Shlomo-Neshama

A primeira vez que escutei falar de Reb Shlomo foi na CIP, há muitos anos. Eu o desconhecia e seu nome me parecia ser de alguém da Alemanha dos tempos do Rabino Fritz Pinkuss (bom, não errei muito). Com o tempo fui conhecendo a figura, suas canções e contos, as sinagogas que adotaram o nussach (rito) Carlebach em Israel, maravilhoso. Por algum motivo, o querido Zhuvi Zytman, de abençoada memória, que trabalhou na CIP por alguns anos, me lembrava Carlebach, talvez no tipo físico e no que eu imaginava ser o seu jeito bonachão.

Mais adiante, quando descobri a existência de seu colega, Reb Zalman Schachter-Shalomi, que foram dois dos primeiros enviados do Rebe de Lubavitch, ainda nos Anos 50, fiquei imaginando como deve ter sido bom ter estado na presença deles. Estas duas grandes figuras, cada um à sua maneira, unem hassidismo, espiritualidade e yidishkeit a um judaísmo vibrante, em que homens e mulheres têm acesso aos mesmos portais espirituais. Shlomo Carlebach nasceu em Berlim, na Alemanha, em 14 de janeiro de 1925 e faleceu no dia 21 de outubro de 1994, há quase 23 anos. Teve duas filhas: Nedara e Neshama, de quem falarei um pouco mais adiante. Reb Shlomo me inspira quando é tido como o “rabino cantor”.

Ao longo de 40 anos, compôs centenas, talvez milhares de melodias e gravou 25 álbuns. Sob sua influência, muitos judeus encontraram o caminho de volta para o judaísmo, de modo saudável, vivo. O judaísmo entrava na alma por meio das histórias, das canções, da dança, dos ensinamentos. Filho de um rabino ortodoxo, sua família deixou a Alemanha em 1931, passando pela Áustria, Suíça e Lituânia, passando pela Grã-Bretanha até chegar a Nova York, nos EUA, em 1939. Como bom cantor, durante os estudos na yeshivá sempre era chamado para atuar também como hazán. Seu jeito próprio de falar, misturando inglês (que só foi dominar já adulto) com Yiddish, influenciou muita gente, inclusive do que hoje se conhece como os movimentos neo-hassídicos (que adotam muito do hassidismo, ao mesmo tempo em que mantêm minianim igualitários, com homens e mulheres juntos). Nos Anos 50, Reb Shlomo foi um dos primeiros shluchim (enviados) do Rebe de Lubavitch – sabem quem foi outro? Sim, Reb Zalman. Carlebach aproveitaria seu talento musical para alcançar jovens judeus nas universidades e reconectá-los ao judaísmo.

Mais adiante, ele mesmo contaria, se afastaria do Chabad não por vontade própria, mas sim pelo fato de tocar para jovens judeus e judias juntos. Neshama Carlebach Aos 42 anos, a filha de Reb Shlomo, Neshama Carlebach, segue carreira como cantora, muito focada na obra do pai. Quando mais jovem, juntou-se a ele para cantar. Após a morte de Shlomo Carlebach em 1994, Neshama seguiu em frente e ampliou muito o público alcançado. Influenciada pelo pai e pela música judaica, Neshama participou de diversos festivais internacionais e levou sua música para além da comunidade judaica. Nos últimos anos, ao lado do músico Josh Nelson, Neshama, que cresceu em um lar ortodoxo, decidiu filiar-se formalmente ao Movimento Judaico Reformista – tido por ela como uma importante voz de mudança. Isso foi logo após a Convenção Bienal da URJ (União pelo Judaísmo Reformista) em 2013.

Alguns anos depois, Neshama e Josh participaram do congresso mundial da WUPJ (União Mundial pelo Judaísmo Progressista) no Rio de Janeiro. Tive a alegria de participar deste encontro e do workshop dado por eles. Uma das expressões que me marcam de Neshama é a clara presença de seu pai na sua música. Certa vez ela afirmou: “Algumas pessoas dirão: Como é estar na sombra de seu pai? Eu não estou sob sua sombra. Eu estou sob a sua luz”. Lembrei-me da bela oração da liturgia judaica Yotzer Or, que afirma: “Uma nova luz brilhará sobre Tzion, e que sejamos todos merecedores de sua luz. Bendito seja, Eterno, por produzir os que iluminam”. Reb Shlomo e Reb Zalman iluminaram Neshama, que é uma nova luz a brilhar sobre Tzion. Que todos nós sejamos merecedores e merecedoras de estar sob suas luzes.

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