Yaffo
Ser guia em Israel traz maravilhosas recompensas. A mais recente ocorreu ontem, em volta de uma mesa de madeira, na recepção de um escritório de advocacia em Tel Aviv.
O fato começa com a querida filha de uma querida vizinha de porta que eu tinha no Brasil. Antes porém, deixe-me lembrá-la, querida leitora, que eu me mudei do Brasil para Israel e voltei a exercer a função de guia de turismo, na qual me formei aqui em israel no longinquo 1970. Você, leitor, não fique com ciúmes que me dirigi à querida leitora – mas a verdade é que sempre tive uma queda especial pelas mulheres – seres capazes de chorar num filme e ficarem fortes numa tragédia; capazes de odiar um vilão da TV e amar um vilão na vida real!
Bem, fui me encontrar com a Jéssica – este é o nome da linda moça que se tornou advogada capaz. A conversa deveria ser estritamente profissional, na área do direito e não do turismo. Mas a veia de guia falou alto.
Jéssica mencionou que seu sócio estava hospedado em Yaffo (Conhecida também como Jaffa e, na mitologia, como Joppa). Isto me levou, na velocidade do pensamento, a falar sobre a cidade do mais antigo porto da humanidade, em uso contínuo há 5000 anos! Diz a lenda que Jaffa foi fundada por Jaffé, filho de Noé, logo após desembarcar da arca, ao final do diluvio.
Por esta cidade passaram (e deixaram suas marcas) personalidades como Ramsés II do Egito e Napoleão da França, os barcos do Rei Salomão trazendo os cedros do líbano e os exércitos dos Cruzados, os discipulos de Jesus e os primeiros imigrantes Sionistas, os vitoriosos Ingleses da I Guerra Mundial e o mitológico General Salah A Din – ou seja, a cidade viu passar e viveu quase todos os grandes acontecimentos da história.
Mas eu preferi falar com a Jéssica sobre Andrômeda. A história de Andrômeda contem elementos de ciúme de de amor, de violência e de superação, como cabe no maravilhoso coração e mente de jovens que ainda estão gerando seus primeiros filhos, na passagem de uma descomprometida juventude para uma responsável vida adulta.
Conta a mitologia Grega que Cefeu, Rei de Jaffa e sua esposa, Cassiopéia, viviam muito bem nesta cidade e tiveram uma filha, Andrômeda. Cassiopéia, mulher maravilhosa, deixou que sua beleza lhe subisse à cabeça e declarou-se a mulher mais linda que existia, mais bonita que todas as Ninfas Nereidas. Ora, as lindas Nereidas, dominadoras do mar, clamaram a seu tio Okeanus para que punisse Cassiopéia. Okeanus então clama a Posseidon, deus do mar e este libera o monstro marinho Cetus, que traz uma tremenda tempestade para afogar Jaffa.Vendo que seu reino estava por ser tragado pelo mar, Cefeu e Cassiopéia decidem oferecer sua linda e virgem filha, Andrômeda ao monstro marinho Cetus. Para isto, acorrentam Andromeda em uma pedra no mar frente a Jaffa.
Perseu vê a linda Andrômeda acorrentada à pedra e pede a Zeus para vir salvá-la. Zeus lhe oferece Pegasus, seu cavalo alado apesar de Perseu poder voar graças às suas sandálias aladas. Perseu salva Andrômeda pouco antes do monstro Cetus alcançá-la. Pede a mão dela em casamento e Cefeu a concede.
Eles casam-se e vão viver em Argos. No entanto, Andrômeda havia sido prometida ao seu tio, Phineus que tenta recuperá-la. Perseu havia, em sua juventude, matado a Medusa e carregava sua cabeça. Todos que olhassem para Medusa se transformavam em pedra. Perseu mostra a cabeça de Medusa a Phineus e este imediatamente se transforma em pedra.
Perseu e Andrômeda geram seis filhos e uma filha. Seu filho Perses abandona sua casa, vai viver na Ásia e dele descendem os Persas…
Hoje, no céu, três constelações lembram esta lenda – Andrômeda e Perseus frente a frente e, um pouco mais atráz, Cassiopéia!
Jéssica ouvia com atenção. A mim parecia que seus olhos brilhavam, tal como brilham os olhos de meus netos quando lhes conto histórias – ou talvez eu me engane, querendo acreditar que minhas histórias ainda emocionam alguém…
Jéssica se atrasou para seu jantar, mas eu voltei realizado para Holon!!!
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