Introdução 

A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, em 1922, tendo como objetivo mostrar as novas tendências artísticas que já vigoravam na Europa. Esta nova forma de expressão não foi compreendida pela elite paulista, que era influenciada pelas formas estéticas europeias mais conservadoras. O idealizador deste evento artístico e cultural foi o pintor Di Cavalcanti.

Arte Moderna 

Em um período repleto de agitações, os intelectuais brasileiros se viram em um momento em que precisavam abandonar os valores estéticos antigos, ainda muito apreciados em nosso país, para dar lugar a um novo estilo completamente contrário, e do qual, não se sabia ao certo o rumo a ser seguido.

No Brasil, o descontentamento com o estilo anterior foi bem mais explorado no campo da literatura, com maior ênfase na poesia. Entre os escritores modernistas destacam-se: Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e Manuel Bandeira. Na pintura, destacou-se Anita Malfatti, que realizou a primeira exposição modernista brasileira em 1917. Suas obras, influenciadas pelo cubismo, expressionismo e futurismo, escandalizaram a sociedade da época. Monteiro Lobato não poupou críticas à pintora, contudo, este episódio serviu como incentivo para a realização da Semana de Arte Moderna.

Anita Malfatti é considerada umas das principais pintoras brasileiras do século XX. Suas pinturas abalaram os mais conservadores e foram um marco para o Modernismo brasileiro. Juntamente com Tarsila do Amaral deu voz às mulheres nesse período.

as margaridas de mario

Homem amarelo, de Anita Malfatti, 1915-16.
[Coleção Mário de Andrade, IEB/USP, SP]

 

 

 

Anita nasceu em São Paulo, em 02 de dezembro de 1889 foi à segunda filha do casal Samuel Malfatti e Betty Krug. Ela aprendeu a pintar com a mãe, seus estudos fora do país foram financiados pelo tio, após a morte do pai. Anita nasceu com uma atrofia no braço e na mão direita. Em função disso, aos 3 anos de idade foi levada a Itália para tentar corrigir a má formação congênita, os resultados não foram animadores e Anita teve que aprender a conviver com sua deficiência. Teve à sua disposição quando criança uma governanta inglesa que lhe ajudou nessa tarefa, desenvolvendo o uso da mão esquerda.

Em 1910 acompanhou as primas a uma viagem a Europa e lá frequentou aulas no ateliê de Fritz Burger e matriculou-se na Academia Real de Belas Artes em Berlim. Foram seus primeiros contatos com a pintura expressionista. De volta ao Brasil em 1914, Anita tinha planos de ser contemplada como uma bolsa de estudos e voltar a viajar. Fez uma exposição individual, mas em função da Primeira Guerra Mundial seus planos tiveram que ser adiados. Seu tio voltou a financiar sua viagem, dessa vez para os Estados Unidos onde morou por dois anos e estudou na Art Students League sob a orientação de Homer Boss.

a estudante russa

 

 

 

A estudante russa, de Anita Malfatti,1915
[Coleção Mário de Andrade, IEB/USP, SP]

 

Voltou para o Brasil em 1917 com muitas telas prontas e realizou mais uma exposição individual com 53 quadros. A exposição causa furor nos conservadores e Monteiro Lobato crítico de arte na época, lança um texto no jornal O Estado de São Paulo, criticando a jovem artista. No texto “Paranoia ou mistificação?”, Monteiro Lobato dizia que Anita deixou-se influenciar por Picasso e sua turma. Após as manifestações de Lobato as telas que foram compradas na exposição foram devolvidas e vários outros jornais começaram a atacar Anita. No entanto, Anita teve amigos que a defenderam como Oswaldo de Andrade, Mario de Andrade, Menotti Del Pichia entre outros.

homem amarelo

 

Homem amarelo, de Anita Malfatti, 1915-16.
[Coleção Mário de Andrade, IEB/USP, SP]

 

 

 

Anita ficou tão abalada com as duras críticas que voltou a pintar somente um ano depois da polêmica exposição. Em 1922 participou da Semana de Arte Moderna com 22 obras. No ano seguinte vai a Paris onde ficou por cinco anos estudando e produzindo. Nesse período, realizou exposições em Berlim, Paris e Nova York. Entre suas principais obras estão: A boba; Uma rua; As margaridas de Mario; A estudante russa; O homem das sete cores; Nu Cubista; O homem amarelo; entre outros.

Após a morte de sua mãe na década de 1940, Anita vai para sua chácara em Diadema onde morou até sua morte em 06 de novembro de 1964.

a boba

A Boba faz parte de um momento de “busca ativa” da pintora. A tela é construída com o uso das cores, em uma orquestração de laranjas, amarelos, azuis e verdes, realçando dessa maneira as zonas cromáticas delineadas pelas linhas negras, na maioria diagonais – ordenação cubista. No primeiro plano, uma angulosa e assimétrica figura recebe a aplicação irregular da cor. Na fisionomia da figura retratada, a expressão anormal e vaga da jovem é ressaltada por traços negros, segundo a estética expressionista do irracional e desarmônica. Já o fundo é elaborado com pinceladas rápidas, o que serve de contraponto.

 

 

 

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