A noite vai chegando e meu artigo para esta terça feira não sai… Deu branco, não aparece assunto.
Na verdade, não é isso. Aparece um monte mas vou descartando um por um – este parece fora de lugar, este outro é muito sério e o próximo não tem graça. O tempo vai passando, a pressão pelo artigo aumenta, a adrenalina vai tomando o lugar do raciocínio … mas o danado do texto – nada! O computador com sua tela branca, reluzente parece estar rindo de mim – e a risada é cada vez mais alta!
Se é para dar risada, pensei, eu também vou rir. E o que fiz? Passei a buscar lá no recôndito da memória algumas situações que me fizeram rir – ou pelo menos sorrir. E achei.

Num passeio por Newcastle havia uma placa na estação de metrô que dizia mais ou menos o seguinte:
“Cuidado! Fios de Alta Tensão. Tocar nestes fios é morte instantânea. Multa de 200 Libras”…
Na porta de um teatro onde se exibiria um artista de stand-up:
“Rir é o melhor remédio, a menos que você esteja com diarréia”
Sei lá, parece que eu não estava te agradando, querido leitor. Escrevi intencionalmente querido leitor porque talvez só haja um mesmo. Foi quando minha esposa me pediu para apertar o parafuso da maçaneta e eu tive de ser ríspido na resposta:

– “Se eu te disse que vou consertar é porque eu vou consertar. Não precisa ficar me cobrando a cada seis meses!” E me lembrei de uma amiga, que perguntou a seu filho:
– Querido, o que vocês fizeram hoje no laboratório de química?
– Fizemos explosivos mamãe.
E ela pensou: “puxa, hoje em dia inventam cada uma”- e logo perguntou
– E o que vão fazer amanhã na escola?
– Escola? Que escola, mamãe?

E o tempo vai passando quando, quase onze da noite, me liga meu amigo Marco Niero, quase chorando – sua esposa acabara de dizer que o casamento havia terminado. Estranhei, quiz saber a razão. Ele me disse que estavam comendo num restaurante caríssimo e super elegante quando ela derrubou ketchup em sua blusa de seda e disse:
– “Estou parecendo uma porca” – ao que ele respondeu.
– “É verdade, querida. Além disso, você derubou ketchup em sua blusa”.

De repente meu artigo começava a tomar forma. Resolvi me concentrar – mas isto é impossível em tempos de celular. Meu dentista me liga para me comentar que Lula, ele mesmo, o homem mais honesto deste país, esteve em seu consultório. Ele me conta que ao examinar os dentes disse a Lula:

– “O Sr. Precisa de uma coroa”, ao que Lula teria dito
-“Até que enfim, alguém que me entende”.
Eu então contei a ele o que aconteceu na campanha para presidente em 2006.
Lula discursava em Florianópolis
– Cidadões, saibam que se eu for eleito, vou construir as escola. Vou construí também as creche e as igreja. Vou asfaltá as rua, as avenida e embelezá as praça!
Um assessor vendo que não estava pegando bem, cochichou:
– Chefe, emprega o plural que o Sr. ganha mais votos.
Lula se empolgou, disse: deixa comigo – e continuou
– Se vocês me ajudá a ser eleito, eu vou empregar o plural. Mais que isso, vou empregar a mãe do plural, o pai do plural e até o primo dele porque eles é gente boa e eles merece!

Que legal, pensei – o branco está indo embora e talvez este artigo acabe agradando a alguns. Buscando mais inspiração, liguei a TV e vejo dois políticos conversando. Um diz ao outro:
-“Não sei o que as pessoas têm contra nós. Nós não fizemos nada!”
E eu penso: e quanto eles ganham para não fazerem nada…

Começa a retrospectiva da olimpíada e a reporter fala sobre o problema em uma das olimpíadas, quando 8 de cada 10 participantes sofreram com diarréia. Fiquei pensando: “quem seriam os outros dois que ficaram felizes com a diarréia”?
E por fim o “quase” entrevero diplomático quando Lula visitou Santiago do Chile. Ele ficou furioso por não lhe darem um quarto frente ao mar. O representante do Ministério do Exterior Chileno tentou explicar que Santiago não tem mar – mas Lula, irredutível:
– “Não me venha com história. Eu olhei o mapa do Chile e vi que ele é bem estreitinho…”.
E consegui, assim, entregar minha coluna a tempo…

Até a próxima!

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