Confesso para vocês que este tema não é um dos meus favoritos, mas vejo que é necessário em virtude dos últimos acontecimentos no Rio de janeiro mês passado e mais recentemente no domingo 11-03 no jogo Gama e Brasiliense onde uma briga se iniciou com os jogadores e se alastrou para a arquibancada com os torcedores dos dois times

 

Não é de hoje que se vê, notadamente no futebol, crimes praticados por grupos de pessoas que, devitorcida unicado a múltiplos fatores, transformam-se nos dias de jogos em delinquentes de grande potencial ofensivo.

É interessante observar que muitos desses indivíduos que se digladiam em dias de jogos, quer nos estádios e seus entornos ou nas estações de metrô, praças etc., na vida cotidiana apresentam-se como pessoas equilibradas, sem desvio de comportamento, todavia, quando se juntam a outras atuam de forma agressiva, violenta, covarde, e produzem crimes torpes que chocam o país.

É o que ocorre, já há algum tempo, com as chamadas torcidas uniformizadas, resquício de selvageria e covardia que vem preocupando as autoridades brasileiras. O fenômeno é mundial, haja vista os holligans ingleses, alemães e os rebeldes “Barra Bravas” argentinos responsáveis por inúmeras e conhecidas tragédias em praças desportivas.

Um simples torcedor pode ser, de um momento para outro, um criminoso grupal, com um desejo irrefreável de causar mal ao seu semelhante. Recentemente, para citar apenas um dos milhares, um bando a caminho de um estádio de futebol executou a tiros dois rapazes que se negaram, num ponto de ônibus, a tirar a camisa do seu time preferido.

Não é um caso isolado. São frequentes os casos em que torcedores são atacados dentro e fora dos estádios.

O que impressiona é que as pessoas que se juntam nessas oca­siões possuem opiniões, crenças, costumes, formação cultural e hábitos completamente diferentes e acabam por massacrar um homem sem nenhum fundamento lógico e sem nenhuma piedade. Acreditamos que, se sozinhos estivessem, seriam os primeiros a socorrer aquele homem que ajudaram a matar.

O Estatuto do Torcedor – Lei nº. 10.671, de 15.5.2003 – responsabiliza de forma solidária as entidades responsáveis pela organização da competição, bem como seus dirigentes e as entidades de prática desportiva detentoras do mando de jogo e seus dirigentes pelos prejuízos causados ao torcedor relacionados à falta de segurança, independentemente da existência de culpa.

A Polícia que apenas combate os efeitos dessa tempestade criminosa e é injustamente a mais criticada, tem feito a sua parte na prevenção e repressão desses delitos, filmando os exaltados nos estádios, evitando o confronto de torcedores e apurando as infrações penais cometidas.

Mas pode fazer mais. A criação de uma Delegacia de Polícia que reprima e investigue exclusivamente os crimes cometidos em razão do esporte, abrangendo aí, infelizmente, os próprios atletas que, muitas vezes, incentivam a violência, mandando torcedores se calarem, praticando violência desnecessária nos gramados, tenderá a diminuir o número de vítimas. De outra parte, não se vê a mesma preocupação nos dirigentes do futebol. Insistem em manter a rivalidade entre os grandes clubes bra­si­leiros. Passam ao torcedor a imagem de duelo, de revanchismo e de ódio ao clube concorrente. A mediocridade ainda se faz presente num ambiente em que deveria prevalecer o profissionalismo.

São conhecidos os casos em que representantes de clubes se abraçam nas reuniões a portas fechadas e se ofendem diante dos microfones e câmeras de televisão. Alimentam a rivalidade quando deveriam exterminá-la.

Narradores e comentaristas esportivos têm também sua parcela de responsabilidade sobre a violência esportiva. Em vez de criticarem constantemente a Polícia e as torcidas uniformizadas, deveriam ajudar na identificação dos criminosos, conscientizar o fanfarrão, alertá-lo do risco que a violência representa, adverti-lo sobre a prisão em flagrante e que estão destruindo o esporte mais popular do Brasil.

 

Atos de vandalismo verificados nos estádios de futebol estão nos levando à liderança de países cujos torcedores são os mais covardes do mundo. Muitas vezes exalta nessas pessoas o ódio reprimido, entorpece a consciência e belisca os sentimentos de crueldade que estavam adormecidos.

Todos sabemos que uma multidão enfurecida comumente comete excessos e derrama sangue. Deu o que der, dane-se. Só após o seu retorno à calma e ao raciocínio, passada a excitação que a empolga, é que acorda do pesadelo sofrido aquele que, ao seu contato, se tornou criminoso.

A ideia de torcida única neste momento e neste cenário é exatamente igual à tristeza: “pode ser intensa, mas jamais será eterna”. Em outras palavras: é necessário que não transforme um covarde em um criminoso covarde, em vagabundo em um criminoso vagabundo, em um atrevido em um criminoso atrevido. E para isso ela, a torcida única, é necessária. Não será eterna, mas prudente enquanto perdurar a insensatez.

Enquanto isso as autoridades e os homens de bem responsáveis, devem agir para destruir de vez a violência nos estádios de futebol, afinal esporte é vida, é cultura, é lazer, é saúde. É preciso, então, para que as torcidas voltem a dividir os estádios, que os diversos segmentos da sociedade civil se conscientizem da sua importância e atuem. A sobrevivência do futebol depende disso. Basta que cada um faça a sua parte.

 

 

E você, o que acha? Torcida única é a solução?

Marcos FarberMARKETING ESPORTIVOConfesso para vocês que este tema não é um dos meus favoritos, mas vejo que é necessário em virtude dos últimos acontecimentos no Rio de janeiro mês passado e mais recentemente no domingo 11-03 no jogo Gama e Brasiliense onde uma briga se iniciou com os jogadores e se...Comunidade Judaica Paulistana