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6 de março de 2011. Um sábado normal, dia quente, única diferença é que a Tamy estava fazendo 15 anos e, como caiu no meio do feriado, ela foi viajar com as amigas. Claro, quem iria preferir ficar com a mãe em casa em pleno carnaval e aniversário? O dia correu normalmente, saí com o Bud, assisti a um filme em casa, dei uma arrumada nas coisas, aproveitei para fazer essas coisas que não consigo quando a Tamy está em casa. À noite o Silvio me liga dizendo que tinha uma surpresa muito legal, e que seria o presente perfeito pra ela, e que eu iria adorar. Pediu para eu adivinhar, e não é que acertei? Nasceram os filhotes do Bud. Como assim? Explico:
Todo final de ano o Bud passa na casa do Silvio, e eu sempre tenho a esperança de que ele acasale com a Fubá, nossa Golden Retriever, que tem a índole tão boa quanto o Bud e é linda. Eu costumava brincar que estávamos desenvolvendo uma nova raça, o Black and White Retriever. O tempo foi passando, tanto o Bud quanto a Fubá já estavam mais velhos e acabei desistindo.
Mas na casa do Silvio tem mais 20 cães, cada um com um histórico de acidente, perda, abandono, coisas assim, que fazem com que nós, que amamos os cães, fiquemos sempre com mais animais do que o normal em casa. Uma das cadelas é a Bolinha, que o Silvio salvou do meio do mato. Ela é bem vira-lata, parece uma mini Border Collie, preta e branca. Na verdade ela poderia ser o Bud miniatura, e é um dos cachorros mais inteligentes que já conheci. Nada segura a Bolinha, ela escala até vidro pra chegar onde quer, estuda os movimentos quando quer alcançar algo que está muito alto ou longe e, quando decide como fazer, parece um saguizinho pulando da almofada pra cadeira, da cadeira pra mesa, da mesa pro armário, nada é obstáculo para ela. Ela é tão inteligente que apronta e coloca a culpa nos outros. Ela faz assim, só ela consegue subir na mesa do escritório. Então ela vai, sobe e joga alguma coisa no chão, normalmente papel e clips. Os cães ouvem o barulho e correm pro escritório, rasgam o papel, brincam com os clips, mordem o furador, detonam o que tiver ao alcance deles no chão, aí o Silvio ouve a barulheira no escritório, já vai dando bronca em todos, e a “santa” Bolinha é a única que fica de longe, olhando. Só descobrimos que ela fazia isso porque um dia pegaram ela no flagra, bem no momento que ela estava jogando as coisas no chão. Óbvio que ela não tomou bronca, pois o Silvio achou tão inteligente da parte dela fazer isso, que deixou para lá. Mas que ela merecia, ah merecia sim.
Então, no final de 2010 essa cadelinha estava no cio. Nós não nos preocupamos muito, pois o Bud estava com quase 10 anos, e a Bolinha com quase 8. Deixei o Bud lá e fui viajar. Estava eu em Águas de Lindóias quando recebo uma ligação do Silvio, meio confuso, dizendo que o Bud estava, naquele momento, digamos assim, namorando com a Bolinha. Já não daria mais para separá-los, pois já estavam de costas. Depois do acasalamento os cães ficam de costas um para o outro, é nesse momento que ocorre a fertilização. Não é aconselhável separar os cães nessa situação, pois pode machucar ambos os cães. Além disso, no fundo eu sempre quis ter um filhote do Bud, e nossos amigos também.
Bem, passou-se um tempo e achávamos que ela não havia engravidado pois, além da idade avançada para ser mãe, ela não mudava em nada o comportamento hiperativo dela. Não sei se ficamos aliviados ou frustrados. Na verdade ambos, pois estávamos preocupados por ela ser muito pequena, mas no fundo todos querem o filhote do Bud.
Naquele sábado o Silvio chegou na casa dele à noite e, para nossa surpresa, os fihotes haviam nascido. A Bolinha já era experiente, então escolheu como ninho o travesseiro do Silvio, e fez todo o trabalho sozinha. Ela teve três filhotes, mas uma fêmea era muito pequena, muito fraca, e a Bolinha a rejeitava. Por mais que o Silvio tenha tentado mantê-la próxima da Bolinha, dando mamadeira, ela acabou não resistindo e se foi no dia seguinte. Os dois machinhos eram bem maiores, mas um deles era enorme, e seu nome ficou Big. O outro era menor, meio magricela, inteiro branco e com máscara negra nos dois olhos, esse é o Zorro. Ficamos discutindo por algum tempo sobre quem seriam os sortudos que ganhariam esses carinhas, e decidimos que seríamos nós. Não tivemos coragem de doar os filhos do Bud. Eles estão crescendo e o Bud se mostrou um pai rigoroso. Tomam cada bronca quando ameaçam fazer alguma besteira, que dá medo. Quem vê pensa que o Bud vai atacar os dois, mas ele só faz uma cara muito brava, rosna, mostra os dentes e, se eles não param nesse momento, tomam uma latida bem perto do focinho, mas tão forte, que sempre saem correndo e chorando. É muito engraçado ver como eles respeitam o Bud. Também é muito legal ver os três passeando juntos. O Bud sempre anda um pouco mais na frente, como todo líder da matilha deve andar, e os dois andam o mais próximo possível deles. O mais gostoso de sair com os três juntos é ver o orgulho do Bud liderando os filhotes, e o orgulho dos filhotes por estarem acompanhando o Bud.
A Bolinha também se mostrou uma ótima mãe para eles, deixou que eles mamassem mesmo quando os dentinhos já a machucavam, ensinou-os a lutar, e eles aprenderam muito bem, tanto que toda hora arranjam encrenca com algum cachorro da matilha. A Bolinha até deixa eles se virarem, mas se ela percebe que o outro cachorro ficou bravo de verdade ela corre para socorrer os filhos. É muito interessante ver esse crescimento deles como família e, principalmente, como matilha.
Claro que nossos amigos ficaram frustrados por não termos doado os filhotes para nenhum deles, mas no final todos entenderam.
A Tamy amou os presentes, e sabíamos que seria assim, afinal, ela também ama os cães e é a “irmã mais velha” do Bud.
Nesse exato momento tudo o que eu mais queria era estar morando numa casa onde eu pudesse criar os cães juntos, pois no meu apartamento os filhotes não se adaptam. Eles passam a semana com o Silvio e a matilha num espaço grande, e fim de semana conosco, mas acordam 6 horas da manhã e querem atenção, querem sair, latem, e não posso obrigar meus vizinhos a tolerarem isso. Se eles ficassem comigo tempo integral aí sim, daria para treinar e acompanhar isso de perto, assim como fiz com o Bud, que é tão educado que até usa o elevador social. Ele entra, senta e só cheira o vizinho se ele sabe que é alguém que gosta de cachorro, senão ele nem se mexe.
Ainda pretendo morar numa casa e ensinar esses filhotes como ensinei o Bud. Eles estão lindos, só falta ficarem mais educados. O interessante é que, na minha casa, eles fazem tudo direitinho. Quando voltam para a casa deles vira bagunça de novo. O mais interessante é que o Silvio nunca se preocupou em ter cães educados, ele sempre achou que a matilha se virava, mas depois que ele viu como eles se comportam na minha casa, e como é gostoso ter um cachorro como o Bud, mudou de ideia. Expliquei para ele algo que todos deveriam entender, nós os tiramos da natureza, hoje eles dependem de nós para tudo, então devemos fazer o máximo possível para que sejam bem educados para assim serem aceitos pela sociedade. Somos responsáveis por eles, e eles merecem o nosso melhor.

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