Como agir quando o assunto é traição?

É… Não é fácil falar disso… E quando é com a gente, então? Ficamos assim, meio sem chão…. Meio cansadas, achando que mais cedo ou mais tarde vamos ter que nos deixar levar pela enxurrada…

Porque, em geral, a gente aprende a enfrentar tudo o que vem pela frente, e, muitas vezes, até pelas costas… Mas quando começa a vir do lado da pessoa de quem a gente mais gosta, a gente meio que se pergunta se vale a pena… Reavalia a relação e pensa pelo que vale lutar. Se vale a pena ficar… Porque superar a gente supera, com esforço, mas supera…. dá um jeito; dá a volta por cima, ou pelo menos acha ou espera. Mas, no fundo não releva nada e guarda mágoa em forma de rancor, rancor que não passa nem perdoa, só finge, brincando de imitar, numa pálida mímica do que antes costumava ser amor. A traição é tão difícil de aceitar porque não vem de fora. Não vem de estranhos. Vem de quem a gente mais confia, vem como se fosse de dentro da gente. Como se, de repente, tudo em que a gente acreditasse, a base em que a gente construiu nossa vida, ficasse sem seu alicerce principal.

Às vezes a gente se ilude, mas na verdade sempre sabe. Não tem intuição que falhe, assim como não tem traição que não se anuncie… Que não se mostre ou pela falta ou pelo excesso. Pelo elogio exagerado ou pelo nervosismo descabido, que tentam, mas não disfarçam o interesse que se manifesta por outros olhos e outras bocas. As vezes é só uma distração, uma brincadeira boba, mas uma brincadeira boba que vai crescendo e tomando corpo, e acaba levando ao desamor.

E desamor, desatenção, só perdoa quem ama demais ou quem nunca amou… Mas não existe apenas um jeito, não existe o jeito certo ou errado de se lidar com a traição. Descobre quem quer mesmo saber e, às vezes, releva mais fácil quem finge não ver. Quem acha que com ele não acontece…. E tem gente que realmente aceita, sofre calado e, por vezes, esquece. Ou porque acha que todo mundo erra, ou porque acha que tudo vale a pena e que o outro ainda merece. Mas tem gente que, mesmo frente todas as evidências, finge, e até aparenta ser muito feliz, mas que por dentro se corrói e raramente a ferida fecha. Apenas esperando o momento de aflorar. E as evidências são claras… É um perfume mais forte, um atraso para jantar, um compromisso de trabalho, a viagem de “retiro”, é como um “se retirar de cena” discreto, como se ninguém fosse perceber.

São as coisas do dia a dia que de repente irritam, é uma intranquilidade sem motivo, é um “não sei”, um “tanto faz” que se cala, e um “dar de ombros” que no silêncio revela. Mas tem gente de todo tipo. Tem homem que trai por trair, só para provar que pode, para ver se ainda estaria no jogo, se quisesse. E tem os que acham até que trair é parte da relação. Vão nos barzinhos, nas baladas, principalmente nas férias escolares, e deixam aflorar o que acham que seja “o garanhão”…. Como se representasse um papel.

A mulher com os filhos de férias na praia. Ela, por sua vez, seja solidão ou curtição, fica de conversa com o sarado.com, tudo como se fosse normal, tudo como se fosse uma brincadeira. Mas um belo dia o celular dele toca, ele está no banho, ela atende e é a “Lu” confirmando o jantar. Ou é ele que entra no computador dela para procurar o nome do veterinário e, sem querer, dá de cara com as mensagens do “Dr. Bruno”, pedindo um nude…

E aí a tal brincadeira já não é mais brincadeira. É uma briga. São palavras cada vez mais duras. E é tudo uma estupidez sem tamanho, baseada em um sentimento bobo, tacanho. Ela o ama e ele a ela, ele jura e ela se altera. Ele se desculpa, não sem antes distribuir culpas. Ela espera e de repente se desespera. Ele grita, ela chora, ele implora, ela perdoa. Ele compra uma joia. Na verdade compra duas, ela deleta o doutor Bruno, ele coloca segredo nas fotos das mulheres nuas.

Ela fuça as coisas dele, pois lá se foi a confiança, vê de quem são as postagens que ele curte e se puder, não hesita em envolver as crianças. Para ela é a luta pela família, para ele são técnicas de guerrilha, mas tudo vale na guerra e no amor, até se convencer que um não se importa se o outro for traidor.

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