Está chegando o YOM KIPUR, que venha em Paz, Dia máximo de Santidade e de reconciliação com o Criador. Mas antes da entrada de Kipur, é nosso dever sagrado procurar corrigir nossas falhas para com nossos irmãos, cumprindo o mandamento positivo de: ” ve Ahavtá LeReêicha Camôcha” – ”Ame Teu próximo(Semelhante) como a Você mesmo!” – ou seja, NÃO adianta em Kipur pedir perdão pelos erros cometidos contra o Criador, tais como: Não respeitar Shabat e Festas como manda a Lei, não comer Kasher … se você NÃO SE RECONCILIOU DE FORMA VERDADEIRA E SINCERA COM TEU SEMELHANTE – antes você AMAR E RESPEITAR TEU IRMÃO, POIS ELE É TÃO FILHO DO CRIADOR DO MUNDO COMO VOCÊ!

Quem nos ensinou na prática este Mandamento tão elevado de nossa Sagrada Torá?

RABI AKIVA BEN YOSSEF ZY”A !!!

Ele nos deixou um legado imenso! A própria preservação da fé Judaica devemos a ele!!

Mas o que têm à ver Yom Kipur, 10 de Tishrê, o Mandamento de amar ao próximo e  Rabi Akiva???

TUDO!

Falaremos hoje do Rabi que deu sua vida pelo seu povo querido!

RABI AKIVA BEN YOSSEF ZTZK”L ZY”A, nasceu no ano 3760 da Criação, conforme nos relata o Talmud, no Tratado Berachot 27b, Akiva era filho de Yossef, um simples judeu convertido que descendia de Síssera, o Ministro de guerra do Rei Yavin de Canaã ( conforme o livro de Shofetim – Juízes cap 5, nos dias da Juíza Devora, a valente judia Yael matou o general do rei Caananita, Síssera, livrando o povo de Israel).  Ele viveu num período muito duro e triste da história de nosso povo: era o 1º século da era atual, os Romanos já tinham destruído Jerusalém e incendiado o Templo Sagrado no ano 69 EC, boa parte do povo Judeu estava no exílio pelo Norte da África, sul da Europa e Oriente Médio, outro tanto havia já sido exterminado.

Mas em meio a tanta destruição e calamidade, ainda em Galil ( Galiléia), ainda existia judeus, embora sofrendo sob domínio romano severo. Rabi Yochanan Ben Zacai ZY”A, havia escapado de Jerusalém e fundado na pequena aldeia de Yavne uma pequena Yeshivá, com poucos alunos, mas dali desta pequena Yeshivá, todo o Judaísmo foi salvo da destruição e soube se adaptar a dura realidade do Exílio e da falta do Templo Sagrado. Um de seus alunos iria perpetuar toda Tradição do Sinai, um homem iletrado, do campo, mas com um coração puro e determinado, que teve ao seu lado a companheira certa para isto.

 

INÍCIO DA VIDA DE RABI AKIVA:

 

Quando menino, Akiva cresceu numa família pobre e não recebeu educação. Ele nem sequer sabia ler! O jovem Akiva teve a sorte de conseguir um emprego de pastor e cuidava das ovelhas de um rico proprietário de terras chamado ”Kalba Savua”. Ser pastor era considerado um dos trabalhos mais inferiores possíveis, portanto ninguém prestava muita atenção a Akiva, exceto uma pessoa.

Enquanto Akiva levava as ovelhas ao pasto, dava-lhes água, e as contava para certificar-se de que estavam todas em segurança junto ao rebanho, captou o olhar da inteligente e sensível filha de Kalba Savua, uma jovem extraordinária chamada Rachel. Akiva cuidava amorosamente das ovelhas e as alimentava como se cada uma delas fosse a coisa mais preciosa do mundo. Certamente esse era um homem que poderia liderar, ensinar, se tivesse uma chance. Impressionada pela natureza bondosa de Akiva, Rachel decidiu que ele era o homem com quem desejava se casar.

Seu pai ficou desgostoso com sua escolha e tentou fazê-la mudar de ideia, mas Rachel estava certa do que queria. Em fúria, Kalba Savua expulsou o jovem casal de sua casa e disse à filha Rachel que, enquanto ela estivesse casada com aquele pastor, ela não receberia nem uma só moeda de sua vasta fortuna!

Rachel abandonou o luxo da casa paterna e mudou-se para uma cabana com Akiva. Ali passaram fome e frio, dificuldades e pobreza, porém com a forte crença que tinha na grandeza do marido, Rachel sentia-se feliz. Akiva fazia trabalhos esporádicos para as pessoas na cidade vizinha, e eles viviam com o pouco dinheiro que ele levava para casa. Uma das pessoas para quem trabalhava era Rabi Elazar Ben Horkanus ZY”A, que mais tarde se tornaria um dos professores de Akiva.

 

MUDANÇA DA VIDA DE RABI AKIVA:

”ÁGUA MOLE, PEDRA DURA…TANTO BATE, ATÉ QUE FURA!’

 

Certo dia, Akiva estava cuidando do rebanho de ovelhas de Rabi Elazar, quando notou uma pedra com um buraco no meio. O que era tão poderoso a ponto de abrir um buraco em algo tão duro quanto uma rocha? Ao se aproximar, Akiva notou uma gota d’água, uma simples gota que caía de cima e tinha provocado aquele buraco no decorrer do tempo. Essa foi uma descoberta que alterou a vida do simples pastor.

Ele pensou consigo mesmo: “Se algo tão duro quanto uma rocha pode ser furado por algo tão delicado quanto a água, certamente minha mente poderá absorver o estudo de Torá, pouco a pouco!”

Aquele foi o início da notável jornada de Akiva. Aos 40 anos, ele foi à escola com seu filho de cinco anos e aprendeu a ler o ”Alef Bet”. Quando já podia ler, aprendeu os fundamentos do Chumash (Pentateuco) e Mishná tão rapidamente, que surpreendeu os professores. Com a bênção de sua esposa, Akiva saiu de casa para estudar nas escolas dos grandes eruditos de Torá, em Yavne!

Rabi Akiva deixou sua casa para estudar na Academia de Yavne, que, após a destruição de Jerusalém, tornara-se a sede do Sanhedrin e da erudição judaica. Lá, estudou sob a orientação de dois luminares talmúdicos – Rabi Eliezer ZY’A e Rabi Yoshua ZY’A.

Ele se destacou nos estudos e no ensinamento de Torá com espantoso talento e profundidade. Após estudar por doze longos anos, com 52 de idade, distante de sua querida esposa, o erudito RABI AKIVA finalmente voltou ao lar.

Enquanto caminhava na direção de sua casa, entreouviu sua esposa falando com um vizinho: “Estou tão orgulhosa do que meu marido está fazendo; mesmo se ele decidisse estudar por mais doze anos, eu o encorajaria!”

Sem sequer entrar na casa, Rabi Akiva satisfez o desejo dela, fez meia volta e retornou aos estudos por mais doze anos tornando-se famoso por sua erudição. Finalmente ganhou reconhecimento de seu sogro.

 

É REVELADO O NOVO PILAR DA TORÁ:

 

Passaram-se vinte e quatro anos desde sua partida. Dessa vez, quando Rabi Akiva voltou, ele era conhecido em todo o país como o respeitado RABI AKIVA! Com ele foram 24.000 seguidores, todos que estudaram em suas escolas, e seguiam suas instruções.

Rachel corre até ele, prostrando-se a seus pés. Seus discípulos, desconhecendo de quem se tratava, tentaram afastá-la, mas seu mestre os deteve com as palavras que ficaram imortalizadas: “O que hoje possuo e do qual todos vocês desfrutam, somente pude conquistar graças a ela”.

Ele lhes disse publicamente que o estudo de Torá que ele e todos os alunos tinham adquirido se devia à sua esposa, Rachel!

Nesse ínterim, Kalba Savua tendo sabido da chegada à cidade de um notável erudito judeu, decide procurá-lo para conseguir a anulação dos votos que fizera contra a filha. Arrependia-se de ter permitido que Rachel passasse fome durante 24 anos e queria o seu perdão. E o grande erudito não era outro senão seu próprio genro, a quem rejeitara!!! Os dois se reconciliam e Kalba Savua dá a metade de sua fortuna a Rabi Akiva já em vida.

“Quem estuda a Torá na pobreza um dia o fará na riqueza”, ensinam nossos Sábios. E foi o que ocorreu a  Rabi Akiva. O Talmud revela que a partir de então, ele se tornou um homem abastado. Em sua casa havia mesas de ouro e prata. Para sua esposa, que tanto sofrera, que vendera o lindo cabelo para que ele estudasse, Rabi Akiva comprava os mais belos adornos.

Rabi Akiva a essa altura tinha se tornado um homem muito rico. Um navio cheio de despojos tinha miraculosamente sido levado à sua propriedade, e depois que seu sogro faleceu, ele herdou também sua fortuna. Para homenagear sua esposa, Rabi Akiva deu a ela uma coroa de ouro com a imagem de Jerusalém gravada sobre ela!

 

A GRANDEZA DA TORÁ TORNA O HOMEM GRANDE:

 

O mestre ensinava que a Torá, por ter sido escrita pelo Criador é completa, nada lhe faltando e, por outro lado, não contendo sequer uma letra supérflua. Em sua inteireza, é toda conteúdo, sem filigranas retóricas nem palavras vãs. Cada uma de suas letras e de suas pontuações abriga um significado profundo e, com frequência, misterioso.

Até a época de Rabi Akiva, a Torá Oral, cuja transcrição era proibida, não era classificada nem organizada segundo seu conteúdo. Consequentemente, um erudito tinha que possuir tremenda capacidade de memorização para conseguir lembrar-se de todos os seus preceitos e ensinamentos. Para evitar que o povo judeu pudesse, algum dia, esquecer-se da Torá Oral, Rabi Akiva iniciou um trabalho de classificação de cada uma de suas leis de acordo com o teor. Assim, estabelecia as fundações para as compilações da Mishná – núcleo do Talmud – que acabou sendo transcrito e editado, anos mais tarde, pelo Rabi Yehudá HaNassi ZY”A. Ao assim proceder, o sábio Rabi Akiva preservou a Torá Oral, assegurando, destarte, a sobrevivência do judaísmo.

Rabi Akiva dirigia uma academia de Torá em Bnei Brak. Com frequência, assistia as sessões do Sanhedrin – a Suprema Corte Judaica – na cidade de Yavne. Esta corte jamais adotou uma lei importante de cuja redação ele não tivesse participado. Certa vez, chegando atrasado para uma sessão, permaneceu aguardando do lado de fora. Ouviu-se, então, alguém dizer, no recinto, que “a Torá se encontrava fora”; e enquanto o mestre não entrou, não se tomou interpretação judicial ou decisão qualquer.

Rabi Akiva também era versado em diferentes ciências, como medicina e astronomia. Falava vários idiomas e, a miúde, acompanhava um de seus mestres, Raban Gamliel ZY”A, a Roma, levados pela causa do povo judeu.

Durante suas palestras, o estudioso mestre moralizava os ouvintes de forma inspiradora. Suas lições eram relatadas em todas as casas judias e todo judeu empenhava-se em regular sua vida segundo os preceitos morais da Torá do Rabi Akiva.

”AMA TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO!”:

Rabi Akiva foi um dos maiores eruditos que já viveram. Ele tinha explicações para todos os versículos da Torá. Talvez o dito mais famoso de Akiva seja: “Ama teu próximo como a ti mesmo.”

Rabi Akiva vivia aquilo que ensinava, realmente se preocupava com o bem-estar das pessoas e sempre tentava ajudar os outros. Dizia-se que dar dinheiro a Rabi Akiva era como dá-lo diretamente aos pobres, tão rapidamente ele levava aos necessitados.

Seus professores, seus colegas e seus ensinamentos atestavam ser ele a personificação do amor e da generosidade. O mestre gostava de repetir que tudo o que D’us fizesse, era para o bem, “Gamzu le-tová”. Dizia que o mundo deveria ser julgado segundo suas virtudes e o bem que aqui se recebia era apenas uma pequena parcela da recompensa que nos aguardava no Mundo Vindouro. Ensinou que até o mais simplório dos judeus  deveria considerar-se um aristocrata, por ser filho dos Patriarcas.

Rabi Akiva também costumava dizer que o povo judeu atestava a grandeza de D’us: o Criador libertara os filhos de Israel do cativeiro para Se redimir juntamente com eles.

E Rabi Akiva oferecia um ensinamento profético e assustador que acabou sendo aplicável a ele próprio: era em benefício do próprio D’us que Ele escolhera os judeus, entre todas as nações, pois que os outros povos louvavam seus deuses na prosperidade e os amaldiçoavam quando sua sorte lhes dava as costas. Mas os judeus, ensinava o Rabi, sempre louvam a D’us, quer na prosperidade quer na penúria.

Não surpreende, pois, que de todos os livros do Tanach, Rabi Akiva mais apreciasse o Shir HaShirim – Cântico dos Cânticos. Foi dos primeiros a nele perceber a descrição do amor entre D’us e o povo judeu. E era, de fato, o amor o tema central de sua vida e de seus ensinamentos.

Em seu entender, a essência de todo o judaísmo, o todo abrangente mandamento da Torá, pode ser encontrado em um de seus versos: “E amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Levítico, 19:18).

 

A ESPERANÇA DE DIAS MELHORES :

 

Com sua coragem e brilhantismo, o Rabi Akiva servia de inspiração a quem o conhecesse. Onde os demais viam tragédia e desespero, via esperança. Certa vez, enquanto ele e três outros grandes Sábios subiam a Jerusalém, ao Monte do Templo todo em ruínas, viu uma raposa que saía do local do Santo Santíssimo, que era a câmara mais sagrada do Templo. Os três Sábios se puseram a chorar e Rabi Akiva a rir!

Quando lhe perguntaram o motivo do riso, explicou: duas profecias tinham sido feitas acerca do Templo Sagrado – uma pelo Profeta Uriá A”H e a outra pelo Profeta Zechariá A”H. O primeiro previu sua total destruição; o segundo, aludindo à Era Messiânica, prometeu que os anciãos voltariam às ruas de Jerusalém. E explicou que enquanto a profecia de Uriá não se tinha cumprido, ele temia que a de Zechariá não se concretizaria. Mas agora, tendo presenciado a ocorrência do pior, ele estava certo de que haveria de chegar o dia em que o Terceiro Templo – e definitivo – seria erguido !!!

Os Rabinos, aceitando seu raciocínio, disseram-lhe: “Rabi Akiva, tu nos confortaste. Akiva filho de Yossef, tu nos confortaste!”

 

A FORÇA DAS REZAS DE RABI AKIVA:

 

É famosa a seguinte história sobre sua pessoa. Seu mestre, Rabi Eliezer ben Hircano, levantou-se de um dia de jejum para entoar a prece pela chuva. Recitou 24 bênçãos, mas nenhum pingo se viu. Rabi Akiva acercou-se, então, do púlpito e exclamou:

Avinu Malkenu!, nosso Pai, nosso Rei: não temos outro rei além de Ti. Nosso Pai, nosso Rei, age por Tua causa e tem misericórdia de nós”.

De imediato, os pingos de chuva caem sobre eles. Mas a história não termina aí. O povo judeu adotou sua prece e, até os dias de hoje, recitamos o mesmo rogo nos jejuns coletivos, em Rosh Hashaná e durante os Dez Dias de Penitência, que culminam em Yom Kipur.

Rabi Akiva também leva a reputação de ter composto o Kadish – a oração recitada pelas almas dos que partiram deste mundo. Mas, curiosamente, o Kadish não fala em morte – nem uma vez sequer. Pelo contrário, é comprovadamente o texto mais lindo, mais emocionante em toda a liturgia judaica de louvor a D’us. Somente uma alma nobre como Rabi Akiva para encontrar significado e conforto mesmo na morte.

SACRIFÍCIOS DO RABI AKIVA PELO POVO DE ISRAEL:

 

Sua vida foi sempre pontilhada pela tragédia, mas ele a superava, vez após vez, com seu amor infinito. Durante a epidemia que terminou em Lag Ba’Omer, 24 mil de seus discípulos pereceram. [O fim dessa peste é uma das razões que fazem do 33º dia de Omer uma data festiva]. Como teria qualquer outro ser humano, professor ou rabino, reagido a uma tal catástrofe? Abandonariam o ofício, afogar-se-iam em depressão, buscariam o exílio; quiçá almejassem a morte.

Mas não Rabi Akiva.

Armou-se de novas forças e, começou de novo, conquistou novos alunos a quem guiou pelos meandros do judaísmo. Seu amor pelo povo judeu, pela Torá e por D’us não se deixavam vergar pela tragédia. Nunca se desesperava e jamais, durante toda a sua vida – nem mesmo nos momentos mais sombrios – desistiu. Sequer titubeou. Como mérito por sua coragem e perseverança, ele legou ao povo judeu três de seus maiores Sábios: Rabi Meir Baal HaNes ZY”A – o Mestre dos Milagres – e Rabi Elazar filho de Rabi Shimon Bar Yochai ZY”A e Rabi Shimon Bar Yochai ZY”A, autor do Zohar HaKadosh, o Livro do Esplendor, que sistematizou e começou a divulgar a sabedoria da Cabalá.

Rabi Akiva estava vivo quando o Segundo Templo foi destruído. Testemunhou, também, um dos holocaustos do povo judeu: em Betar, uma cidade em Israel, um general judeu de nome Shimon Bar Kochba iniciou uma revolta contra Roma.

Bar Kochba, a princípio, teve êxito em sua campanha, levando Rabi Akiva a crer – e proclamar – que o grande guerreiro era o Mashiach! Mas a revolta judaica terminou vencida e os romanos capturaram e deram cabo à vida de Bar Kochba. Os Sábios contemporâneos de Rabi Akiva lhe disseram: ” Nascerá grama e plantas na tua barba ( ou seja, passará muitos anos de sua morte) até que o Mashiach apareça!”

Após a destruição de Betar, no ano 135 EC, o Imperador romano Adriano (Imach shmo – sua memória seja apagada), antissemita e assassino, decidiu aniquilar todo o povo judeu, começando pelos seus Sábios. Se os romanos capturassem algum Sábio importante, este era torturado antes de ser exterminado. A brutalidade imposta a cada Tzadik era proporcional à sua grandeza e importância.

 

RABI AKIVA ENTREGA SUA VIDA PELO POVO DE ISRAEL:

Após a queda de Betar, Rabi Akiva, muito idoso, foi preso e condenado à morte pelos romanos. Foi sentenciado à pena capital por ter violado o decreto romano que proibia o ensino da Torá. Em total desprezo a Roma, Rabi Akiva desafiadoramente ensinava a Lei Divina em público, agrupando os alunos onde os encontrasse. E por assim agir – e salvar o judaísmo – Roma exigia mais que a sua morte. Teria que ser barbaramente torturado – não na cruz, como o tinham sido outros 250 mil judeus. Para ele, Roma escolhera uma forma mais horripilante ainda de morte: Rabi Akiva seria esfolado vivo com rastelos de ferro. O algoz romano o rasgaria, pedaço por pedaço, até seu último suspiro.

E agora, voltemos ao Talmud e ao Midrash para conhecer seus momentos finais na Terra:

 Nos Céus, Moshé Nosso Mestre viu um homem e o ouviu interpretar a Torá para seus discípulos. Dirigindo-se ao Eterno, perguntou Moisés: “Senhor de todo o mundo! Tendo tão grande homem na Terra, a mim caberia receber Tua Torá?” Ao que D’us respondeu: “Foi este o Meu desejo”. Moshé retrucou, então: “Mostraste-me o homem; agora revela-me o seu fim”. E D’us disse a Moshé que se virasse para testemunhar a tortura e morte de Rabi Akiva. “Senhor do Universo!”, protestou Moisés, “tanto conhecimento da Torá e esta é a recompensa que lhe toca?” E D’us lhe ordena: “Cala-te! Pois é este o Meu desejo”.

Há outra história semelhante, também do Talmud, Tratado Berachot 61:

D’us revelou a Adam todo o registro das gerações que o sucederiam – os futuros eruditos e líderes judeus que comporiam a sua descendência. O Criador também fez ver ao primeiro homem a geração de Rabi Akiva. Adam apreciou deveras tais informações, mas ficou profundamente entristecido com a visão da morte que aguardava Rabi Akiva. Tentou, por todas as maneiras, obter uma morte mais suave para o grande Rabi, mas viu seu pedido negado.

Os anjos nos Céus também tentaram anular tal decreto: o Midrash nos conta que enquanto Rabi Akiva estava sendo destroçado pelos romanos, os anjos choravam amargamente e suas lágrimas caíram no grande mar e o fizeram ferver, enquanto o mundo todo era sacudido pela voz angelical que questionava D’us: “É esta a Tua recompensa a um homem que cumpriu tão fielmente a Tua Torá?”

Mas, na Terra, abaixo, um homem – um dos maiores a tocar seu solo, caminhava, com bravura, em direção à morte, sem que um som saísse de sua garganta, em protesto, nem uma lágrima de seus olhos escapasse.

Rabi Akiva foi julgado e condenado à morte pelo governador romano na Terra de Israel, o maléfico Tirano Rufus. No dia 10 de Tishrê do ano 3880 ( 140EC) em Yom Kipur, Rabi Akiva foi conduzido ao local da execução, em Cesaréia. Era cedo, o dia começava; hora de recitar o Shemá. O povo judeu sofrido reuniu-se em torno de seu líder, acompanhando-o em seus derradeiros momentos. A execução era pública e presenciada por toda a população.

Mas, para choque e surpresa de todos os presentes, ao começarem a despedaçá-lo, Rabi Akiva tinha um sorriso nos lábios, prestes a desatar em riso. Exasperado, o governador romano grita-lhe: “Mesmo nesta hora, zombas de mim! Deves ser o demônio. Não há como um ser humano aguentar tanto sofrimento físico com tua calma e teu sorriso!”.

Seus alunos indagavam: “Mestre, o que está ocorrendo? Como podes rir numa hora destas?”

E o que lhes respondeu Rabi Akiva? Foi isto o que lhes declarou o maior Rabi na história judaica:

Por que sorrio? Pois este é o momento mais glorioso de minha vida! Dia após dia, dia e noite, recitei as palavras do Shemá:‘e amarás o Eterno, Teu D’us, com todo o teu coração, com toda a tua alma e com todo o teu vigor’. Entendia as palavras ‘com toda a tua alma’ como sendo ‘mesmo às custas de toda a tua alma’, e sempre imaginava se mereceria a oportunidade de cumprir esse mandamento – o de abrir mão de minha própria alma em Santificação do nome de D’us”.

E Rabi Akiva continuou: “Hoje, isto está acontecendo. Hoje estou sendo morto por ser judeu. Hoje estou sendo morto por minha fé em D’us e por tê-la fortalecido entre os outros. Não é, pois, este, o momento supremo de minha vida – em que posso oferecer minha vida a D’us?”

A seguir, recitou as palavras:

“Shemá Israel, Ad-nai Elo-henu, Ad-nai Echad”- Escuta, ó Israel, o Eterno é nosso D’us, o Eterno é Um”.

Deteve-se na pronúncia da palavra Echad – “Um”, como afirmação da Absoluta Unicidade de D’us – até que sua alma foi recolhida e devolvida ao Criador.

Assim como Moshé Rabenu A”H, Rabi Akiva ZY”A, morreu aos 120 anos.

Os romanos não permitiram que se enterrasse Rabi Akiva. O Profeta Eliahu então apareceu para Rabi Yehoshua HaGarsi ZY”A e o levou para a cela onde estava o corpo do Rabi Akiva. Daí o Profeta Elias ordenou que ele pegasse o corpo de Rabi Akiva e o colocasse nos ombros, pois o Profeta o faria sair dali de forma milagrosa. Mas Rabi Yehoshua como era Cohen, ficou receoso de tocar num morto ( pois a Torá o proíbe), nisto o Profeta Eliahu o retruca: ”Não há impureza nos corpos dos Tzadikim”.  Foram então transportados para perto de Tiveria, em Kotzrin, caminharam por três lugares, daí desceram num lugar com três escadas e uma caverna se abriu na frente dos três. Eles entraram e viram uma cama de madeira com uma pequena mesinha e sobre esta uma lamparina acesa. Colocaram Rabi Akiva deitado lá e assim que saíram, a caverna fechou-se! ( Yalkut Shimoni- Mishlei 9,944)

Assim ele foi enterrado em Tiveria – Tiberíades, assim como o foram outros grandes Sábios. Seus despojos físicos lá estão, mas sua alma está também em outras partes, talvez em todas as partes onde haja judeus. O Talmud ensina que uma pessoa que perde a vida por ser judeu torna-se santificada e não há quem a ela se iguale, em mérito.

Um dos maiores sábios do Talmud, Rabi Yehoshua ben Levi ZY”A, revelou que o Paraíso tem sete níveis e que a alma de Rabi Akiva ZY”A está no mais alto deles, ao lado de todos os judeus de todas as gerações que foram mortos por serem judeus, como mártires.

Tumba do Rabi Akiva, Tiberíades
Tumba do Rabi Akiva, Tiberíades

MOSHÉ RABENU E RABI AKIVA: UM EXTENSÃO DO OUTRO

Assim como Moshe, Rabi Akiva, morreu aos 120 anos. Os dois – o maior dos Profetas e o maior dos Rabinos da história judaica – tiveram caminhos semelhantes. Ambos eram pastores. Seus primeiros quarenta anos foram isentos de Torá: Moshe vivia no palácio do Faraó, enquanto Akiva nem sabia ler. Os quarenta anos seguintes foram vividos longe de casa – um vivenciou a Revelação Divina e se tornou o maior Profeta da história. O outro encontrou o Divino através do estudo, tornando-se o mais destacado mestre da Torá. E, por último, os derradeiros quarenta anos na vida de ambos foram vividos liderando o povo judeu e lhes transmitindo a Divina Torá.

Hoje, sabemos quem ganhou a batalha Roma X Jerusalém… Rabi Akiva é lembrado todos os dias por todos os judeus e estudiosos, já o Imperador Adriano, caiu no esquecimento, tornando-se apenas um nome de um psicopata déspota nas Enciclopédias.

 

D”US NUNCA DESAMPARA SEU POVO:

 

”O sol não se põe sem haver outro nascente”, ensinam os Sábios. D’us não deixa este nosso mundo totalmente destituído de luz. O dia em que Rabi Akiva ZY’A ascendeu aos Céus, naquele dramático Yom Kipur, nascia um grande líder do povo judeu – um homem cuja liderança e erudição em Torá são comparadas, pelo Talmud, com as de Moshe. Esse homem, Rabi Yehudá HaNassi ZY”A continuou a obra de Rabi Akiva ZY”A: compilou e redigiu a Torá Oral, para que o povo judeu nunca a esquecesse, salvaguardando o judaísmo para todo o sempre. Mas isto é uma outra história…

Que os méritos do Santo Tzadik RABI AKIVA BEN YOSSEF ZY”A  protejam  todo Povo de Israel, neste Yom Kipur e para sempre, AMÉN!!!

Fontes de pesquisa: www.morasha.com.br e www.mytzadik.com

 

TIZKÚ LESHANIM RABOT VENEIMOT!!!

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