Praticamente todo judeu já ouviu falar ao menos uma vez na vida sobre o famoso Rabi que criou um boneco animado chamado Golem, que inspirou Mary Shelley (1797-1851) a escrever seu famoso clássico, oFrankstein‘.

Mas você sabe realmente o maior legado deste famoso Rabi medieval para todo Povo de Israel? Não? Leia aqui um pouco!

Vamos para a cidade de Praga Medieval, falaremos hoje sobre o Santo RABI YEHUDÁ BEN BETZALEL LOEW ZTZK”L:

Rabi Yehudá Loew ( Loeb ou Levai) ben Rabi Betzalel nasceu no ano 5272 (1512) e faleceu em 18 de Elul de 5369 –  17 de Setembro de 1609, aos 97 anos. Conhecido pelo acróstico de MAHARA”L (”Moreinu HaRabeinu Loew”- Nosso Mestre e Rabino Loew) escreveu muitíssimos livros e comentários sobre Talmud, Kabalá, Halachá e Filosofia. Foi Rabino chefe em Praga (atual república Checa) a maior parte de sua vida.

 

A NOBRE LINHAGEM  E POSTERIDADE DO  MAHARAL:

O sobrenome Löw ou Loew, deriva do alemão Löwe que significa Leão (a palavra Yidish ”Leib” tem a mesma origem), é um nome ”kinuy” (substituto) para o nome Yehudá (Judá), a tribo de Judá é representada pela figura do leão. No livro de Gênesis (49:9), o patriarca Jacó se refere ao seu filho Judá como ”Gur Ariê” um ”jovem leão’, quando o abençoa. Figuras de Leões estão presentes na sua lápide.

Rabi Yehuda Loew descendia diretamente de David Hamelech A”H ( Rei Davi), sua linhagem era comprovada e dele próprio, do Maharal, vieram grandes e importantes famílias e personalidades do Povo de Israel, como a linhagem dos ”Rebeim” (‘Rebes’) de Lubavitch:

Rabi Yehuda Loew – o Maharal de Praga, teve um  filho cujo nome era o mesmo de seu falecido pai Rabi Betsalel, este teve um filho chamado Rabi Shemuel. O filho de Rabi Shemuel foi Rabi Yehuda Leib e seu neto, Rabi Moshe. O filho de Rabi Moshe se chamava Rabi Shneur Zalman, que era o pai de Rabi Baruch, pai do Rabi Shneur Zalman de Liadi ZTZK”L, o ”Alter Rebe” ou ”Admor Hakodem” ( ”O Rebe antigo”), fundador da Dinastia Chabad-Lubavitch!

 

SUAS OBRAS SAGRADAS:

Seu primeiro grande trabalho foi o livro Gur Ariê al-ha Torá”, onde faz comentários sobre todas as notas do RASH”I sobre a Torá. Aqui deixo o link sobre a vida do Rashi : http://portaljudaico.com.br/rabi-shelomo-itzchaki-o-rashi/

Ao decorrer da vida, o Maharal deixou muitas obras sagradas que até hoje são estudadas no mundo inteiro:

 

  • Netivot Olam (“Caminhos do Mundo”), um trabalho de ética
  • Tiferet Yisrael (“A Glória de Israel”), exposição filosófica da Torá, pretendida para a festa de ‘‘Shavuot
  • Guevurot HaShem (“[Atos de] Força de Deus”), para a festa de ”Pessach”.
  • ”Netzach Yisrael” (“A Eternidade de Israel”; Netzach “eternidade”, tem a mesma raiz da palavra para “vitória”), sobre ”Tishá BeAv’‘ (dia de luto anual sobre a destruição dos Templos e exílio judaico) e a redenção
  • Ner Mitzvá (“A Vela do Mandamento”), sobre ”Chanucá
  • Or Chadash (“Uma Nova Luz”), sobre ”Purim”
  • Derech Chaim (“Caminho de Vida”), um comentário sobre o tratado de ”Pirkei Avot”
  • Beer haGolá (“O Poço da Diáspora”), um trabalho apologético no Talmud, principalmente respondendo à interpretações do estudioso italiano Rabi Azaria di Rossi (em ”Min haAdumim”)
  • Chidushei Agadot (“Novos Entendimentos das ”Agadot“, as porções narrativas do ”Talmud”), descoberto no século XX
  • Drashot (“Sermões” selecionados)
  • Divrei Neguidim (“Palavras de Reitores”), um comentário sobre o relato da ”Hagadá” no ”Seder de Pessach
  • Chidushei al HaShas, um comentário do ”Talmud” recentemente publicado pela primeira vez de um manuscrito pela ”Machon Yerushalyim” sobre o tratado ”Bava Metzia’‘.

Tantos outros escritos dele se perderam em meio perseguições e destruição que a comunidade de Praga passou ao longo dos séculos.

Seus trabalhos sobre as Festas levam títulos que foram inspirados pelo versículo do Tanach, em  Divrei HaYiamim (Crônicas) I 29:11:

“Teus, ó Eterno, são a Grandeza,  o Poder,  a Glória,  a Vitória e a Majestade, pois tudo que está nos céus e na terra [é Teu]; Teu é o reino e [Tu és Aquele] Que é exaltado sobre tudo como o Líder.”

111O livro “Guedulát HaShem” ( Grandeza) sobre o Shabat não foi preservado, mas o livro ”Guevurat HaShem”,sim, já o livro de glória é ”Tiferet Yisrael”, e o livro de “eternidade” ou “vitória” (netzach) é Netzach Yisrael, o mais lido e estudado por todos hoje, inclusive há uma tradução em Português dele, da Ed. Maayanot.

 

 

 

 

MAHARAL E SUA DEFESA POR ISRAEL : O GOLEM

Embora a comunidade judaica de Praga fosse melhor tratada pela aristocracia local do que o eram a maioria dos judeus da Europa, ainda assim os judeus eram vítima frequente de ataques antissemitas e de uma política oficial discriminatória. Em 1357, por exemplo, o rei Charles IV determinou o confinamento de toda a população judaica em um único bairro. Em Pessach de 1389, três mil judeus entre homens, mulheres e crianças foram assassinados. Eram épocas difíceis para a comunidade de Praga.

No final do século XVI, quando o Rabi Yehuda Loew tornou-se Rabino de Praga, o perigo para os judeus era iminente. O Maharal estava ciente do perigo. O ódio era incitado pelo então Bispo auxiliar de Praga, Tadeusz, judeu apóstata convertido ao Cristianismo. Como resultado, explodia a violência e sangue judeu era derramado.

O sacerdote católico usava todos os recursos para prejudicar o povo que repudiara. Repetia para as massas de Praga a caluniosa acusação de que os judeus assassinavam crianças cristãs para que com seu sangue, fizessem as Matzot ( Pães ázimos de Pessach). O Maharal tentara desesperadamente apaziguar os ânimos, mas seus apelos à razão e à justiça não obtiveram resultado. A agitação atingira seu ponto máximo e a comunidade judaica receava um massacre. O Maharal, que rezava constantemente para que D’us os ajudasse, apelou, então, para os Céus.

Conta a tradição que o Sábio teve um sonho no qual recebeu indicações de como poderia evitar a catástrofe que ameaçava abater-se sobre seu povo. A resposta veio oculta nas dez primeiras letras do alfabeto hebraico. O Maharal, além de ser um grande sábio, mestre na Torá, no Talmud e na Cabalá, possuía poderes mentais e espirituais inigualáveis. Por isso, entendeu a mensagem que lhe indicava fazer uma figura de argila que se transformaria em um ”Golem”- um boneco gigante de argila. Esta criatura teria, então, meios para destruir os inimigos de Israel.

Na manhã do dia seguinte, 20 de Adar de 1580, mandou chamar seu genro e seu discípulo preferido. Contou-lhes seu sonho, a revelação que tivera e a decisão de criar um Golem. Ao ver o espanto dos dois, avisou que aquela não seria a primeira vez em que se criara este artifício. Muitas tentativas haviam fracassado no passado, mas o Talmud contava que o Sábio Rava havia conseguido.

No Tratado Sanhedrin 65-b nos é relatado:

”Rava disse: o Justo poderia construir mundos se eles quisessem, mas ‘é tuas iniquidades que separam você …’ (Isaías 59: 2) Rava então criou um homem. (Nota do Rashi: ele estudou o Sefer Yetzirah e aprendeu a colocar as letras do nome de D’us juntas) Ele enviou este homem para Rabi Zeira. Rabi Zeira falou com ele, mas o homem não lhe respondeu (Nota do Rashi: pois o homem não tem o poder da fala). Rabi Zera lhe perguntou: “Você é Chaverai? (Nota do Rashi: você foi criado pelo grupo dos meus companheiros?). Volte para a poeira! “

Rav Chanina e Rav Oshiah sentavam-se cada sexta-feira e aprendiam o Sefer Yetzirah. Eles criaram um bezerro de três anos de idade e comeram. ( Em honra do Shabat).

 

 

A passagem acima citada no Talmud que afirma claramente que os grandes Tzadikim  podem criar uma vida é considerada uma das bases de apoio da história do ”Golem”.

Os três homens foram à Mikvê, na qual se purificaram por três dias, rezando, jejuando e santificando seu espírito e coração com extrema devoção. Ao amanhecer do terceiro dia, prepararam um pacote de roupas do tamanho de um homem normal e levaram-no a um lugar fora da cidade, próximo às margens do rio Vlatva. Lá, moldaram um boneco de argila com a aparência de um homem inclinado, com a cabeça voltada para o céu, na sua testa havia  três letras: Álef, Men e Tav que formavam a palavra ‘‘Emet” ( Verdade).

O Maharal disse a seu genro, um Cohen, que desse sete voltas ao redor do boneco repetindo certos nomes e letras sagradas. Depois, disse a seu discípulo, que era um Levi, que fizesse o mesmo. E, por fim, ele próprio fez o mesmo. Tendo terminado a última volta, colocou um pergaminho onde escrevera o nome de D’us sob os lábios da figura de argila. Em seguida, recitaram sete vezes, unidos em grande concentração, o versículo da Torá (Gênesis 2,7) que diz: “E Ele insuflou em suas narinas um sopro de vida, e o homem tornou-se um ser vivo”. Neste momento, o Golem abriu os olhos. Então o Maharal ordenou-lhe que se erguesse, cobrindo-o com as roupas que haviam trazido.

“Seu nome é Yossl”, disse o Maharal. “Eu o criei, com a ajuda de D’us, para que cumpra a missão divina de proteger os judeus contra seus inimigos. Você obedecerá a todas as minhas ordens, não importa o que eu ordene, pois é destituído de vontade própria. Seu lugar será dentro do Beit-Din, onde terá as funções de shamash”.

Feito isso, os três homens partiram em direção à cidade, seguidos pela criatura que tinha a aparência e os movimentos de um homem normal. Embora mudo – pois o poder da fala só podia ser concedido por D’us, e desprovido de quaisquer pensamentos ou inteligência – o Golem compreendeu o que o Maharal lhe havia dito.

Ele ficava, o dia todo, sentado no Beit-Din, sem nada falar ou fazer, o olhar vazio. Ninguém na comunidade sabia quem era nem de onde viera. Deram-lhe o apelido de ”Yossl, o mudo”. Ninguém, exceto o Maharal, podia dar-lhe ordens ou recorrer a seus serviços. Se falassem com ele, não reagia; nunca abria a boca. Seu rosto só se animava quando o Maharal lhe falava. Então, escutava atenta e humildemente, partindo a seguir para executar a missão.

Todas as histórias sobre o Golem começam frequentemente da mesma forma: um judeu acusado injustamente por crimes imaginários. E terminam também da mesma forma: o Golem intervém para que tudo volte a seu devido lugar. Assim, com a ajuda da criatura, desfaziam-se os complôs do infame Bispo Tadeusz. Certa ocasião, salvou uma menina judia de se converter à força. Em outra, após o Maharal descobrir que sua Matzá para Pessach havia sido envenenada, o Golem descobriu o culpado.

Dez anos após ter sido criado, a situação dos judeus havia melhorado e o Maharal concluiu que a missão do Golem terminara.

Em 1590, durante Lag Ba’Omer, o Maharal ordenou-lhe que o acompanhasse ao porão da sinagoga. Lá, disse-lhe que se deitasse e abrisse a boca. O sábio tirou o pergaminho no qual estava escrito o Nome Divino, raspou a letra ”Álef” de sua testa ( as letras restantes, ”Men” e ”Tav” formam a palavra ”Mêt”– ‘Morte’ ) e disse à criatura: “Você é pó e vai voltar ao pó”. Yossl, o Golem, cumprira o seu destino.

Altneu shul, PragueAnos mais tarde, no entanto, espalhou-se entre os judeus de Praga uma lenda segundo a qual ”Yossl, Der Golem” não virara pó, mas estava escondido desde 1590 no sótão da sinagoga de Praga em profundo sono, nunca mais ninguém subiu ao sótão da célebre Sinagoga Al-Tnai Schul. Esta seria a mais antiga sinagoga construída na Europa Setentrional, ainda no séc VIII e reformada em 1280. Conta a tradição que as pedras da parede Leste foram milagrosamente trazidas da Terra Santa por anjos na noite da morte do famoso Ramban. Conta-se ainda que na época da ocupação nazista, soldados da infame  SS subiram ao sótão da Sinagoga, para comprovarem a veracidade da história, mas morreram lá mesmo!

Durante os séculos seguintes até nossos dias, há quem duvide da veracidade da história do Golem, mas entre os religiosos, ela é tida como verdadeira.

A lenda do Golem de Praga inspirou muitos escritores. Em 1838, o jornalista checo-alemão, Franz Klutschak, escreveu uma história chamada “O Golem e o Rabi Loew”. Em 1947, o “Galerie der Sippurum”, publicado pelo editor Wolf Pascheles, de Praga, menciona o Golem de Loew entre seus famosos contos. O best-seller de 1915, de Gustav Mevrink, de Viena, também fala sobre o Golem. O cinema mudo também fez a sua parte com dois filmes alemães: uma versão de 1914, co-dirigida e co-produzida por Paul Wegener; e uma segunda, em 1920, mais uma vez estrelada por Wegener. Mais recentemente, a lenda do Golem foi reescrita por dois grandes autores: Isaac Bashevis Singer, que publicou em 1982 o livro “O Golem”, e Elie Wiesel, que também escreveu um livro com o mesmo título. Lenda ou realidade, com certeza, o Golem ainda inspirará inúmeros escritores, de várias gerações.

 

Tumba do Maharal em 1835 e 2009.
Tumba do Maharal em 1835 e 2009.

prague tomb maharalNo dia 18 de Elul de 5369,  depois de 97 anos dedicados á Torá e defesa do seu Povo, o Maharal deixou este mundo.Seu túmulo localizado no cemitério judaico de Praga, virou lugar de peregrinação desde então até nossos dias.

 

Que os méritos do Santo Rabi Yehudá Loew ZTZK”L protejam todo nosso Povo, AMÉN!!!

Fontes: MyTzadik.com e Morasha.com.br

 

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/09/prague-golem-rabbi-loew.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/09/prague-golem-rabbi-loew-150x150.jpgDiogo Hara ClaroGRANDES SÁBIOSRELIGIÃOAshkenazi,Cabalá,Chabad,David Melech,Golem,Maharal,Praga,Rabi,Rebe,TALMUD,Tzadik,Yehuda LoewPraticamente todo judeu já ouviu falar ao menos uma vez na vida sobre o famoso Rabi que criou um boneco animado chamado ''Golem'', que inspirou Mary Shelley (1797-1851) a escrever seu famoso clássico, o ''Frankstein''. Mas você sabe realmente o maior legado deste famoso Rabi medieval para todo Povo de...Comunidade Judaica Paulistana

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