Muita gente me pergunta o que motivou o meu processo de teshuvá (retorno, quando um judeu afastado volta ao judaísmo, começando a respeitar todas as leis).

Claro que cada pessoa tem o seu “gatilho”. Cada pessoa tem que usar o seu próprio “racional” para fazer qualquer coisa na vida, para acreditar em qualquer coisa. E eu, claro, não sou diferente.

O que eu vou dizer pode parecer muito paradoxal, mas eu comecei a ficar religioso simplesmente porque sou muito cético ! Não, você não leu errado. Eu sou muito cético !!! E foi justamente isso que motivou o início do meu processo de teshuvá.

Explico : uma pessoa cética, racional como eu, normalmente tem os pensamentos muito bem organizados e acaba conduzindo a vida através de certas premissas. E, na medida que comecei a frequentar a sinagoga e comecei a participar de aulas e ler livros, tive que começar a repensar as minhas premissas.

Começamos com a premissa básica e maior que existe em se tratando de religião :
Existe um D-us ? Existe um Ser Superior que criou tudo e que comanda tudo ? Ou não ? Tudo que existe aqui surgiu de uma explosão e foi formado ao acaso ?

Essa é a diferença básica entre aquele que acredita em D-us e o ateu : o ateu tem que ter muita fé, já que precisa acreditar que todo o Universo foi criado ao acaso, da mesma forma que, se jogarmos um quebra-cabeças de 1 bilhão de peças ao vento, ele cairá com todas as peças em seus devidos lugares. Tem que ter muita fé para acreditar que isso é possível. Já o cético, ele não vai acreditar nisso. Não tem lógica alguma, não faz sentido nenhum. Assim, ele é OBRIGADO a acreditar que “Alguém” deu uma mãozinha para que isso ocorresse.

Passada essa primeira etapa e tomando aqueles que acreditam em D-us, temos uma segunda pergunta :
D-us criou tudo isso, se deu a todo esse “trabalho” pra nada ? Ele não tem nenhum propósito ? Cada um está nesse mundo para fazer o que quiser ?

Claro que não podemos imaginar isso. Não faria sentido nenhum ! Assim, temos que imaginar que Ele tem algum propósito maior para isso tudo. E, seguindo nessa linha de raciocínio, se Ele tem algum propósito para nós, Ele não pode querer que nós adivinhemos o que fazer. E, assim, para resolver esse problema, Ele nos deu Seu Manual de Instruções : a Torá ! Nesse Manual de Instruções, D-us está nos dizendo exatamente o que quer de nós. Exatamente o que temos que fazer para que “funcionemos melhor”. Afinal, quando você compra um aparelho elétrico cujo manual diz que funciona em 110 V, você não vai colocar em 220 V, porque você sabe que não vai dar certo. E assim é com a Torá : saibamos ou não os motivos, devemos seguir o Manual de Instruções, de forma a podermos cumprir o propósito que Ele nos determinou.

Na medida que acreditamos em D-us e na Torá, resta diferenciar aqueles que acreditam 100 % na Torá e aqueles que acham que ela deva “se modernizar” ou “se atualizar”. Esses são de uma arrogância sem tamanho, já que acham que são maiores que D-us, posto que querem “corrigir” Seu trabalho, dando a entender que Ele não sabia do futuro e, portanto, fez uma Torá temporal, que, passados alguns anos, “caducou”. Já os que acreditam 100 % na Torá tem a humildade de saber que, mesmo não a entendendo por completo, pura e simplesmente por ser a Obra Divina ela está correta e nós é que temos que estuda-la diligentemente para entender nem que seja 1 % de seu conteúdo.

Assim, tendo forças para cumprir Suas determinações ou não, o bom senso me obriga a acreditar em D-us e na Torá. E foi isso que motivou o início do meu processo de teshuvá.

E você, em que acredita ?

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Nessa coluna tentarei divulgar mitsvót, halachot e suas explicações e ajudar cada judeu a cumprir mais uma mitsvá. Mandem sugestões de temas, perguntas e críticas. Ajudem a fazer uma coluna bacana para todos !

Abraços e até a próxima,
Roberto (Beto) Leon

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