Reformar prédios antigos de forma a modernizá-los e aumentar a vida útil desses imóveis. Assim consiste a técnica retrofit, usada para fazer intervenções arquitetônicas em uma edificação, de modo a modernizar toda a sua infraestrutura. Realizada em áreas comuns de prédios, como hall, elevadores, fachadas, sistemas de climatização, elétricos, entre outros, o objetivo é deixar aquela estrutura com uma tecnologia mais avançada e segura. Em países europeus, por exemplo, a técnica é bastante usada devido à grande quantidade de conjuntos arquitetônicos antigos. Já no Brasil ela ainda está em ascensão. A diferença do retrofit para uma reforma comum é que na primeira toda a infraestrutura do prédio passa por reformulações, enquanto que na segunda normalmente são intervenções isoladas. Toda a estrutura do prédio é aproveitada, mas refaz a parte de infraestrutura elétrica, hidráulica e outras para adequar a um novo uso. É isso o que difere a técnica do retrofit para uma reforma comum. Antes de realizar um retrofit é feita uma prospecção do imóvel para fazer um levantamento de como ele está e detectar toda a parte de infraestrutura existente. Planejamento é a principal postura antes do retrofit, desta forma, podemos avaliar o que dá para aproveitar e quais são as possibilidades e principalmente a logística da pratica. Depois propõe um projeto de arquitetura para, enfim, partir para a execução, pois não adianta, por exemplo, projetar maquinários, que em função de uma estrutura antiga (e geralmente com vãos menores) não poderão ser inseridos no imóvel. A dica é: planejamento, planejamento e mais planejamento.

Na década de ’30, nos Estados Unidos, foram envolvidos pela Grande Recessão cujos reflexos tiveram repercussões na Bolsa, e fizeram com que a América vivesse um período de grandes perdas econômicas e sociais, em um momento em que muitas das propriedades ficassem sob intervenção judicial ou fossem liquidadas. Especialistas financeiros afirmavam que a indústria hoteleira jamais se reergueria. Foi necessária outra guerra mundial para fazer com que a hotelaria americana se recuperasse. Todos estes movimentos econômicos provocaram a necessidade de ajustes na composição das áreas ociosas dos hotéis, transformando, muitas dessas áreas, em salas para ocupação por escritórios, configuradas por aluguéis por prazos determinados. Com o final da Segunda Guerra e um desejo de maior liberdade, ocasionado pela euforia da vitória aliada, o povo americano viaja em grupos maiores, fazendo surgir os motéis, que por conta deste fator, localizam-se ao longo das rodovias.

Assim, em 1965, a American Hotel Association (AHA) incorpora, também, o título “motel”, passando a denominar-se American Hotel and Motel Association (AHMT), deste período em diante, o setor hoteleiro esteve em constante evolução, com o surgimento de hotéis mais sintonizados com os desejos de seu público-alvo, os hóspedes, sendo responsáveis por influenciar o sistema de hospedagem ao redor do mundo, inclusive na França. Forças Aliadas formadas inicialmente pelo Reino Unido, França e Rússia para combater na Primeira Grande Guerra e perpetuada na Segunda Grande Guerra.

À esquerda, fachada original do LE BRISTOL (1925) e após retrofit.
À esquerda, fachada original do LE BRISTOL (1925) e após retrofit.

Na Inglaterra, França, Espanha e Portugal, é possível conservar prédios históricos em pleno funcionamento, as grandes capitais europeias, por exemplo, sempre mantiveram-se saudáveis. Os locais onde 100/200 anos atrás eram importantes continuam importantes hoje, diferentemente dos do Brasil, como o Pelourinho e a região do Porto do Rio de Janeiro. Com isso, é fácil encontrar hotéis históricos preservados e cuja demanda não foi reduzida com o passar do tempo, como o George V, Le Bristol e o Ritz Paris (França); o Savoy, em Londres (Inglaterra); o Ritz Lisboa (Portugal); o Majestic, em Barcelona, (Espanha); e o Alvear, em Buenos Aires (Argentina).

ALVEAR PALACE HOTEL (Buenos Aires, Argentina) e sua fachada original
ALVEAR PALACE HOTEL (Buenos Aires, Argentina) e sua fachada original

A historia do Le Bristol está intimamente ligada à história Faubourg Saint-Honoré. Isso começou em 1715, o Tribunal para a esquerda para ingressar Paris Versailles com a morte de Louis XIV Nestes trimestres, foram construídas ricas propriedades. Mas não foi até o final do século XIX que o Faubourg ganhou o prestígio que conhecemos hoje. Tudo começou quando o Palais de l’Elysée começou a Presidentes da República Residência. E quando, em 1880, o prestigiado Hermes padoques e Jean Lanvin costureira abriram suas boutiques, batendo a outras famosas boutiques, símbolos de luxo francês.

LE BRISTOL HOTEL faz parte de um seleto grupo de locais parisienses, escolhido estrategicamente!
LE BRISTOL HOTEL faz parte de um seleto grupo de locais parisienses, escolhido estrategicamente!

Em 1923, adquiriu a antiga propriedade Jammet Hippolyte de Jules Castellane. Com a finalidade de transformar este lugar em um hotel de luxo de gama alta e deu o nome de Bristol em homenagem a um viajante muito exigentes do século XVIII: Sir Frederick Hervey, Comte de Bristol. O Hotel abriu as suas portas em 1925, no coração dos Loucos Anos 20. Com atmosfera despojada, Paris assistia o triunfo de Josephine Baker, Sydney Bechet e ao Charleston. Este clima de prosperidade atrai todos os leitores de cultura e moda, tais como Rochas, Balenciaga, Chanel, Schiaparelli, Picasso, Mondrian e Dali.

Detalhe do pátio interno do Le Bristol, após sua extensa renovação, é um símbolo do luxo francês e um dos principais edifícios históricos preservados.
Detalhe do pátio interno do Le Bristol, após sua extensa renovação, é um símbolo do luxo francês e um dos principais edifícios históricos preservados.

Nesses últimos anos o Retrofit, “colocar o antigo em boa forma”, tem sido solicitado com o sentido de renovação, de atualização. Não se trata simplesmente de uma reconstrução, pois esta implicaria em uma simples restauração. A principal motivação para o retrofit é o aumento da vida útil do hotel, resgate dos clientes e hóspedes, aumento da taxa de ocupação e uma maior rentabilidade, usando tecnologias avançadas em sistemas prediais e materiais modernos, compatibilizando-os com as restrições urbanas e ocupacionais atuais, sem falar da preservação do patrimônio, sobretudo o arquitetônico. Um retrofit de hotel corretamente planejado, projetado e executado poderá manter o edifico constantemente atualizado, a despeito do desafio enfrentado, aumentando sua vida útil, diminuindo custos com manutenção e aumentando suas possibilidades de uso. Por isto mesmo, o retrofit pode e deve buscar, com eficiência, dotar o edifício de atualidade tecnológica que possa traduzir-se em conforto, segurança e funcionalidade para o usuário, mas mantendo a viabilidade econômica para o investidor. A possibilidade de obtenção de valores aceitáveis para o investimento estimula cada vez mais a adoção do retrofit, que requer uma análise da viabilidade econômica posto que a mera análise por parâmetros convencionais pode conduzir a equívocos na conclusão. Em qualquer das situações o retrofit tem o sentido de renovação, onde se pressupõe uma intervenção integral, obrigando-se ao encontro de soluções nas fachadas, instalações elétricas e hidráulicas, circulação, elevadores, proteção contra incêndio e demais itens que caracterizam o uso do que existir de melhor no mercado.

Vistas aéreas do HOTEL GLORIA em diferentes períodos. A preservação da fachada do hotel, protegida pelo patrimônio histórico, vai recuperar ao fim da obra a aparência de 1922.
Vistas aéreas do HOTEL GLORIA em diferentes períodos. A preservação da fachada do hotel, protegida pelo patrimônio histórico, vai recuperar ao fim da obra a aparência de 1922.
http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/07/gloria6.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2016/07/gloria6-150x150.jpgAlessandra WaissmannARTE E ARQUITETURAPRÉDIOS HISTÓRICOS E RETROFITReformar prédios antigos de forma a modernizá-los e aumentar a vida útil desses imóveis. Assim consiste a técnica retrofit, usada para fazer intervenções arquitetônicas em uma edificação, de modo a modernizar toda a sua infraestrutura. Realizada em áreas comuns de prédios, como hall, elevadores, fachadas, sistemas de climatização, elétricos,...Comunidade Judaica Paulistana