fizer o caminho de casa mude de lado e siga andando. Quando ele sentir o tranco vai te ver de costas e vai até você. Faça carinho e continue andando, de vez em quando uns tranquinhos para ele te acompanhar, de leve, nada que traumatize o cachorro. Vale levar petiscos também, abaixar na ponta da guia e dar se ele for até você. Se você tiver algum amigo que tenha um cachorro legal chame para sair junto. É super estimulante pro cachorro ver que o passeio é uma atividade muito legal para todos.

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