JUSTOS-CAPA- ARTURO CASTELLANOS

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

José Arturo Castellanos, um diplomata salvadorenho, é um Justo entre as Nações.

Filho do general Abelino Castellanos e Isabel Contreras fez estudos militares na Escola Politécnica Militar (em El Salvador) e na Itália. Exerceu a carreira militar durante 26 anos até alcançar o posto de Coronel do Exército, 2º chefe do Estado Maior.

Nos anos 1930, Arturo Castellanos foi enviado à Europa (para comprar armas) pelo governo de Maximiliano Hernández Martínez.

Cumprida a tarefa foi indicado para o cargo de cônsul-geral em Liverpool, na Inglaterra. Mais tarde, foi enviado para Hamburgo Arturo Castelano-Martello(onde atuaram Guimarães Rosa e Aracy Moebius) e, de lá, para Genebra, Suíça entre 1941 e 1945.

Na Suíça, onde conheceu sua futura mulher, María Schürman, o diplomata fez um grande amigo, o empresário húngaro Gyorgy Mandl, o homem que atraiu Arturo Castellanos para a missão que o tornou um personagem histórico internacional.

Gyorgy Mandl era judeu. Para evitar que fosse perseguido e até morto pelos nazistas, Arturo Castellanos o indicou para o cargo de primeiro-secretário do consulado e o convenceu a trocar o nome para um mais espanholado, George Mandel-Mantello.

O empresário ganhou cidadania salvadorenha. Se Castellanos tivesse salvo somente uma vida, a de Gyorgy Mandl, já teria sido importante. Mas, concedendo salvo-condutos a torto e a direito, a dupla contribuiu para salvar pelo menos 40 mil pessoas.

Gyorgy Mandl chegou a ser preso pelo Gestapo, sob a acusação de ser “judeu”, e iria ser enviado para um campo de concentração. Por ter passaporte de El Salvador, acabou sendo liberado.

Atuando juntos, Arturo Castellanos e Gyorgy Mandl começaram a assinar salvo-condutos para milhares de judeus, que assim escaparam dos campos de extermínio de Auschwitz-Birkenau.

O trabalho do diplomata não tinha a aprovação do governo de El Salvador. Mesmo assim, sem recear as consequências, o diplomata Arturo Castelano- +Martelloseguiu concedendo vistos — por conta própria.

Mesmo atuando na neutra Suíça, Arturo Castellanos e Gyorgy Mandl correram riscos, pois havia simpatizantes do nazismo no país.

Para obter êxito nos salvamentos, Arturo Castellanos, com o apoio de Gyorgy Mandl, enviava milhares de passaportes para os judeus húngaros em veículos que entravam clandestinamente na Hungria.

Os motoristas conseguiram burlar as barreiras impostas pelos nazistas alemães. O diplomata e o empresário trabalharam durante meses, dia e noite, na expedição de salvo-condutos.

Os judeus se tornaram salvadorenhos e, assim, foram salvos pela corajosa ação de Arturo Castellanos e Gyorgy Mandl.

Mas como transformar judeus brancos, de cabelos claros, em salvadorenhos?  Os soldados alemães de 1944 não tinham ideia de como era El Salvador e não sabiam como era a aparência de seu povo.

Arturo Castelano-vistoEles só observavam a documentação, o que facilitava a escapada dos judeus húngaros, tchecos, franceses, alemães e poloneses, que “não” eram mais judeus, e sim salvadorenhos, apesar da maioria não falar uma palavra em espanhol.

Entre 1942 e 1944, o diplomata emitiu pelo menos 13 mil documentos. Como alguns documentos contemplavam até onze pessoas, chegou-se à cifra de 40 mil pessoas ou mais.

De repente, ficou-se sabendo que os “salvadorenhos” eram a maior comunidade estrangeira da Hungria.

Em 4 de julho de 1944 o governo de El Salvador solicitou formalmente ao governo suíço que os “salvadorenhos” que estavam na Hungria fossem colocados sob proteção do consulado suíço em Budapeste.

Apesar de sua façanha, Arturo Castellanos morreu pobre e esquecido, em 1977. Sua trajetória só se tornou pública graças aos esforços do infatigável historiador Carlos Cañas-Dinarte ao encontrar documentos nos arquivos nacionais de San Salvador, em El Salvador, Cañas-Dinarte escreveu sua história.

Em 2010, sessenta e cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Arturo Castellanos passou a ser considerado pelo Yad Vashem de Israel, Justo entre as Nações, em homenagem póstuma.

A cerimônia foi realizada no Ministério dos Negócios Estrangeiros, em San Salvador.

Arturo Castelano-casa de vidroContou com a presença do MinIstro de El Salvador dos Negócios Estrangeiros, membros do parlamento, representantes da comunidade judaica, líderes da igreja e diplomatas.

Agindo em nome do Estado de Israel e Yad Vashem, o embaixador de Israel em El Salvador, Mattanya Cohen apresentou a medalha e o certificado de honra de Justo entre as Nações.

Em seu discurso, o embaixador israelense disse:

“Como orgulhoso embaixador do Estado de Israel, em nome do Yad Vashem e do povo judeu e, especialmente, em nome dos milhares de judeus salvos por Castellanos, tenho a honra de apresentar a medalha e o diploma para a família Castellanos.”

“O Estado de Israel e o povo judeu nunca esquecerão o coronel Castellanos “.

A filha de Castellanos, Frida, que foi às lágrimas, falou em nome da família e agradeceu ao Estado de Israel e ao Yad Vashem pela grande honra com que foi agraciado o pai dela.

Um vídeo de dois minutos e meio em homenagem à Castellanos. Sua filha Frida expressa seus sentimentos.

 

http://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/03/JUSTOS-CAPA-ARTURO-CASTELLANOS.jpghttp://portaljudaico.com.br/vendoo/uploads/2017/03/JUSTOS-CAPA-ARTURO-CASTELLANOS-150x150.jpgMoisés SpiguelHISTÓRIAHISTÓRIAS DO HOLOCAUSTOArturo Castellanos,Holocausto,Justos entre as NaçõesNo Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo. José...Comunidade Judaica Paulistana