JUSTOS-CAPA- MÈRE MARIE AUGUSTINE

No Museu do Holocausto – Yad Vashem – em Jerusalém, existe uma árvore plantada em homenagem a cada “Justo entre as Nações”, título concedido pelo governo de Israel em reconhecimento a todos os não-judeus que durante a Segunda Guerra Mundial salvaram vidas de judeus da sanha sanguinária do nazismo.

Madre (Mère) Marie Augustine é uma Justa entre as Nações.

MÈRE MARIE-MEDALHASMère Marie Augustine (Virginie Badetti) nasceu no dia 29 de maio de 1901 em Istambul, Turquia. Depois de ter pronunciado seus primeiros votos em 1926, viveu a maior parte do tempo na Turquia, Egito e Tunísia. Em 1942 foi enviada a Roma para ser superiora da Congregação.

Mère Marie Agnesa que trabalhou junto com Madre Augustine nasceu em Roma em 1902. Seguiu cursos de enfermagem e teologia.

Depois de pronunciar seus primeiros votos em Paris no dia 20 de janeiro de 1928 e uma passagem rápida por Trento, viveu o resto de sua vida em Roma.

Em 1928 a Congregação das Irmãs abriu um orfanato no qual  a Irmã Agnesa foi a primeira diretora.

Quando finalmente a Itália, que fazia parte do Eixo formado por ela com a Alemanha e o Japão, fez um armistício com as Forças Aliadas, a Alemanha declarou guerra contra sua antiga aliada em  20 de junho de 1943 e Roma foi bombardeada no mesmo dia.

Em 8 de setembro do mesmo ano a Itália capitulou e foi então invadida pelos alemães.

As primeiras investidas se deram a partir de 15 de outubro. A narração sobre a casa das Irmãs de Roma neste período, que foi redigida  no fim da guerra, conta:

“No dia 16 de outubro, de manhã (…) chovia, grupos compactos de mulheres judias  acompanhadas de seus filhos atravessaram a cancela da rua Garibaldi.”

Madre Augustine aceitou acolhê-las no convento. Era preciso arrumar espaço  para acolher tanta gente, e tiveram de afastar os móveis que ocupavam espaço.

Madre Marie Augustine-bombardeadoFelizmente, para o primeiro dia, as pessoas tinham levado alimentos.

Diante da boa acolhida que lhes foi feita, as mulheres pediram a Madre Augustine licença para chamar os maridos. Aceito o pedido, não sem antes pedir autorização ao vicariado, o refeitório foi transformado em sala de dormir e era muitas vezes preciso pular as camas improvisadas.

Cada lugar, por pequeno que fosse,  estava ocupado: o espaço debaixo da escada abrigou uma família de sete pessoas. Mas famílias inteiras foram assim acolhidas, o que lhes evitou a separação. A estufa abrigou os que chegaram por último.

Um sino foi instalado na casa do porteiro  para servir de sinal de alarme; quando tocava três vezes, todos deviam correr  e se esconder.

Havia, por exemplo, um porão de carvão que podia conter umas cinquenta pessoas, mas só tinha uma abertura fechada por um pesado armário de carvalho, nenhuma janela, nenhuma porta.

Esconder-se ali era arriscar a ser enterrado vivo. Assim os refugiados preferiam se esconder na casa de vizinhos no caso de alarme.

Quando, em certa ocasião, uma mulher não conseguiu chegar a tempo no abrigo, uma Irmã tirou seu véu e a touca e colocou na cabeça dela.

Apesar dos alarmes,  todos procuravam viver o mais normalmente possível. Alguns aproveitavam do jardim para passear ou cultivar, Madre Marie Augustine-RENDIÇÃO finaloutros trabalhavam para o Vaticano destrinchando a correspondência referente à procura de prisioneiros.

Para realizar este trabalho, eles receberam do Vaticano máquinas de escrever que utilizavam também provavelmente para fazer documentos falsos.

As pessoas que estavam escondidas procuravam se tornar úteis às Irmãs por todos os meios, levando as bandejas aos doentes, carregando baldes e outros serviços auxiliares.

Aos sábados alguns se reuniam para rezar e ler os salmos. Uma das Irmãs se lembra que era “emocionante, porque, apesar do perigo, os judeus participaram conosco de uma festa  que não era deles. E o fizeram para nos manifestar sua gratidão.“

O padre Marie Benoit, capuchinho que também recebeu a Medalha dos Justos, veio muitas vezes visitar as Irmãs.

O problema do abastecimento foi mais difícil de resolver. Uma Irmã era encarregada de ir ao mercado negro, e algumas das senhoras escondidas às vezes vinham ajudá-la.

É provável também que os homens que tinham algum dinheiro davam ao menos parte dele para pagar sua alimentação, ou iam eles mesmos comprá-la.

Esta situação durou dez meses. Finalmente Madre Augustine acabou conseguindo um documento atestando que a propriedade estava sob a proteção do Vaticano e assim as buscas eram proibidas.

Um dia os alemães tentaram assim mesmo entrar na casa. Alguns judeus escondidos se assustaram e tentaram fugir. Foram presos e um deles torturado.

Isto aconteceu alguns dias antes da liberação de Roma no dia 4 de junho de 1944; assim eles ficaram livres de serem enviados aos campos de concentração.

No final, todos os judeus escondidos em Sion foram salvos. Havia médicos, advogados, comerciantes. Alguns tinham levado consigo valores. Madre Marie Augustine-FABTudo tinha sido guardado em segurança e pode lhes ser restituído  integralmente.

As Irmãs que se engajaram em favor dos judeus na hora das perseguições agiram individualmente. Mas cada uma sabia com quem podia contar, na Congregação, na família, entre os  que estavam a sua volta.

Se fossem interrogadas sobre as razões que as levaram a fazer como fizeram, todas responderiam que fizeram apenas o seu dever.

Não se pode mencionar o ataque dos alemães à Roma sem lembrar o papel da Força Expedicionária Brasileira (FEB) no desbaratamento das tropas alemãs na Itália.

Os chamados carinhosamente de “pracinhas” foram uma força formada por homens e mulheres de todas as regiões brasileiras compondo um efetivo de 25.000 combatentes da FEB. Seus feitos também já fazem parte da história da 2ª Guerra Mundial

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